
Barco carrega equipamentos que se comunicam via satélite com a civilização
Índios - Conectados na era digital
Você está acostumado a ver por aqui lançamentos de smartphones, novidades sobre o mundo digital e por aí vai. Mas, dessa vez, fomos em busca do inusitado. Estamos em pleno rio Solimões, e vamos mostrar como a chegada da tecnologia alterou para sempre a vida de quem mora por aqui.
A tecnologia em questão chegou a bordo de um barco, que foi transformado em suporte para uma agência bancária. O Voyager 3 navega milhares de quilômetros pelo Rio Solimões, levando um serviço que, agora, se tornou essencial para os ribeirinhos. Mas, até chegar aqui, o caminho é mais comprido do que muitos podem imaginar.
A equipe de reportagem do Olhar Digital saiu de São Paulo, e voou cerca de 4 mil quilômetros rumo a Manaus, capital do Amazonas. De lá, mais mil quilômetros em um outro avião em direção a Tabatinga, uma pequena cidade que faz fronteira com a vizinha Colômbia. A partir daí, outras 3 horas explorando a imensidão do Rio Solimões a bordo das chamadas “voadeiras”.
O Voyager 3 é uma espécie de supermercado flutuante que percorre 1.600 quilômetros e atende 50 municípios e uma população de 210 mil pessoas que vivem à beira do rio. Os passageiros e a população atendidos pelo barco podem realizar diversas operações bancárias como se estivessem em um grande pólo comercial.
A coisa é tão organizada que tem até uma gerente dentro da embarcação. Dona Luzia é a pessoa responsável por atender os clientes e futuros clientes que passam diariamente por ali.
“Quando o barco encosta nos portos, geralmente já chegam pessoas à procura de fazer abertura de contas, empréstimo”, conta a gerente da agência móvel, Luzia Moraes.
Só dentro do barco já foram movimentados cerca de 300 mil reais de novembro de 2009 até janeiro deste ano. Nesse período, aproximadamente 270 novas contas já foram abertas a partir do TAS. E todo esse sistema é possível graças a uma conexão via satélite. É esse meio de campo que permite que o sistema da agência fluvial mantenha comunicação 24 horas por dia durante todo o caminho percorrido.
"Ele só não faz operações em dinheiro espécie. A cada transação você inicia uma comunicação e encerra essa comunicação, que é para manter essa segurança das transações", explica o diretor de Relações Institucionais da Rede Ponto Certo, André Martins.
Quem também ganha em qualidade de vida é a população indígena. A tecnologia já chegou à comunidade de 5 mil índios da etnia Ticuna. A empresa responsável pelo sistema de auto serviço instalou um desses terminais em dois comércios da aldeia. Lucila foi uma das escolhidas para ser a correspondente bancária da comunidade. Na mercearia dela, os correntistas do banco também podem fazer empréstimos,sacar uma quantia em dinheiro e, instantaneamente, consultar seus saldos. Todos os dados são transmitidos via satélite por meio dessa antena aqui. Facilidades modernas que passaram a fazer parte do cotidiano no meio da selva.
“Era uma vida muito sofrida para eles (a população) irem à Tabatinga, eram sete horas de viagem com motor 'pec-pec'”, diz a correspondente bancária da comunidade, Lucila Tenazor Tananta.
Com quatro irmãos, sete irmãs, filhos e sobrinhos dentro de uma pequena casa, Lucila planeja voos mais altos, graças a nova função.
“Essa obra eu estou fazendo porque aqui as pessoas podem entrar e escolher o que quer. E aqui (na antiga casa) fica apertado”, planeja Lucila.
Aqui, no meio da selva amazônica, nesse cantinho do Brasil, encontramos um bom exemplo de como a tecnologia pode ser usada em benefício das comunidades locais, sem que isso signifique agressão ao meio ambiente. Se você gostou da aventura, entre agora no olhardigital.com.br e confira uma galeria de fotos com outras imagens que registramos no coração da amazônia. Aproveite, também, para ver outra reportagem que fizemos com os índios digitais de Pernambuco. Confira como eles usam a internet para manter viva a cultura de seus povos no mundo online.
Exibido em: 21/02/10

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