domingo, 4 de setembro de 2011

Omissão do governo em exploração de petróleo leva riscos a Abrolhos

02 de setembro de 2011 | 0h 00 - Iuri Dantas, de BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Treze blocos de extração do óleo estão tão próximos do santuário que, se houver um acidente, será difícil evitar um desastre ambiental; reserva marinha, que abriga 9 mil baleias-jubarte, é considerado o local de maior biodiversidade do Atlântico sul

Sem lei para evitar que a indústria petrolífera se aproxime perigosamente da reserva de Abrolhos, no litoral da Bahia, o Brasil tem hoje 13 blocos de extração de óleo localizados tão próximos do santuário de 9 mil baleias-jubarte que, em caso de acidente, não há segurança ambiental mínima para evitar um desastre ecológico.
Sterling Zumbrunn/Conservação Internacional-1/10/2010Santuário. Parque marinho abriga corais e baleias-jubarte.
Com base em acidentes já registrados e políticas adotadas em outros países, os pesquisadores dizem que a exploração de petróleo não deveria acontecer em um polígono de 92 mil quilômetros quadrados - área equivalente à de Portugal - ao redor do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, o local de maior biodiversidade do Atlântico Sul. Essa é a área que, pelas características das correntes e a riqueza da flora e fauna da região oceânica, funcionaria como uma rede de proteção contra eventuais acidentes.

Para se ter ideia de quanto vale a segurança ambiental dessa distância, o derramamento de óleo no Golfo do México, no ano passado, afetou 229 mil quilômetros quadrados, uma área duas vezes e meia maior que o polígono sugerido para Abrolhos.

Os 13 blocos de exploração de petróleo que se localizam no interior do polígono de 92 mil quilômetros quadrados, a área considerada de segurança, são operados pelas empresas Petrobrás, Vipetro, Perenco Petróleo e Gás do Brasil Ltda., Cowan Petróleo e Gás S.A. e Sonangol Starfish Oil & Gas S.A. Esse polígono foi sugerido ao governo em estudo conduzido pela ONG Conservação Internacional em 2005.

Para estabelecer essa área, os técnicos da ONG utilizaram o método de dispersão da gota de óleo, também usado pelo governo da Nova Zelândia. Significa dizer que, se houver derramamento em qualquer ponto do polígono, o óleo atingirá Abrolhos.

De lá pra cá, o plano foi absorvido pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) como um "excelente trabalho", mas nada foi feito de prático, além da promoção de discussões internas do governo. "Esse estudo é excelente", avaliou Cristiano Villardo, coordenador-geral de Petróleo e Gás do Ibama. "Seria interessante ter uma solução de longo prazo, se é tão importante assim proteger Abrolhos, como diz o governo", afirmou.

Medida tampão. O expediente de curto prazo foi adotar uma zona de 50 quilômetros ao redor do arquipélago, que fica excluída dos leilões da Agência Nacional de Petróleo (ANP), informou o próprio órgão regulador.

Novamente para comparar, o derramamento do poço Macondo, da British Petroleum, sujou de óleo 790 km da costa norte-americana há um ano e meio.

"Mais de 20 mil famílias dependem de Abrolhos para sobrevivência, e a extração de recursos ali representa 10% da riqueza pesqueira do País", descreveu Guilherme Dutra, um dos autores do estudo da Conservação Internacional. "Não somos loucos de propor exclusão de áreas econômicas, mas simplesmente não dá para permitir exploração de petróleo e gás, certamente é um risco."

O Instituto Chico Mendes (ICMBIO), do governo federal, pretende brigar pela criação de novas áreas de proteção ambiental na região, segundo Rômulo Melo, que preside a instituição. "Há interesse do governo em preservar Abrolhos e temos conversado com as ONGs para ver onde a gente possa propor outras áreas de conservação."

O Ministério do Meio Ambiente adotou, em 2006, uma portaria vedando a exploração de petróleo em área próxima à zona de exclusão proposta pela Conservação Internacional, segundo Villardo. O movimento ajudou a excluir mais de 200 blocos de uma licitação da ANP.

Mas o instrumento foi derrubado pela Justiça no ano passado. A partir de então, as empresas retomaram a exploração.

O governo também optou por uma solução política. Em vez de definir uma zona de exclusão formal, de forma transparente, ficou decidido, por meio de uma resolução do Conselho Nacional de Política Energética, que a ANP deveria consultar o Ibama antes das licitações.

O problema é que o instituto não tem lei para trabalhar e evitar que a exploração se aproxime de Abrolhos.

Confusão. A falta de regras levou até a estatal Petrobrás a iniciar a exploração de áreas que podem representar riscos a Abrolhos. A empresa disse ao Estado que suas operações estão "de acordo com legislação vigente e dentro dos mais rigorosos padrões internacionais de segurança operacional, com absoluta preocupação com o meio ambiente".

A disposição do governo de ampliar áreas de proteção, no entanto, representa um risco para a própria petroleira e seus acionistas. Em comunicado enviado ao Estado, a Petrobrás elencou medidas adotadas para prevenção de acidentes. Por exemplo: "Todas as unidades marítimas de perfuração (...) são equipadas com sistemas que podem prover o fechamento imediato e automático do poço, prevenindo seu descontrole."

Outro exemplo: "A companhia, seguindo os mais modernos padrões internacionais, instalou dez Centros de Defesa Ambiental (CDAs) distribuídos no País." A Petrobrás foi a única empresa que respondeu aos questionamentos feitos pelo Estado.

ENTREVISTA

Ilana Wainer, professora do Instituto Oceanográfico da USP

1.As licitações para prospecção de petróleo estão bastante próximas dos limites do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Essa distância é segura?

A meu ver, não. Aliás, é bastante complicado falar em distância segura em uma atividade como esta. A gente não sabe o que pode acontecer em caso de acidente, é uma situação potencialmente perigosa.

2.Além da exploração do petróleo, que traz consigo riscos de vazamento, há outros perigos?

Sim, há. Quando você perfura o fundo do mar, pode liberar gases causadores do efeito estufa que estão lá embaixo. O óleo do subterrâneo está misturado com gases dentro das rochas. Quando você perfura, eles se volatilizam e vêm à tona.

3. Você vê alguma solução possível para essa situação de Abrolhos?

Tem de haver um esforço de investimento em energias limpas, pois o risco de exploração em uma área dessas não vale a pena. Por Karina Ninni



Ibama apreende 11 barcos e autua 8 pescadores em MT

31 de agosto de 2011 | 14h 15 - SOLANGE SPIGLIATTI - Agência Estado
Onze barcos foram apreendidos e oito pescadores, autuados durante operação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Polícia Federal, realizada no último final de semana. A operação Txokrãn visa coibir a caça e a pesca ilegais dentro da terra indígena Kapoto-Jarinã, no extremo norte de Mato Grosso.

Os oito pescadores foram flagrados em área proibida e pagarão multa de R$ 1 mil cada um, além de serem denunciados ao Ministério Público Federal (MPF) por crime ambiental. Além dos 11 barcos, os agentes ambientais federais apreenderam 11 motores e embargou uma pousada. A autuação prevê multa de R$ 450 mil.

Desde 2009, quando recebeu da Funai e das comunidades indígenas as primeiras denúncias de caça e pesca ilegais no local, o Ibama fez missões de reconhecimento na região. A partir de então, a operação passou a fazer parte do Programa Nacional Anual de Proteção Ambiental (PNAPA).

As pousadas situadas ao lado da terra indígena incluem em seus pacotes a possibilidade de o cliente usufruir de todos os benefícios naturais do lugar, o que é ilegal, pois de um lado do rio está a terra indígena e, do outro, o Parque Nacional do Xingu, ambos com entrada proibida.


Ibama desmonta serraria por exploração ilegal no MA

02 de setembro de 2011 | 18h 34 - MARCELA BOURROUL GONSALVES - Agência Estado
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desmontou ontem a primeira serraria acusada de explorar madeira vinda da Reserva Biológica do Gurupi e das terras indígenas Awá, Carú, Araribóia e Alto Turiaçu, todas na região de Buriticupu, no leste do Maranhão. Desde o início da semana, o instituto realiza uma operação no polo madeireiro do município com apoio de homens da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Força Nacional. Há ainda pelo menos outras seis madeireiras à espera do desmonte.

A serraria já desativada foi embargada pelo Ibama em agosto de 2010, por funcionar sem licença ambiental. Ao chegar à empresa na manhã de ontem, os fiscais encontraram o lacre do órgão ambiental rompido e o pátio com 70 metros cúbicos de madeira nativa serrada (cerca de quatro caminhões cheios). Além de multada em R$ 120 mil, por armazenar o produto florestal sem licença e desrespeitar o embargo federal, a empresa teve apreendida a madeira e equipamentos. O maquinário será doado a uma entidade social da região.

No polo de Buriticupu, até o momento, oito madeireiras já foram fiscalizadas, mas apenas uma estava regular. As seis madeireiras sem licença que serão desmontadas repetem o mesmo histórico: foram embargadas pelo Ibama em 2009 ou 2010, mas continuaram operando, desrespeitando a sanção e sem obter a licença ambiental.

Nos três dias primeiros dias da operação Maurítia, o Ibama aplicou R$ 687,5 mil em multas, destruiu dezenas de fornos de carvão, apreendeu 340 metros cúbicos de madeira em tora, 465 metros cúbicos do produto serrado e armas. A operação também conta com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Ministério do Trabalho e Sistema de Proteção da Amazônia.


Copa do Mundo justifica corte de mata, prevê Código

01 de setembro de 2011 | 9h 56 - AE - Agência Estado
A "urgência" das obras da Copa do Mundo foi o motivo apontado para a proposta de autorizar o corte de vegetação nativa em áreas de preservação permanente (APPs) para a construção de estádios e "demais instalações necessárias", segundo a nova proposta de reforma do Código Florestal em debate no Congresso Nacional.

A nova versão da legislação ambiental foi apresentada pelo senador Luiz Henrique (PMDB-SC), relator nas próximas três comissões pelas quais a reforma de Código Florestal será analisada: Constituição e Justiça, Agricultura e Ciência e Tecnologia. A primeira votação foi adiada para o dia 14.

O relatório reverte a principal derrota sofrida pelo governo Dilma Rousseff durante a votação da reforma do Código Florestal na Câmara. A possibilidade de novos cortes de vegetação nativa em áreas de preservação permanente para atividades agropecuárias foi aprovada pela oposição e parte da base governista, no final de maio, diante das ameaças de veto da presidente da República.

A mudança sugerida pelo senador Luiz Henrique impedirá novos cortes de vegetação nativa em remanescentes de áreas de preservação permanentes estimadas em 600 mil quilômetros quadrados - ou mais de duas vezes a área do Estado de São Paulo. As APPs estão localizadas às margens dos rios, a partir da sua largura, e também nas encostas dos morros. O objetivo de sua preservação é assegurar a qualidade dos solos e da água.

A nova versão da reforma do Código Florestal também dispensa os produtores rurais da exigência de recuperar as áreas desmatadas até julho de 2008, data da edição de um decreto, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com punição a quem descumprisse as regras de proteção ao meio ambiente nas propriedades rurais do País. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


O Terceiro Reich na Amazônia

02 de setembro de 2011 | 17h 59 - Marcos Guterman - O Estado de S. Paulo
Os rastros do nazismo envolvem o Brasil não somente pela imigração forçada de judeus europeus perseguidos. O interesse dos alemães pelo País passava também por questões estratégicas e, claro, pela natureza exuberante. O livro Das Guayana Projekt (O Projeto Guiana, ainda não lançado no Brasil), do jornalista alemão Jens Glüsing, revela um pouco dessa relação de fascínio, ao reconstituir uma grande expedição de cientistas do Terceiro Reich pela Amazônia, entre 1935 e 1937. "Otto Schulz-Kampfhenkel, o líder da expedição, adorou os índios", contou Glüsing ao Sabático. "Há até rumores de que ele teve uma filha com uma índia, mas isso eu não consegui comprovar."

A pesquisa de Glüsing documenta os preconceitos centrais dos europeus a respeito de lugares remotos como o Brasil - e que ainda resistem. A definição do País como uma "terra de selvagens, nus e cruéis comedores de seres humanos", descrita pelo alemão Hans Staden sobre sua aventura brasileira no século 16, pouco mudou em sua essência. No caso do nazismo, porém, a distorção sobre o Brasil fora reforçada pela "ciência" europeia e norte-americana que via na mistura racial uma ameaça existencial - em texto de 1874, Gobineau, o pai do conceito sobre a "desigualdade das raças", deu apenas 200 anos de vida ao Brasil por causa da miscigenação.

Segundo Glüsing, a expedição de Schulz-Kampfhenkel tinha o objetivo de observar a fauna e a flora amazônica, mas acabou servindo posteriormente como referência para um eventual plano de colonização. "A Luftwaffe (força aérea) e Göring (um dos principais dirigentes nazistas) apoiaram todo esse projeto com dinheiro e com ajuda logística", disse o jornalista. A expedição teve apoio do governo Vargas, mas, segundo Glüsing, previsivelmente os militares "não gostaram muito da ideia", porque temiam espionagem.

A ideia de colonização foi oferecida a Himmler, o chefe da SS, a tropa de elite nazista. Embora ele tenha se animado a princípio, encomendando a Schulz-Kampfhenkel uma análise das possibilidades, acabou engavetando a ideia, porque não havia urgência para a Alemanha.

Da aventura de Schulz-Kampfhenkel restou uma cruz com uma suástica que marca o local de sepultamento de um dos integrantes da expedição, morto por malária, em Laranjal do Jari (AP). Restou também uma série de documentos e imagens, todos devidamente "desnazificados" - isto é, despojados de todas as referências racistas - para consumo dos alemães no pós-guerra.


Obra da Tamoios desmatará 200 campos de futebol

03 de setembro de 2011 | 9h 29 - PAULO SALDAÑA - Agência Estado

A duplicação da Rodovia dos Tamoios, no trecho do planalto, vai provocar o desmatamento de uma área de 224 hectares, o equivalente a mais de 200 campos de futebol. E cerca de 74 hectares estão em Áreas de Proteção Permanente. O diagnóstico está no Relatório de Impacto Ambiental protocolado nesta semana na Secretaria do Meio Ambiente.
O documento é o primeiro passo para que essa parte do empreendimento - de 53 km, antes da Serra do Mar - receba o licenciamento ambiental e saia do papel. Para o trecho de serra haverá outras estudos ambientais, que estão sendo elaborados.

A Desenvolvimento Rodoviário S.A (Dersa) e o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), responsáveis pelo projeto, promoveram a avaliação de três opções para a duplicação. A alternativa indicada prevê que as novas pistas sejam construídas dos dois lados da via existente, dependendo da localização, com a instalação de uma mureta entre os sentidos.

A Dersa ainda publica hoje os editais de pré-qualificação para concorrência das obras e serviços de duplicação do km 11,5 ao km 60,48, no Diário Oficial do Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Maior parte de área desmatada da Amazônia virou pasto

03 de setembro de 2011 | 9h 35 - MARTA SALOMON E TÂNIA MONTEIRO - Agência Estado

Imagens de satélites analisadas pelo governo federal mostraram que, dos 719 mil quilômetros quadrados de árvores abatidas na Amazônia até o ano de 2008, pouco mais de 62% são ocupados atualmente por pastagens e outros 20% passam por processo de recuperação natural da vegetação.
A agricultura, sobretudo aquela destinada à produção de grãos, ocupa menos de 5% da área total desmatada - que representava, há três anos, o equivalente a 17,5% da Amazônia.
Os dados constam de estudo feito em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e apresentado ontem no Palácio do Planalto.

Inédito, esse estudo confirma a hipótese de que a pecuária é o grande motor do avanço das motosserras sobre a Amazônia. Seus resultados surpreendem sobretudo pela extensão de terras ocupadas pela pecuária, o que indica a sua baixa produtividade - principalmente nos 110 mil quilômetros quadrados em que as cabeças de gado ocupam áreas de pasto sujo (com grama e outros tipos de vegetação) ou regeneração com pasto.

De acordo com dados oficiais mais recentes, a Amazônia Legal (área um pouco maior que o bioma Amazônia considerado no estudo) reúne 71 milhões de cabeças de gado.

Também foi surpreendente a quantidade de floresta em recuperação detectada pelos satélites. Essa parcela, de 150,8 mil quilômetros quadrados - cerca de cem vezes o tamanho da cidade de São Paulo -, corresponde a 21% do total desmatado. A floresta em estado de regeneração foi apontada pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara, como um importante ativo, por funcionar na captura de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Já as pastagens degradadas, classificadas como pastagens com solo exposto, somam 594 quilômetros quadrados - ou 0,1% do total abatido. Trata-se de um porcentual menor que o esperado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.