quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cientistas defendem adiar votação do Código

25 de abril de 2011 | 0h 00 Marta Salomon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo
Duas entidades, que representam 96 associações científicas, afirmam que seriam necessários dois anos para aprofundar os estudos sobre o tema

A poucos dias da votação da reforma do Código Florestal, as duas principais entidades de cientistas do País - a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) - pediram ontem o adiamento de uma decisão na Câmara dos Deputados. "Essa proposta não pode ir à votação. Não vai ser bom para o Brasil, e a ciência não está calada", protestou a presidente da SBPC, Helena Nader.

Dois anos seria o tempo necessário para o aprofundamento dos estudos que promovessem um "acordo nacional", estima o agrônomo Antonio Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nesse período, seriam suspensas as multas a produtores rurais que contrariam a legislação ambiental, defendem os cientistas. Os donos de imóveis rurais estão sujeitos à autuação a partir de 11 de junho.

Ontem, os cientistas começaram uma maratona de encontros com representantes do governo e do Congresso. Representando 96 associações científicas e cientistas, as duas entidades apresentaram o estudo O Código Florestal e a Ciência.

Sobre pontos consensuais no debate para a votação do relatório do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), os pesquisadores afirmaram que não há uma conclusão científica.

Entre os itens citados está o desconto de Áreas de Proteção Permanente (APPs) às margens dos rios na contabilidade da reserva legal das propriedades rurais, ou seja, o porcentual que os proprietários têm de manter de vegetação nativa. O porcentual varia de 20% a 80%, dependendo do bioma.

Mas o estudo avança quando sai em defesa da manutenção das APPs às margens dos rios em 30 metros, como prevê atualmente a lei, para rios mais estreitos. Segundo o estudo, juntas, as APPs representam apenas 7% da extensão das propriedades rurais do País. Proposta aprovada em comissão especial da Câmara reduz essa área em 30%.

Nas cidades, o estudo defende a criação de corredores verdes ao longo de rios e encostas íngremes verdes e regras rigorosas para a ocupação de área de risco.

Demora. Os cientistas justificaram só terem apresentado o estudo a pouco mais de uma semana da data prevista para a votação do Código na Câmara. O grupo de trabalho começou há dez meses, e o estudo foi revisto várias vezes para conciliar os cuidados com os recursos naturais e a necessidade de ampliar a produção de alimentos.

Os cientistas evitaram falar sobre o ponto mais polêmico do Código, que isenta produtores rurais da exigência de manter a vegetação nativa em parcela de até 4 módulos fiscais nas propriedades, o que equivale de 20 a 400 hectares, dependendo do município. "Seria uma confusão sem fim e cientificamente não se sustenta", disse o diretor da SBPC, José Antonio Aleixo da Silva.

Lentidão
ANTONIO NOBRE
AGRÔNOMO, DO INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE)

"Talvez tenhamos comido mosca (em demorar na apresentação das propostas dos cientistas para o Código Florestal). Era um terreno minado, difícil, espinhoso."




Destino do lixo nuclear, herança para nossos filhos

26 de abril de 2011 | 23h 59 Karina Ninni - O Estado de S. Paulo
País quer construir mais quatro usinas nucleares, mas não sabe o que fazer com resíduos radioativos

A usina nuclear de Angra 1, no litoral do Rio, entrou em operação há 26 anos e a de Angra 2, há 9. O governo pretende inaugurar Angra 3 em 2015 e já concluiu estudos para a construção de mais quatro usinas, duas no Nordeste e duas no Sudeste. Mas ainda não sabe o que fazer com seu lixo nuclear, que permanece radioativo por cerca de 300 anos.

GUSTAVO BONFIGLIOLI/AE A central nuclear de Angra é formada pelas usinas de Angra 1 e 2 (foto) e 3 (em construção)“Existem algumas soluções, só que não temos a garantia de que sejam suficientes a longo prazo”, diz Ricardo Baitelo, engenheiro e coordenador de energia do Greenpeace. “O custo de construir os depósitos não está incluído nas tarifas da energia de Angra 1 e 2, mas teremos de pagar por ele de alguma forma.”

A geração de energia por fissão nuclear deixa dois tipos de resíduo: os de baixa e média radioatividade e os de alta. Por enquanto, o Brasil estoca tudo em depósitos (lixo de baixa e média) e piscinas (alta) nos prédios das usinas de Angra 1 e 2.

Como condicionante para a licença de operação de Angra 3, o Ibama estipulou que o País deve iniciar o processo de licenciamento de um depósito definitivo de resíduos de média e baixa radioatividade e apresentar o projeto de um depósito de resíduos de alta radioatividade.

Este último é o nó da questão, embora especialistas afirmem que o Brasil pode esperar cerca de 30 anos até definir uma solução. O governo parece se inclinar por uma saída intermediária. “Ainda não decidimos se vamos comprar serviços de reprocessamento ou se vamos tratar o combustível como rejeito radioativo e estocá-lo do jeito que está”, diz Laércio Vinhas, diretor de Segurança da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), órgão federal que supervisiona o setor nuclear. “A Eletronuclear (estatal que constrói e opera usinas) e a CNEN estão fazendo um projeto de depósito de resíduo de alta no Brasil, mas ainda não é o definitivo. É um lugar onde os elementos combustíveis poderiam ficar por 200, 300 anos até que as novas gerações decidam o que querem fazer: tratá-los como rejeito ou reprocessar.” A previsão é de que esse depósito intermediário esteja operando em 2026.

O reprocessamento é um processo de “reciclagem” do combustível já usado nos reatores. Os poucos países que têm essa tecnologia, como França, Reino Unido e Japão, conseguem reaproveitar 95% do combustível. “O reprocessamento é politicamente complicado porque um dos elementos obtidos é o plutônio, usado para confecção de armamentos nucleares”, afirma o físico Luís Antônio Terremoto, pesquisador do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), vinculado à CNEN e à Universidade de São Paulo.

Veja infográfico sobre o caminho dos resíduos nucleares



Tanto para ser reprocessado como guardado a seco, porém, o combustível deve ser resfriado em piscinas por períodos de, em média, cinco a oito anos. “As piscinas de Angra conseguem estocar os elementos combustíveis até 2020”, garante Leonam dos Santos Guimarães, assessor da presidência da Eletronuclear. Pesquisador da CNEN, Rogério Pimenta Mourão revela que há planos de construção uma piscina extra no complexo.

“Algum dia, todo país que produz rejeitos de alta atividade vai ter de ter um depósito”, diz Mourão. A tarefa não é fácil mesmo no Primeiro Mundo. A Suécia foi o primeiro país a licenciar um projeto de depósito definitivo, com operação programada para 2015. Os Estados Unidos vêm há anos tentando construir um na montanha de Yucca, em Nevada, orçado hoje em US$ 100 bilhões. “A diferença é que o consumidor americano paga por ele desde os anos 80”, diz Baitelo.

Informalidade afeta certificação de ostras em SC

26 de abril de 2011 | 23h 59 Gustavo Bonfiglioli - O Estado de S. Paulo
ALEX SILVA/AE Santa Catarina, estado responsável por 95% da produção nacional, vende 90% de suas ostras para São Paulo e Rio de Janeiro

Um estudo da ONG Nature Conservancy e da Universidade da Califórnia divulgado em fevereiro alertou que a perda de hábitats e o cultivo excessivo já provocaram o desaparecimento de 85% das ostras do mundo. No Brasil, ao contrário, o mercado do molusco cresceu nos últimos dez anos, principalmente em Santa Catarina, que responde por 95% da produção nacional. Isso não significa que a criação de ostras, opção de emprego e renda para comunidades de pescadores, esteja livre de problemas no País, como a informalidade nas relações de trabalho, a falta de inspeção da produção e fatores naturais, como as marés vermelhas.
O cultivo de ostras no litoral catarinense é relativamente recente. Começou na década de 80, com a introdução da espécie Crassostrea gigas. Nos anos 2000a produção teve um boom, chegando ao pico de 3.152 toneladas em 2006. Depois de altos e baixos, o último número registrado, do período de março de 2009 a março de 2010, foi de 1,792 toneladas.
ALEX SILVA/AE
“No fim dos anos 90, a produção começou a crescer. A partir da 1.ª Fenaostra, feira anual de varejo realizada em 1999 em Florianópolis, o mercado atingiu escala nacional”, conta Alex Alves dos Santos, engenheiro agrônomo e técnico da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri). A empresa é responsável pelo monitoramento da produção, enquanto o Laboratório de Moluscos Marinhos da Universidade Federal de Santa Catarina fornece sementes (embrião de ostra, pouco maior que um grão de areia) para as grandes fazendas e os pequenos produtores.

Toxinas.

Após o pico de 2006, a produtividade despencou no ano seguinte. A vilã foi a maré vermelha, hiperconcentração de microalgas que liberam toxinas na água. Em 2008, novo crescimento, seguido de uma queda de 28% no ano seguinte. “As chuvas na época deixaram a salinidade da água em 0,5%; o normal é 30%”, diz Alves.

Apesar dessas variações, o técnico acredita que o maior problema enfrentado pela atividade não vem da natureza, mas de um entrave socioambiental. É a falta de regularização dos maricultores familiares, que afeta cerca de 700 famílias do litoral catarinense.

Burocracia.“O pequeno produtor até pode buscar registro profissional, mas isso não garante inspeção e licença. A burocracia dificulta o acesso do produtor familiar ao mercado”, diz Alves. Sem licença para operar, os produtores ficam sem acesso a créditos como o do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O diretor do Departamento de Registros do Ministério da Pesca e Aquicultura, Sebastião Saldanha, afirma que a regularização profissional do criador de ostras é só um dos requisitos legais para a atividade. “Regularizar o profissional não significa fazer o mesmo para o empreendimento”, diz.

Entre outras coisas, o maricultor precisa de licenciamento e concessão para usar águas da União. E isso depende de uma burocracia que envolve Ministério do Planejamento, Marinha e Ministério do Meio Ambiente.

“A profissão era para ter sido legalizada há 15 anos. A burocracia só é possível para grandes empresas”, reclama o maricultor Ademir Dário dos Santos, de 54 anos. Santos lembra quando buscou suas primeiras sementes de ostra, há 18 anos. Morador do sul de Florianópolis, vivia da pesca de subsistência. “Peguei mil sementes e coloquei no bagageiro da bicicleta. Passados oito meses do primeiro cultivo, a vida começou a mudar. Os pescadores não tinham muita alternativa de vida na época; o extrativismo de peixes quase acabou com as espécies”, diz. “Hoje ganho R$ 3 mil por mês, comprei um carro e meu filho está na universidade.”

Fazendas. As grandes empresas citadas por Santos são seis fazendas de cultivo. Elas têm infraestrutura, licenciamento ambiental e inspeção microbiológica. A maior parte da sua produção, examinada pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), é destinada a outros Estados, como São Paulo e Rio. Colhidas às 5 horas, as ostras chegam frescas – e vivas – aos restaurantes das duas metrópoles.

Essas fazendas, porém, não têm capacidade para atender totalmente a demanda no País. Recorrem aos produtores familiares, comprando parte de sua produção não certificada.

“Cerca de 90% das ostras produzidas em Santa Catarina sai do Estado. O resto, sem certificação, fica no mercado local”, diz Alves. “Essas ostras ficam um período nos tanques das fazendas e passam por um processo de beneficiamento, mas não por todo o processo de inspeção.”

Copacabana Palace. A oceanógrafa Flávia Couto, da Fazenda Atlântico Sul, responsável pela produção de 30% das ostras de Santa Catarina, diz seguir normas sanitárias rígidas. “Fornecemos para clientes como o Copacabana Palace. Pegaria mal distribuir produto com risco para rainhas e bandas de rock.”

Apesar de ser beneficiado ao vender a produção para fazendas como a Atlântico Sul, Santos vê descaso do governo quanto aos pequenos produtores. “O cultivo de ostras começou com foco na maricultura familiar.”

Estudo mostra que mares aquecidos podem levar peixes a limite

18 de abril de 2011 | 10h 32 - REUTERS
As temperaturas oceânicas em rápida elevação em algumas partes do mundo podem estar levando algumas espécies de peixes ao seu limite, retardando seu crescimento e aumentando o estresse e o risco de morte, mostra um estudo.

Publicado nesta segunda-feira na revista Nature Climate Change, o estudo australiano se concentrou na longeva espécie do peixe-bobo-de-faixa-negra do mar da Tasmânia, entre a Austrália e a Nova Zelândia.

Usando dados atuais e de longo prazo, os cientistas descobriram que o crescimento do peixe-bobo em algumas áreas foi desacelerado por um salto de quase 2 graus Celsius nas temperaturas da superfície do mar nos últimos 60 anos no mar da Tasmânia, uma das mais rápidas elevações nos oceanos do Hemisfério Sul.

Os resultados têm implicações para outras espécies de peixes, incluindo a pesca comercial, à medida que os mares aquecem e se tornam mais ácidos, afetando recifes de coral e a multibilionária indústria pesqueira que depende deles.

Normalmente, animais de sangue frio reagem ao aumento de temperatura acelerando a taxa de reprodução à medida que as temperaturas sobem, disse o ecologista marítimo Ron Thresher, do CSIRO, órgão de pesquisa australiano apoiado pelo governo. Mas há um limite.

"Ao examinar o crescimento em uma área habitada por essa espécie, encontramos evidência tanto de crescimento retardado como de estresse fisiológico acentuado, já que as temperaturas mais elevadas impõem um custo metabólico maior nos peixes na borda mais quente da área", afirmou Thresher à Reuters de Hobart, na Tasmânia.

"Muitos peixes comerciais não se movimentam muito", disse Thresher, co-autor do estudo junto com colegas do Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos da Universidade da Tasmânia.

"Eles tendem a voltar ao mesmo terreno de procriação ou vivem nos mesmos recifes. E esses serão os mais afetados," disse. Este é o caso especialmente para peixes longevos, aqueles que vivem perto da praia e em águas pouco profundas. O peixe-bobo-de-faixa-negra pode viver até 100 anos.

Mas algumas espécies, como o atum, se movimentam muito mais e cada vez buscam águas mais frescas ao sul.

Thresher e seus colegas usaram dados sobre o peixe-bobo-de-faixa-negra que remontam a 1910 e se concentram na estrutura óssea chamada otólito, que apresenta anéis de crescimento anuais semelhantes aos encontrados em árvores.

Estudando dados de amostras de espécies do mar da Tasmânia, eles detectaram um crescimento acentuado nas populações da espécie no meio de áreas nas águas australianas nas quais as temperaturas subiram, mas ainda estão relativamente frescas.

Mas o crescimento diminuiu com as temperaturas em elevação na fronteira norte, mais quente, da área ao redor da Nova Zelândia.

Os cientistas descobriram que o decréscimo no crescimento pode estar relacionado com os maiores níveis de estresse causados pelas temperaturas em elevação, o consumo acentuado de oxigênio e uma queda na capacidade de nadar por longos períodos.




Cana-de-açúcar resfria o clima

18 de abril de 2011 | 14h 35 Sérgio Neves/AE - Agência FAPESP
Cultivo de cana-de-açúcar no Cerrado ajudou a diminuir a temperatura do ar em 0,93º C Boa notícia para o etanol. Uma pesquisa feita por cientistas do Departamento de Ecologia Global da Carnegie Institution, nos Estados Unidos, concluiu que a cana-de-açúcar ajuda a esfriar o clima.

Foram utilizadas imagens de satélite que cobriu quase 2 milhões de m2 do cerrado brasileiro
O estudo, publicado neste domingo na segunda edição da revista Nature Climate Change, nova publicação do grupo editorial britânico, aponta que o esfriamento do clima local se deve à queda da temperatura no ar em torno das plantas à medida que estas liberam água e à reflexão da luz solar de volta ao espaço.

O trabalho, liderado por Scott Loarie, procurou quantificar os efeitos diretos no clima da expansão da cana-de-açúcar em áreas de outras culturas ou de pecuária no Cerrado brasileiro.

Foram utilizadas centenas de imagens feitas por satélites que cobriram uma área de quase 2 milhões de m2. Os cientistas mediram temperatura, refletividade e evapotranspiração, a perda de água do solo por evaporação e a perda de água da planta por transpiração.

"Verificamos que a mudança da vegetação natural para plantações e pastos resulta no aquecimento local porque as novas culturas liberam menos água. Mas a cana-de-açúcar é mais refletiva e também libera mais água, de forma parecida com a da vegetação natural", disse Loarie.

"Trata-se de um benefício duplo para o clima: usar cana-de-açúcar para mover veículos reduz as emissões de carbono, enquanto o cultivo da planta faz cair a temperatura local", destacou.

Os cientistas calcularam que a conversão da vegetação natural do Cerrado para a implantação de culturas agrícolas ou de pecuária resultou em aquecimento médio de 1,55º C. A troca subsequente para a cana-de-açúcar levou a uma queda na temperatura do ar local de 0,93º C.

Os autores do estudo enfatizam que os efeitos benéficos são relacionados ao plantio de cana em áreas anteriormente ocupadas por outras culturas agrícolas ou por pastos, e não em áreas convertidas da vegetação natural.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Caatinga deve ser patrimônio nacional, diz ministra

26 de abril de 2011 | 0h 00 O Estado de S.Paulo
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pediu ontem a aprovação, ainda este ano, da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que transformará a Caatinga e o Cerrado em patrimônios nacionais. "Essa medida é de fundamental importância para a captação de recursos, visando a um desenvolvimento sustentável dessas regiões", disse a ministra, que abriu ontem, em Fortaleza, a Semana Nacional do Bioma Caatinga.

O Dia Nacional da Caatinga é comemorado em 28 de abril. O bioma Caatinga é o único exclusivamente brasileiro, ou seja, só existe no Brasil. Ele corresponde a 850 mil km2, o que equivale a 11% do território nacional. Nele, residem 27 milhões de pessoas. Além de estar presente nos nove Estados nordestinos, também é encontrado no norte do Estado de Minas Gerais. Mas levantamento do Ministério do Meio Ambiente aponta que 45% do território da Caatinga sofre com desmatamentos.

A aprovação da PEC, segundo a ministra, é importante para que se ponham em prática medidas de conservação do bioma sem prejudicar a população nele residente. A Mata Atlântica, por exemplo, já é considerada patrimônio brasileiro.




Recessão provoca corte recorde nas emissões de CO2 da Europa

20 de abril de 2011 | 15h 29 ALISTER DOYLE - REUTERS
A recessão provocou uma redução recorde de 7,2% nas emissões de gás estufa da União Europeia em 2009, colocando o bloco à frente do cronograma planejado de cortes, indicaram dados europeus nesta quarta-feira, 20.

"A força da recessão de 2009 afetou todos os setores econômicos da UE," disse em relatório a Agência Ambiental Europeia, com sede na Dinamarca. "O consumo de combustíveis fósseis caiu em comparação com o ano anterior, principalmente o de carvão."

As emissões de gás estufa no bloco de 27 nações caíram do equivalente a 4,96 bilhões de toneladas de dióxido de carbono em 2008 para 4,60 bilhões em 2009, de acordo com um relatório técnico apresentado para o Secretariado de Mudança Climática da Organização das Nações Unidas (ONU).

Essa queda de 7,2 % - de 354 milhões de toneladas ou quase o mesmo tanto que as emissões anuais da Espanha ou da Polônia - foi bem mais acentuada do que qualquer outro declínio desde 1990, quando os países ricos começaram a reunir os dados seguindo tratados da ONU.

O relatório não informou o quanto as emissões poderão voltar a crescer com o retorno do crescimento econômico em 2010, mas disse: "A recessão em 2009 acelerou, temporariamente, a tendência de baixa nas emissões totais de gás-estufa."

A redução, ampliando os cortes pelo quinto ano consecutivo, deixa as emissões 17,6% abaixo dos 5,59 bilhões de toneladas emitidos no ano-base da ONU de 1990 e perto do objetivo unilateral europeu de cortar as emissões em 20% abaixo dos níveis de 1990 até 2020.

A UE havia dito que aumentaria o corte para 30% , caso outros países industrializados estabelecessem metas dentro de um futuro tratado da ONU para evitar mais enchentes, secas e elevação do nível dos oceanos.

No mês passado, sete países da UE, incluindo Alemanha e Grã-Bretanha, defenderam que o bloco aprofunde a meta para 2020. A comissária da UE para a Mudança Climática, Connie Hedegaard, apresentou uma estratégia apontando um caminho de baixo custo para um corte de 25 por cento até 2020.

Um ano depois, Golfo do México tenta se recuperar de desastre

20 de abril de 2011 | 19h 21
Cientistas se preocupam com danos ao ecossistema marinho.

Um ano após o desastre da BP, a região do Golfo do México tenta voltar à normalidade.

Equipes ainda tem muito trabalho limpando as praias da região e cientistas alertam para o perigo ao ecossistema representado pelo petróleo que ainda não foi retirado das águas da região.

Na costa do Alabama, a preocupação é com a indústria de pesca do camarão. Muitos temem que o negócio tenha que ser abandonado.

Outros como esse trabalhador que ajudou a limpar a plataforma, tem problemas de saúde.

O custo real do desastre pode não ser conhecido por anos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados.


Buraco na camada de ozônio explica parte das secas australianas, diz estudo

22 de abril de 2011 | 16h 12

Segundo cientistas, fenômeno é causa de 35% das mudanças climáticas da região.

O buraco na camada de ozônio da Antártida é parcialmente responsável pelas secas que vêm ocorrendo na Austrália, de acordo com um estudo divulgado na publicação científica Science.

Os cientistas liderados por uma equipe da universidade de Columbia, nos Estados Unidos, concluíram que o buraco causou mudanças nos padrões de vento e chuvas em todo o hemisfério sul.

"Em termos de média (o buraco na camada de ozônio causa) cerca de 10% de mudança climática), mas na Austrália, é de cerca de 35%", disse Sarah Kang, uma das responsáveis pelo estudo.

Os cientistas concluíram que outros fatores também têm influência, como a emissão dos gases que causam o efeito estufa e os ciclos naturais do clima, como os que causaram secas no passado.

Mecanismos

"O estudo ilustra o papel importante que mecanismos diferentes das mudanças climáticas têm para o impacto que vemos o clima ter", diz uma das maiores autoridades britânicas em clima, Myles Allen.

"É importante diferenciá-los em vez de assumir que qualquer impacto que vemos é causado por gases do efeito estufa."

As secas australianas levaram ao fechamento de várias fazendas e a um maior investimento em outras tecnologias como as de dessalinização da água do mar.

O buraco na camada de ozônio é causado por reações químicas na estratosfera, a camada superior da atmosfera, provocadas por substâncias como os clorofluorcarbonos (CFC), cujo uso em produtos industrializados foi restringido pelo Protocolo de Montreal, que entrou em vigor em 1989.

Apesar do tratado, o efeito dessas substâncias ainda deve se fazer sentir na atmosfera por décadas.

Acredita-se que a o buraco sobre a Antártida esteja recuperado até 2060.

O ozônio bloqueia raios ultravioletas do Sol, que podem causar câncer de pele e outras doenças. BBC Brasil




No Rio, Greenpeace protesta contra investimento em energia nuclear

25 de abril de 2011 | 12h 13 estadão.com.br

No mundo a agência Efe, os ambientalistas simularam um acidente nuclear usando fumaça laranja

SÃO PAULO - Integrantes do Greenpeace protestaram na manhã desta segunda-feira, 25, em frente à sede do BNDES, no centro do Rio de Janeiro, contra o investimento de dinheiro público na construção de uma terceira usina nuclear no país, a usina Angra 3. Segundo a agência Efe, os ambientalistas simularam um acidente nuclear usando fumaça laranja.

Americana é surpreendida por jacaré de boca aberta no banheiro

26 de abril de 2011 | 6h 09
Animal de dois metros de comprimento pode ter entrado na casa na Flórida usando portinhola para gatos

Uma mulher da Flórida teve uma surpresa ao entrar em sua casa no fim de semana e descobrir um invasor dentro do banheiro - um jacaré de mais de dois metros de comprimento.

Jimmy Pollack/Divulgação Jacarés da região procuram por alimentos em regiões mais distantes que o normal nesta época do ano

Alexis Dunbar disse ter encontrado o animal, de boca aberta, ao abrir a porta do banheiro depois de escutar ruídos estranhos no local.

Ela então gritou para o namorado, que correu para colocar uma mesa na frente da porta para impedir o jacaré de sair do local até a chegada de uma equipe de resgate.

Segundo a dona da casa, sua maior preocupação era com suas gatas de estimação. Ela contou à imprensa local que viu sangue no local e achou que o jacaré as havia atacado.

"Pensei que ele tinha comido minhas gatas. Elas são como filhas para mim", disse ela.

O sangue, porém, era do próprio jacaré, que pode ter se ferido ao entrar na casa, provavelmente pela portinhola usada pelas gatas para entrar e sair do local.

Resgate

Dunbar e o namorado ligaram para um serviço especial dedicado ao resgate de jacarés, comuns na região da baía de Tampa, onde eles moram.

"Sei de jacarés que entram em piscinas ou laguinhos, mas dentro de casa nunca tinha visto", afirmou Dunbar.

O animal acabou laçado e amarrado antes de ser retirado da casa e devolvido ao seu habitat natural.

Segundo afirmou Gary Morse, porta-voz do Departamento de Proteção de Peixes e Animais Selvagens da Flórida, à TV americana ABC, o Estado abriga mais de um milhão de jacarés adultos, que nesta época do ano, com a chegada da primavera, costumam se aventurar mais à procura de alimentos. BBC Brasil

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Argentina fará primeiro inventário de geleiras em seu território

06 de abril de 2011 |Ariel Palacios - O Estado de S.Paulo DE BUENOS AIRES
A presidente Cristina Kirchner assinou um convênio para a elaboração de um inventário de todas as geleiras existentes no território argentino. O objetivo oficial do convênio, que implicará na cooperação entre a Secretaria de Ambiente e o Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet), "é o de abarcar geleiras descobertas, além daquelas cobertas por escombros, que agem como reservas hídricas".
A maioria das geleiras argentinas está localizada na Cordilheira dos Andes. A assinatura do convênio ocorre em meio a uma série de protestos de grupos ambientalistas contra a ação de empresas de mineração na área de geleiras na Cordilheira.
Os grupos acusam a presidente Cristina Kirchner de favorecer as empresas de mineração, já que em 2008 ela vetou uma lei aprovada pelo Parlamento que determinava limites para a exploração de minas nas áreas de geleiras, com o objetivo de preservar as reservas de água doce.

O veto permitiu uma brecha para que vários empreendimentos de mineração que estavam em compasso de espera pudessem iniciar suas atividades.

No entanto, meses depois, quando os parlamentares avançaram com uma segunda tentativa no plenário, a presidente Cristina recuou e optou por promulgar a lei.

Mas a empresa de mineração Barrick Gold, com intensas explorações de minas na Província de San Juan, onde governam aliados da presidente Cristina, conseguiu que o juiz federal Miguel Gálvez aceitasse um recurso para suspender a aplicação de vários artigos da lei.
As operações da Barrick foram alvos de manifestações de diversas organizações ambientalistas, entre elas o Greenpeace. Na semana passada, durante um piquete de protesto em San Juan, uma das diretoras do Greenpeace, Eugenia Testa, foi detida pela polícia.
A organização está reunindo assinaturas para um abaixo-assinado que exige a votação de uma nova lei que proteja as geleiras de forma ampla.

Drama. Cientistas suecos e britânicos afirmam que é "dramático" o derretimento de geleiras na Patagônia. Segundo o jornal The New York Times, o pesquisador Niel Glesser, da Universidade Aberystwyth, de Gales, aponta que as geleiras da Patagônia "estão contribuindo para um aumento cada vez maior dos níveis dos mares".

Os especialistas afirmam que a geleira Campo de Gelo Patagônio Norte perdeu 103 quilômetros cúbicos de gelo desde seu ponto máximo, medido em 1870. No Campo de Gelo Patagônio Sul, a perda, desde 1650, foi de 503 quilômetros cúbicos.




Os black cabs estão mais moderninhos

04 de abril de 2011 | 0h 00 Luiz Guilherme Gerbelli - O Estado de S.Paulo
Design & Inovação
Não importa o quanto a indústria automobilística evoluiu: os black cabs, como são conhecidos os tradicionais táxis londrinos, parecem os mesmos há cinquenta anos. Uma inovação importante, porém, foi apresentada na semana passada - mas, para alívio dos turistas, não vai estragar a foto de ninguém. A mudança é dentro da carcaça.

A expectativa do governo local é que 20 veículos sejam movidos a hidrogênio até o próximo ano. Isso significa que esses carros não emitirão uma fração de carbono sequer.

Os novos black cabs têm capacidade para operar um dia inteiro sem a necessidade de reabastecimento. Os táxis conseguem atingir uma velocidade máxima de 120 km/h e podem ser abastecidos com hidrogênio em postos exclusivos em um processo que dura apenas cinco minutos.

No primeiro teste realizado, os táxis percorreram os principais pontos turísticos de Londres e tiveram uma aceleração mais suave que os modelos a gasolina.

Clássico e moderno. "Esses carros são um brilhante exemplo da engenharia britânica combinada com um design clássico", afirmou o prefeito de Londres, Boris Johnson.

A pesquisa para desenvolver táxis menos poluentes teve início há três anos. Ao todo, o governo britânico destinou £ 23 milhões para este e outros 15 projetos que visam reduzir a emissão de carbono.

"O preço alto do petróleo e o desejo de limpar o ar nos fizeram escolher a opção mais inteligente", afirmou o secretário de Energia e Mudanças Climáticas, Chris Huhne.




ONGs ambientais alemãs,pedem que governo alemão desista de financiar Angra 3

01 de abril de 2011 | 17h 30
Para especialistas alemães, o projeto da usina está ultrapassado e pode oferecer perigo à população local.

Organizações ambientais pediram ao governo alemão que desista do acordo que prevê um subsídio de 1,3 bilhão de euros (cerca de R$ 3 bilhões) para a construção da usina nuclear de Angra 3, no município de Angra dos Reis (RJ).

A partir dos anos 70, a Alemanha passou a colaborar com o programa nuclear brasileiro. No caso de Angra 3, o país se comprometeu em subsidiar a empresa alemã Siemens, que forneceria equipamentos e insumos para a construção da usina.

Este tipo de subsidio do governo alemão serve para proteger as empresas do país, caso um empreendimento em outro país fracasse. Em 2010, a Alemanha reafirmou seu compromisso com Angra 3, mas nenhum contrato de financiamento nem de fornecimento de materiais chegou a ser assinado.

A ONG ambiental Urgewald e outras dez instituições assinaram uma carta enviada à chanceler Angela Merkel e aos ministros da Economia, das Finanças e das Relações Exteriores do país, pedindo que o país desista da parceria.

Na carta, as organizações argumentam que a situação da usina Angra 2, que funciona há dez anos sem uma licença permanente e que também foi resultado de uma parceria com a Alemanha, comprova que o Brasil é um país com "baixos padrões de segurança e sem uma fiscalização nuclear independente".

Os ambientalistas argumentam também que o projeto de Angra 3, feito nos anos 80, é ultrapassado e apresenta sérios problemas relativos à segurança das pessoas e do ecossistema da região.

A carta chegou às mãos dos ministros antes de um debate sobre a questão no parlamento alemão, na última semana. Após a discussão, o governo disse que voltará a discutir as condições da construção de Angra 3 com o governo brasileiro.

Segurança

A especialista em instituições financeiras da ONG Urgewald, Barbara Happe, disse que a crise nuclear na usina de Fukushima, no Japão, deve fazer com que o governo alemão repense não só sua política nuclear interna, mas também a ajuda aos projetos nucleares de outros países.

"Entre 2001 e 2009, conseguimos que a Alemanha não aprovasse nenhum financiamento na área de energia nuclear. Mas, desde que o governo mudou, usinas da China, do Vietnã, da França e de outros países receberam financiamentos. Nós só ficamos sabendo depois", disse.
Segundo Happe, uma das autoras da carta aos ministros alemães, a verba prevista para a usina de Angra 3 é a maior que todas as que Alemanha concedeu recentemente.

A especialista, que já morou no Brasil e analisou o projeto da nova usina, apontou diversos argumentos contra a construção, como os problemas de segurança do local previsto e a falta de um depósito seguro para os resíduos nucleares. Atualmente, eles são armazenados dentro do próprio complexo nuclear, em frente ao mar.

"Sabemos que aquela região sofre fortes chuvas e está sujeita a deslizamentos. Em casos como estes, a rota principal de fuga, que é a BR-101 (Rio-Santos), geralmente fica interditada", disse Barbara Happe.

"Em caso de acidentes, seria preciso retirar cerca de 170 mil pessoas dali. Sem a rodovia, fica difícil."

As instalações da usina Angra 3 já estão sendo construídas no complexo em Angra dos Reis.
A Eletronuclear, empresa que opera as usinas nucleares brasileiras, anunciou ao longo da última semana uma série de medidas de segurança como a construção de quatro píeres nas imediações de Angra 1, 2 e 3 para aumentar o número de rotas de fuga da região e facilitar a evacuação em navios.

Um porta-voz da empresa anunciou também o plano de contratar uma consultoria para avaliar o risco de deslizamentos nas encostas da BR-101.

Ele disse também que a Eletronuclear estuda a possibilidade de construir uma pequena central hidrelétrica nas bacias dos Rios Mambucaba e Bracuí, para resfriar os reatores das usinas caso os geradores existentes falhem, como ocorreu em Fukushima.

Exemplo japonês

A crise provocada pelo vazamento de radiação da usina nuclear de Fukushima Daiichi, danificada pelo tsunami e terremoto que atingiram no Japão no início do mês de março, fizeram com que diversos países europeus anunciassem mudanças em seus programas nucleares.

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel decidiu voltar atrás em sua decisão de estender a vida útil das usinas do país após protestos populares contra o uso da energia nuclear.

Segundo a agência estatal alemã Deutsche Welle, o ministério da Economia divulgou uma nota em que prometeu consultar o governo brasileiro para saber "em que medida os acontecimentos no Japão terão efeito nos próximos procedimentos e nos padrões a serem utilizados na futura usina".

*Colaboração de Júlia Carneiro, da BBC Brasil no Rio de Janeiro. BBC Brasil - Todos os direitos reservados.

Rio ficará 4,8° C mais quente neste século

07 de abril de 2011 | 0h 00 Andrea Vialli - O Estado de S.Paulo
Segundo estudo, região metropolitana sofrerá com aumento das chuvas e avanço do nível do mar sobre áreas costeiras

A Região Metropolitana do Rio de Janeiro terá um aumento da temperatura média de 4,8º C até o fim deste século. A expectativa é de que a região, além de mais quente, se torne também mais úmida até 2099. As praias poderão perder areia e as zonas costeiras deverão sofrer ainda mais com as inundações.
MARCOS DE PAULA/AE
Deslizamentos podem se tornar mais frequentes
Os dados fazem parte do relatório Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas, que será divulgado hoje, no Rio. Elaborado por um grupo de universidades e institutos, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Unicamp, Fiocruz e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o estudo é o segundo realizado sobre os impactos das mudanças climáticas nas grandes metrópoles brasileiras. O primeiro, lançado em 2010, traçou um cenário de aumento na temperatura de até 3º C na Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo o atual estudo, o clima no Rio já está mudando. "O clima no Rio de Janeiro deverá ficar mais quente até o final do século 21, seguindo o padrão já observado no clima presente", diz o documento. De acordo com o texto, "projeta-se aumento da maior temperatura máxima anual, da ocorrência de dias e noites quentes e da duração das ondas de calor e redução na ocorrência de dias e noites frios."

As maiores temperaturas diárias, que no período de 1961 a 1990 oscilavam em torno de 33,8 ºC, deverão chegar a 38,6 °C até 2099.

A elevação das temperaturas é uma combinação de efeitos relacionados com o aquecimento global, como o aumento no número de eventos climáticos extremos - tempestades, secas - e a elevação dos níveis do oceano. Como a região metropolitana do Rio está localizada em uma zona costeira e é uma área fortemente urbanizada, com formação de ilhas de calor, os efeitos são potencializados.

"São impactos que se combinam de forma sinérgica", diz Paulo Gusmão, professor do Departamento de Geografia da UFRJ e um dos coordenadores do estudo, ao lado do economista Sérgio Besserman.

Veneza. Segundo Gusmão, os dados são um alerta para o poder público, mas não devem ser vistos como uma catástrofe iminente. "Não estamos prevendo que o Rio irá se transformar em uma Veneza", diz. "Mas é importante que as ações de prevenção de desastres e mitigação desses efeitos sejam tomadas de forma conjunta, com a união das prefeituras", diz o pesquisador.

A elevação do nível do mar, outro efeito das mudanças climáticas, poderá transformar a paisagem fluminense. No cenário mais pessimista, o Rio poderá termais de 10% de sua área total atingida pelo avanço das águas.

Enchentes no Paquistão provocam espetáculo de teias de aranha em árvores

06 de abril de 2011 | 6h 21 BBC Brasil


Com alta das águas, milhões de aranhas se abrigaram em locais mais altos; fenômeno teve efeito positivo, com redução de mosquitos da malária

As enchentes que atingiram algumas áreas do Paquistão no ano passado acabaram gerando um efeito inesperado: um espetáculo de teias de aranha em árvores.

Por causa da alta das águas, milhões de aranhas procuraram locais mais altos como abrigo.

Devido à escala das enchentes e ao fato de que o nível da água levou muitos meses para baixar, diversas árvores ficaram completamente envoltas em teias de aranha.

A população desta parte da província de Sindh nunca havia visto este fenômeno antes, segundo relatos feitos ao Departamento para o Desenvolvimento Internacional do governo britânico.

Os moradores das regiões atingidas também afirmam que há menos mosquitos que o esperado.

Acredita-se que os mosquitos tenham ficado presos nas teias, reduzindo o risco de malária, algo que seria positivo para a população local, que enfrentou tantas dificuldades após as enchentes.

Morte de morcegos pode causar prejuízos econômicos e ambientais

02 de abril de 2011 | 0h 00 Alexandre Gonçalves - O Estado de S.Paulo
Redução no número de animais aumenta população de insetos e provoca danos ecológicos; agricultura dos EUA perde US$ 3,7 bi anuais

A morte de morcegos pode trazer um prejuízo anual de US$ 3,7 bilhões para a agricultura americana por gastos com pesticida e queda de produtividade. Atualmente, as populações do animal sofrem um grave declínio nos EUA. Os autores do estudo publicado na Science afirmam que as conclusões servem de alerta para outros países, entre eles o Brasil.

Cerca de 1 milhão de morcegos americanos morreram nos últimos anos (mais informações nesta página). Com isso, até 1,3 mil toneladas de insetos deixaram de ser devoradas anualmente, ameaçando cultivos e florestas. "Sem dúvida, morcegos insetívoros também desempenham um papel importante no controle de pragas no Brasil", afirma o autor do artigo, Justin Boyles, da Universidade de Pretória, na África do Sul.

Os pesquisadores Susi Pacheco, do Instituto Sauver, em Porto Alegre, e Carlos Esbérard, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), realizaram um cálculo semelhante ao dos americanos. "Cerca de 500 morcegos insetívoros, cada um pesando 10 gramas, consumiriam 6 toneladas de insetos por ano", pondera Susi.

"Além disso, como há uma grande diversidade de morcegos no Brasil, eles realizam outros serviços importantes para a regeneração de florestas: polinização e dispersão de sementes", pondera Boyles.

O brasileiro Marco Mello, pós-doutorando da Universidade de Ulm, na Alemanha, publicou há um mês um artigo na PLoS One sobre as interações entre plantas frutíferas e morcegos no Brasil. Eles constituem o segundo grupo dispersor de sementes mais importante. Perdem apenas para as aves.

Mello mostrou que as redes de interação com plantas que envolvem morcegos são mais sensíveis à extinção de uma espécie que as que envolvem aves: o desaparecimento de um elo da rede causa um impacto maior na saúde do ecossistema. Outros estudos apontam que os morcegos costumam cuidar da dispersão das sementes de plantas pioneiras - aquelas que iniciam um processo de reflorestamento. As aves seriam responsáveis principalmente pelas árvores mais tardias. Ou seja, em áreas degradadas ou fragmentadas, os morcegos desempenhariam um papel importante.

Lacunas. Apesar de estudos como o de Mello, os especialistas são unânimes ao afirmar que ainda conhecemos pouco sobre os mamíferos voadores no Brasil.

Para Ludmilla Aguiar, da Universidade de Brasília (UnB), faltam estudos para entender o serviço prestado por morcegos nos diversos ecossistemas do País. "A gente mal sabe que tipo de insetos eles comem", afirma Ludmilla. "O Cerrado, bioma com maior número de áreas agrícolas, tem muitos morcegos insetívoros. Precisamos estudar seu comportamento." Ela participa de um projeto de pesquisa que relaciona a ocorrência de morcegos no Cerrado - por meio do som dos animais - à presença de pragas. "Dados preliminares mostram que há relação: com certeza, eles se alimentam desses insetos", afirma Ludmilla.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo de Quirópteros (Sbeq), Ricardo Moratelli, sublinha a necessidade de mais taxonomistas - profissionais especializados na classificação de espécies - para realizar inventários da fauna de morcegos. "Sem isso, não dá para dizer quando uma espécie está ameaçada", explica Moratelli, pesquisador da Fiocruz, no Rio. Ele também reclama da falta de editais de financiamento para promover um conhecimento mais aprofundado das espécies, não restrito a simples inventários.

Por enquanto, apenas uma espécie - o morceguinho-do-cerrado - mereceu um plano especial de manejo do Ministério do Meio Ambiente. O diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, explica que o morceguinho-do-cerrado, uma espécie que se alimenta de néctar, possui uma distribuição relativamente restrita no território nacional. "Espécies assim são mais vulneráveis que aquelas menos especializadas, encontradas em mais lugares."

Bráulio afirma que, a pedido do ministério, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está se reunindo com especialistas para atualizar a avaliação do estado de conservação das espécies da fauna brasileira. Possivelmente, até o fim do ano, haverá uma nova lista de morcegos ameaçados.

Ao Estado, Thomas Kunz, coautor do estudo na Science, sublinhou a importância de aumentar as "informações empíricas" sobre os morcegos brasileiros para aprimorar políticas de conservação.

Iniciativas. Para promover a consciência da importância ambiental dos morcegos, as Nações Unidas declararam 2011 o ano desses animais.

Em 2007, constituiu-se a Rede Latino-Americana para a Conservação dos Morcegos (Relcom), com pesquisadores de diversos países. Em agosto, a rede divulgou um documento intitulado Estratégia para a Conservação, com metas e objetivos para os próximos anos. Um dos pontos do documento é o combate ao preconceito.

"As pessoas associam automaticamente o morcego à raiva", afirma Wilson Uieda, da Unesp de Botucatu. "Não é correto: não há motivo para pânico." Ele sublinha que, das mais de 170 espécies de morcego do País, 3 se alimentam de sangue e só 1 prefere mamíferos. "É necessário ensinar às pessoas a importância desses animais", pondera o cientista.

Conceito aplica a compostagem para resíduos orgânicos de grandes cidades

Por Gisele Eberspächer às 16h25 de 06/04/2011

Conceito aplica a compostagem para resíduos orgânicos de grandes cidades. Processo seria organizado pela prefeitura ou empresa responsável e conta com a participação dos moradores.
Para melhorar a gestão do lixo urbano, o designer Azema Mathieu desenvolveu um conceito de cidade de compostagem. Com ajuda de caixotes, os próprios moradores da cidade participariam do processo de reutilização dos resíduos orgânicos.

Modelo dos pontos de coleta dos materiais orgânicos para compostagem.
Os compartimentos estariam localizados em praças e outros locais públicos.

Para realizar a compostagem, basta que o usuário separe o lixo de maneira correta e deposite nos tambores.

Com um sistema giratório, a pessoa não entra em contato direto com o material orgânico para misturar os resíduos.

O controle e reutilização dos compostos orgânicos seria responsabilidade da prefeitura ou da empresa contratada, sendo que a terra adubada seria usada em espaços públicos.