quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Planeta semelhante à Terra pode ter nuvens e água na atmosfera

01 de dezembro de 2010 | - estadão.com.br

Descoberta permite descartar hipótese de 'superterra' ser na verdade uma miniatura de Netuno
O planeta GJ 1214b, que tem menos de três vezes o raio da Terra e cerca de sete vezes a massa de nosso planeta, não apresenta sinais de hidrogênio em sua atmosfera, de acordo com análise publicada na edição desta semana da revista Nature. GJ 1214b passa periodicamente pela linha de visão entre sua estrela e nós, e cientistas tentaram determinar a composição de sua atmosfera analisando a forma como a luz estelar é filtrada pelos gases durante esses trânsitos.
Divulgação/ESOIlustração mostra a luz de estrela filtrando-se pela atmosfera de planeta distante Veja também:

Astrônomos anunciam descoberta de planeta 'imigrante' vindo de outra galáxia

A ausência de sinal do gás hidrogênio na luz que chega à Terra sugere, de acordo com pesquisadores, que a atmosfera do planeta ou é excessivamente densa - o que indicaria um forte componente de vapor d'água - ou é dominada por nuvens e neblina.

Quando o raio e a massa do planeta, localizado a 40 anos-luz, foram determinados em 2009, cientistas imaginaram três cenários que poderiam descrever as características de GJ 1214b: um planeta envolto num envelope de vapor d´'água; um planeta semelhante a Netuno, com um pequeno núcleo rochoso encoberto por uma imensa atmosfera de hidrogênio; e um planeta rochoso com uma atmosfera contendo hidrogênio e também outras moléculas, que formariam nuvens e neblina.

A nova descoberta, dizem seus autores, permite eliminar a hipótese "Netuno". A atmosfera do planeta deve ou ser abundante em vapor, ou dominada por nuvens como Vênus ou Titã, no nosso Sistema Solar.

"Embora ainda não possamos dizer exatamente de que a atmosfera é feita, trata-se de um passo adiante poder reduzir as opções a vapor ou neblina", disse um dos autores da descoberta, Jacob Bean, do Instituto de Astrofísica Harvard-Smithsonian.

Até agora, já foram descobertos mais de 500 planetas fora do Sistema Solar.

Lula diz que COP 16 não vai dar em nada

01 de dezembro de 2010 | 19h 35 | Efe

Ele afirmou, depois de adiar sua viagem para Cancún, que nenhum grande líder estará na Conferência do Clima

O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, participou hoje de um ato em que foram anunciadas novas reduções da taxa de desmatamento da Amazônia. Na ocasião, ele afirmou que a Conferência do Clima, que acontece em Cancún, no México, "acabará em nada". Lula, que chegou a anunciar sua presença em Cancún, adiou a viagem de última hora.

Segundo Lula, o mundo não pode ter expectativas frente à COP 16. Ele assegurou que a reunião terminará sem acordos, como ocorreu no ano passado em Copanhague.

"Nenhum grande líder vai a Cancún. Irão apenas ministros do Meio Ambiente. Por isso, não se deve esperar nenhum avanço", disse o presidente brasileiro.

Lula reiterou sua decepção com a conferência realizada no ano passado em Copenhague -onde, segundo ele, os líderes reunidos tinham tudo para chegar a um acordo fantástico - que em sua opinião naufragou por conta da posição de países mais desenvolvidos, como os EUA.

Ele também insistiu no fato de que as ofertas de redução de emissões de gases causadores do efeito estufa apresentadas pelas nações mais ricas eram irrisórias, acompanhadas de "planos muito nebulosos" para financiar ações de proteção ao meio ambiente em nações mais pobres.

Lula, que será representado por sua ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, declarou que "O Brasil está cumprindo seu dever" e reitera os comprimissos assumidos em Copenhague, de redução de emissões da ordem de 36% a 38% até 2020.

Países acusam Japão de ameaçar negociações climáticas

01 de dezembro de 2010 | 19h 50 | ALISTER DOYLE E GERARD WYNN - REUTERS

Países em desenvolvimento acusaram na quarta-feira o Japão de renegar suas promessas de levar a luta contra o aquecimento global para além de 2012, e disseram que as atuais negociações no México irão fracassar se Tóquio não recuar.

O Japão é um dos quase 40 países ricos que são obrigados pelo Protocolo de Kyoto a reduzirem suas emissões de gases do efeito estufa até 2012. O país diz que não aceitará prorrogar as medidas depois disso se países como China e Estados Unidos, os maiores emissores globais, não aderirem ao esquema.

"Temo que, sem concessões a respeito do Protocolo de Kyoto, um acordo em Cancún não irá decolar", disse o iemenita Abdulla Alsaidi, atual presidente do grupo chamado G77 + China, que reúne países em desenvolvimento.

Ele afirmou esperar que a União Europeia, principal apoiadora do Protocolo de Kyoto ao lado do Japão, convença Tóquio a abrandar sua posição no encontro. Quase 200 países estão tentando aprovar um pacote de medidas que contribua para evitar os piores efeitos das mudanças climáticas.

O Protocolo de Kyoto expira em 2012, e depois da reunião de Cancún haverá pouco tempo para aprovar um substituto para ele.

"O Japão não está tentando matar Kyoto, mas (o tratado) deveria renascer como um só tratado de cumprimento obrigatório, mais efetivo", disse Akira Yamada, alto funcionário da chancelaria japonesa.

A União Europeia e outros participantes do Protocolo de Kyoto também esperam que EUA, China e outras nações adiram ao tratado depois de 2012, mas têm sido menos estridentes a respeito disso.

Segundo Yamada, o Japão acredita que o Protocolo de Kyoto está ultrapassado, pois abrange apenas 27 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa. Quando foi adotado, em 1997, ele abrangia 56 por cento das emissões - o que incluía as emissões dos EUA, que não ratificaram o tratado.

O Japão, segundo Yamada, gostaria de avançar sobre as metas facultativas adotadas na conferência climática de 2009 em Copenhague, as quais incluem promessas de 140 países sobre cortes nas suas emissões. Ele disse, no entanto, que seu país jamais aceitará subscrever novos compromissos em adendos ao Protocolo de Kyoto.

ONGs presentes à conferência concederam ao Japão na terça-feira o "prêmio" chamado Fóssil do Dia, por ter sido o país que mais atrapalhou os avanços das discussões.

Ao contrário da conferência de Copenhague, em que havia grandes esperanças sobre a adoção de um novo tratado global de cumprimento obrigatório, as expectativas para Cancún são mais modestas - basicamente, a criação de um "fundo verde" para ajudar na adaptação climática e proteção florestal de países em desenvolvimento.

Yamada disse que os países em desenvolvimento têm muito a ganhar com um acordo em Cancún. Ele lembrou que o Japão já prometeu 15 bilhões de dólares para a ajuda climática às nações em desenvolvimento para o período 2010-12.

Comitiva mexicana diz que meta proposta pelos EUA é ‘modesta’

01 de dezembro de 2010 | 20h 17 | AP

Obama defende redução de 17% nas emissões de gases estufa até 2020, em comparação com níveis de 2005
A nação anfitriã da conferência das Nações Unidas sobre o clima, o México, qualificou nesta quarta-feira como "modesto" o compromisso doa EUA para reduzir as emissões de gases estufa. Entretanto, os representantes mexicanos elogiam as propostas não-vinculativas formuladas por Índia e China.

EUA e China sinalizam disposição para chegar a acordo climático

O presidente americano Barack Obama prometeu reduzir as emissões dos Estados Unidos em 17% para 2020, em comparação com os níveis de 2005.

Luis Alfonso de Alba, diplomata mexicano enviado a Cancún, disse que este nível de ambição, "que eu considero todavia modesto", provavelmente não será melhorado depois da vitória republicana na Câmara dos Deputados americana.

"Creio que, como todos vocês sabem, o presidente Obama tem a disposição de progredir nesta questão, mas as condições internas não estão necessariamente favoráveis, particularmente devido às eleições legislativas", comentou Alba.

Muitos republicanos rechaçam as evidências científicas do aquecimento global e, nos últimos dois anos, combateram a legislação energética patrocinada pelos democratas.

Os EUA insistem que só aceitarão limites obrigatórios para a redução de emissões se o mesmo for aplicado para a China. O país asiático, que é atualmente o maior emissor do mundo, porém o maior financiador em energias renováveis, rejeita a condição, alegando que ainda precisa combater a pobreza generalizada e não tem responsabilidade histórica pelo problema.

Entretanto, a China prometeu conter o crescimento das suas emissões, com aumento no índice de redução de carbono de 40% a 45% para 2020 com base nos dados de 2005. A Índia, outra grande economia emergente, ofereceu um aumento de 20 para 25%. "China e Índia apresentaram metas ambiciosas", elogiou Alba.

Na COP-16 de Cancún, os negociadores esperam formalizar os compromissos voluntários de emissões formulados no ano passado no Acordo de Copenhague, documento não-obrigatório que não foi adotado formalmente na COP sediada na capital dinamarquesa.

As disputas, porém, seguem impedindo um acordo climático mundial obrigatório. Na melhor das hipóteses, crê-se que os delegados possam concordar em um punhado de decisõs secundárias.

Em seu último informe detalhado, divulgado em 2007, o Painel Intergovernamental sobre Câmbio Climático (IPCC, na sigla em inglês) das Nações Unidas recomendou que as emissões globais de gases estufa fossem reduzidas de 25% a 40% para 2020, em comparação com os níveis de 1990, com a finalidade de impedir que a temperatura global suba mais do que 2ºC acima dos níveis pré-industriais.

O diretor do IPCC, Rajendra Pachauri, disse na terça-feira que os governos mundiais precisam gastar mais em investigações avançadas para determinar quanto e quão rapidamente o planeta vai ficar mais quente nas próximas décadas.

"Existem grandes brechas no esforço de investigação científica", disse Pachauri, que coloca em questão as preocupações relacionadas ao derretimento das geleiras eternas do Ártico, que pode liberar poderosos gases com efeito de aquecimento, por exemplo.

"O que se faz hoje, certamente, está longe de ser adequado", defendeu.

Brasil está frustrado com negociações do clima

01 de dezembro de 2010 | 23h 40 | Afra Balazina, Enviada especial
* A repórter viajou a convite da Convenção do Clima da ONU

Principal negociador brasileiro na COP-16 disse que o País apresentou grandes resultados, porém, os outros países não tem mostrado o mesmo comprometimento
CANCÚN - O Brasil está frustrado com as negociações climáticas e a falta de engajamento de outros países para agir contra o aquecimento global. A afirmação é de Luiz Alberto Figueiredo Machado, principal negociador brasileiro na Conferência do Clima da ONU (COP-16), em Cancún.

Segundo ele, o País anunciou grandes resultados - como ter atingido a menor taxa de desmatamento da Amazônia desde 1998 - enquanto outros países não têm demonstrado o mesmo comprometimento. "Estamos fazendo o que nos comprometemos, mais rápido do que prometemos", afirmou ele.

Questionado sobre que países o embaixador se referia, ele preferiu não dar nomes. "Eu raramente falo de países especificamente se não tenho algo bom para falar." E ressaltou que o que se vê em Cancún é parecido com o que ocorria em Copenhague no ano passado, durante a COP-15: uma espécie de jogo em que um país não faz nada até que outro faça. O que gera um impasse.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, ao apresentar os números do desmatamento, que a COP-16 "não vai dar em nada" e que o evento não teria presenças importantes.

Metas obrigatórias. O embaixador disse que ainda não é o momento para os países em desenvolvimento, como o Brasil, adotarem metas obrigatórias de corte de emissões de gases-estufa. Por enquanto, o País tem ações voluntárias. Porém, ele admite que no futuro todos os países precisarão ter metas obrigatórias para resolver o problema das mudanças climáticas.

Segundo ele, progressivamente os países em desenvolvimento terão mais responsabilidades, mas isso não pode ocorrer "de um dia para outro". Hoje, ainda se avalia que os países industrializados precisam agir mais, por serem os que mais emitiram gases-estufa historicamente.

Índia propõe esquema para auditoria climática

02 de dezembro de 2010 | 8h 44 KRITTIVAS MUKHERJEE - REUTERS

Uma proposta da Índia sobre como os países ricos e pobres devem prestar contas das suas ações climáticas pode ajudar a convencer os Estados Unidos a embarcarem num acordo amplo sobre o tema, disse nesta quinta-feira o ministro indiano do Meio Ambiente, Jairam Ramesh.
Tal prestação de contas, conhecida pela sigla MRV (de "mensuração, reporte e verificação"), é um dos maiores empecilhos nas negociações climáticas da ONU que ocorrem de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún, no México.

A Índia propõe que todos os países que contribuem com mais de 1 por cento das emissões mundiais de gases do efeito estufa sejam obrigados a informar suas medidas à ONU a cada três anos. Os demais poderiam fazer o informe a cada seis anos.

Por essa proposta, as ações dos países em desenvolvimento seriam voluntárias, e não haveria punição pelo descumprimento de metas domésticas.

De acordo com o Protocolo de Kyoto, que vigora até 2012, só os países desenvolvidos têm obrigação de reduzir suas emissões de gases do efeito estufa. Mas os países desenvolvidos - incluindo os EUA, que não ratificaram o Protocolo de Kyoto - querem que no futuro as grandes economias emergentes também tenham obrigações desse tipo.

Os países emergentes, por sua vez, dizem que aceitariam um mecanismo de "consulta e análise internacional" (ICA, na sigla em inglês), mas sem se submeterem aos mesmos padrões esperados das economias desenvolvidas.

Os emergentes alegam que os países ricos foram os que mais se beneficiaram economicamente das emissões nos últimos dois séculos, e que não seria justo que as nações em desenvolvimento tenham de fazer cortes quando precisam tirar milhões de pessoas da pobreza.

Ramesh disse à Reuters que a proposta indiana pode ser crucial para trazer os EUA para o processo.

"Sem o ICA, os Estados Unidos não embarcarão, e precisamos fazer os EUA embarcarem", disse ele em entrevista. "É uma proposta política, não uma proposta de negociação. Ela basicamente se destina a romper o impasse (...), porque sem algum progresso na questão do MRV/ICA os EUA não irão embarcar."

O ministro disse que qualquer progresso na questão da prestação de contas climáticas também depende de "algum toma lá, dá cá" por parte dos Estados Unidos, principalmente no compartilhamento de tecnologias limpas, e dos europeus, comprometendo-se com novos cortes de emissões para uma eventual segunda fase do Protocolo de Kyoto.

ONU defende adoção mundial de lâmpadas de baixo consumo

02 de dezembro de 2010 | 9h 29 ALISTER DOYLE - REUTERS

A ONU conclamou o mundo na quarta-feira a trocar as lâmpadas incandescentes pela iluminação fluorescente, com menor consumo energético, o que pode representar uma economia de bilhões de dólares e uma medida eficaz para mitigar a mudança climática.

Cerca de 40 países já têm programas nesse sentido, disse o Programa Ambiental da ONU em um relatório emitido durante a conferência climática da ONU, que está sendo realizada em Cancún.

A geração da eletricidade para a iluminação, muitas vezes pela queima de combustíveis fósseis, representa mais de 8 por cento das emissões globais de gases do efeito estufa, afirma o estudo.

A adoção de lâmpadas mais eficientes poderia reduzir em 2 por cento a demanda por eletricidade para a iluminação.

O estudo foi patrocinado pelo Programa Ambiental da ONU e pelas empresas Osram e Philips, que fabricam lâmpadas.

O texto diz que o Brasil, por exemplo, seria um dos maiores beneficiados, com uma economia de 2 bilhões de dólares por ano.

Já a Indonésia, poderia economizar 1 bilhão de dólares por ano e cortar 8 milhões de toneladas nas emissões de gases do efeito estufa, o equivalente a tirar 2 milhões de carros das estradas.

Lagos do planeta ficaram 2°C mais quentes em 25 anos, segundo a Nasa

24 de novembro de 2010 | 15h 57 Efe Afal Mielnik/Reuters

Aumento da temperatura nesses locais é duas vezes mais rápido que o da atmosfera global
Lagos do Hemisfério Norte tiveram o maior aquecimento

WASHINGTON - Os lagos de todo o mundo ficaram, em média, 2ºC mais quentes desde 1985o que representa aumento de temperatura duas vezes mais rápido que o da atmosfera global, segundo um estudo da Nasa.
A agência espacial americana chegou a essa conclusão após medir a temperatura superficial da água em 167 lagos pelo mundo, por meio da tecnologia de satélite de seu Laboratório de Propulsão a Jato.
O estudo, publicado nesta quarta-feira, 24, na revista Geophysical Research Letters, revela que os lagos se aqueceram em média 0,45ºC por década, e alguns chegaram ao ritmo de 1ºC em dez anos.
Os que registraram os maiores aumentos de temperatura são os do Hemisfério Norte, especialmente os situados em latitudes médias e altas.

O lago que mais se aqueceu foi o Ladoga, na Rússia, cuja temperatura aumentou 4ºC desde 1985, seguido pelo Tahoe, entre os Estados da Califórnia e de Nevada (EUA), que subiu 3ºC no mesmo período, de acordo com o coautor da pesquisa, Simon Hook.

Por zonas, o norte da Europa é onde se registra um aquecimento mais consistente, enquanto no sudeste do continente, na região dos mares Negro e Cáspio, as temperaturas da água aumentam de forma mais suave.
Ao leste do Cazaquistão, na Sibéria, Mongólia e no norte da China, a tendência de reaquecimento volta a se fortalecer, segundo indica o levantamento.

Na América do Norte, os lagos que mais se aquecem são os do sudoeste dos Estados Unidos, a um ritmo ligeiramente superior ao dos Grandes Lagos do norte. O aumento de temperatura é muito menor nos trópicos e no Hemisfério Sul, especialmente nas latitudes médias.
Para avaliar a temperatura, os cientistas da Nasa usaram uma tecnologia de raios infravermelhos da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos EUA (NOAA, na sigla em inglês) e da Agência Espacial Europeia (ESA).

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Espécie de grilo tem maior testículo do reino animal

Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 11/11/2010 15:26
Richard Richards, University of Derby

A espécie tem os maiores testículos já registrados no mundo animal

Cientistas descobriram uma espécie de grilo cujos testículos correspondem a 14% de seu peso, a maior porcentagem já registrada no reino animal.

O estudo sobre as técnicas de procriação da espécie foi divulgado na publicação científica Biology Letters.

Os grilos em questão são da espécie Platycleis affinis.

Pesquisas anteriores sugerem que, quanto mais parceiras um macho tem, é provável que seus testículos sejam maiores em relação aos de outros membros de sua espécie.

É comum supor-se em meios científicos que testículos grandes produziriam grandes quantidades de esperma para aumentar as chances de fertilização.
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ONG de defesa de índios alerta contra expedição britânica ao Paraguai

Por BBC, BBC Brasil Atualizado: 12/11/2010 6:12
"Tribo Ayoreo (foto: GAT/Survival International)"
Alguns indígenas do povo Ayoreo nunca tiveram contato com o exterior

Uma entidade paraguaia de proteção a índios está lançando um alerta contra uma expedição de cientistas britânicos a uma região remota do Paraguai.

Segundo a entidade, a expedição ameaça as vidas de tribos indígenas isoladas.

Os cientistas, do Natural History Museum (NHM), em Londres, querem estudar a biodiversidade na região do Chaco Seco.

Em uma carta aberta ao NHM, a ONG Iniciativa Amotocodie (IA), expôs o dilema: como equilibrar as necessidades de pesquisa e os riscos de perturbar as comunidades indígenas.

A IA diz que a viagem deveria ser cancelada.

Mas o museu, que nesse projeto trabalha em parceria com colegas paraguaios, disse estar tomando medidas para assegurar que a expedição não ameace as tribos.

Em uma declaração divulgada para a imprensa, o museu disse: 'Sempre pedimos conselhos sobre essas questões às autoridades nacionais relevantes, como estamos fazendo no Paraguai'.

Povo Ayoreo

O Chaco Seco, uma região semi-árida, de baixa altitude, se estende pela Argentina, Bolívia e Brasil. É uma das poucas regiões onde ainda há grupos isolados do povo Ayoreo que nunca tiveram contato com o mundo exterior.

A equipe de biólogos e botânicos britânicos e paraguaios espera encontrar no local espécies nunca identificadas de plantas, insetos e animais.

Eles esperam que a expedição ajude a chamar a atenção para a necessidade de proteção do habitat do Chaco, ameaçado pela expansão das atividades madeireiras e de agricultura intensiva.

Mas Benno Glauser, diretor da Iniciativa Amotocodie, disse à BBC que qualquer contato com as tribos poderia ter 'consequências fatais'.

Ele disse que havia riscos de um 'contato surpresa', porque os cientistas tinham de 'se mover pela região de maneira muito silenciosa para poder observar os animais'.

'Sabemos de três grupos indígenas isolados na área alvo da expedição', disse Glauser.

'Eles vivem em florestas completamente virgens (...) isto os torna vulneráveis a qualquer intrusão.'

A carta ressalta os riscos associados à pesquisa em regiões tão remotas.

Já o chefe de ciências do NHM, Richard Lane, disse à BBC: 'Ponderamos a expedição inteira desde o início'.

'Buscamos conselhos dos nossos guias no local para assegurar que não haverá contatos inapropriados'.

A equipe também está trabalhando em conjunto com representantes do povo Ayoreo na Unión de Nativos Ayoreo de Paraguay (Unap).

'Recentemente, nossos colaboradores contataram um representante mais velho do povo Ayoreo, que se voluntariou para guiar nossa equipe na floresta', acrescentou Lane.

Survival International

A entidade de defesa dos povos da floresta Survival International também entrou no debate.

O diretor da entidade, Jonathan Mazower, disse que as tribos com frequência pensam que as pessoas de fora são hostis, e qualquer encontro inesperado pode ser violento.

Mas ele não sugeriu que a expedição seja abandonada. Ele acha que a viagem deveria ser transferida para uma outra área do Chaco.

É 'uma área vasta, mas a expedição planeja ir até uma área que, apesar de ser muito remota, é tida como a terra ancestral da tribo Ayoreo', ele disse à BBC.

Calcula-se que existam hoje cerca de 5 mil índios Ayoreo. A Survival International estima que apenas 200 não tenham sido contatados.

Mazower disse que esses povos estão 'em fuga permanente' de criadores de gado que estão desmatando a área.

'No passado, quando foram contatados, houve encontros violentos', ele disse.

'E eles são nômades, então é impossível saber onde estão num determinado momento'.

Muitos dos Ayoreo que se mudaram para fora da floresta voluntariamente sofreram problemas de saúde, particularmente, problemas respiratórios, incluindo a tuberculose.

Por estarem isolados, não têm imunidade contra esse tipo de infecção.

Lane, do NHM, disse que o museu e seus parceiros na expedição não tinham interesse em contatar tribos isoladas durante a viagem.

'Estamos indo a regiões protegidas porque muitas áreas de floresta do Chaco já foram cortadas, então não são de interesse para uma expedição científica', ele disse.

O museu planeja ir em frente com a expedição e espera que ela ajude 'governos e grupos de preservação a entender melhor como administrar habitats frágeis e protegê-los para as gerações futuras'.

Hipopótamo salva-vidas resgata filhotes em rio


Turistas em um safári na África ficaram boquiabertos ao testemunhar um hipopótamo resgatando outros animais durante a travessia de um rio infestado de crocodilos





Os visitantes tinham ido ver a migração de um grupo com milhares de gnus, que viaja entre o Quênia e a Tanzânia em busca de novos pastos.

Durante a dramática travessia do rio Mara, uma mãe gnu foi separada de seu filho, que foi levado pela correnteza. Um hipopótamo fêmea que observava tudo perto dali foi em direção ao bebê gnu e o empurrou gentilmente até à margem.

Apenas dez minutos depois, o mesmo hipopótamo viu uma pequena zebra lutando para cruzar o rio e, novamente, a ajudou a atravessar a forte torrente.

'Episódio raro'

Os hipopótamos não são geralmente descritos como agressivos, a não ser quando acham que seu território está sob ameaça.

"Esta situação em particular é muito rara, mas essa parte do rio Mara é conhecida pela ocorrência de episódios incomuns, já que é ali que os gnus cruzam o rio cheio de crocodilos", disse o vice-presidente do Clique Santuário Olonana, David Spooner.

"No início, nosso guia Abdul Karim e os hóspedes acharam que o hipopótamo iria atacar, mas aí eles perceberam que eram os instintos maternos surgindo no hipopótamo fêmea quando ele viu o bebê gnu e o perigo representado pelos crocodilos", conta Spooner.

"O amor maternal é tão forte que pode até ultrapassar a barreira da espécie", disse o guia Abdul Karim.

Guias do Clique Lemala Camps também registraram o episódio e descreveram os resgates realizados pelo hipopótamo como "milagrosos" em seu website.
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Brasil fez 'maior' cobertura da conferência do clima em Copenhague

Por BBC, BBC Brasil, Atualizado: 15/11/2010 15:07
Brasil fez 'maior' cobertura da conferência do clima em Copenhague, diz estudo
Países em desenvolvimento, os mais afetados pelo fenômeno, levaram 600 jornalistas à reunião

O Brasil foi o país que publicou o maior volume de notícias sobre a conferência sobre das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague, no ano passado, de acordo com um estudo britânico divulgado nesta segunda-feira.

A pesquisa, da Fundação Reuters de Jornalismo e da universidade de Oxford, concluiu que dos 427 artigos publicados nos 12 países estudados, 88 saíram na imprensa brasileira. Em segundo, está a Índia, com 76 notícias, seguida por Austrália (40), Grã-Bretanha (39) e Itália (37).

O relatório confirma ainda que o Brasil levou a maior delegação oficial entre os 119 países que participaram, com 572 pessoas, seguida pelo país-sede, Dinamarca (527), China (333), Estados Unidos (274) e Grã-Bretanha (211).

Entre os órgãos de imprensa que cobriram o evento, as organizações Globo levaram 15 dos cem representantes brasileiros.

O grande interesse da imprensa brasileira elevou para 5% a participação da América Latina entre os jornalistas registrados para a conferência, segundo o estudo.

Em 2007, quando o encontro aconteceu em Bali, esta porcentagem foi de 1%, subindo para 3% no ano seguinte, em Poznan, na Polônia.

'Maior evento'

Já o número de jornalistas brasileiros subiu de 14, em Bali, para cem em Copenhague. Entre os motivos para o grande interesse da imprensa brasileira no tema, o estudo cita:

'Muitos dos principais jornais e revistas do Brasil, inclusive especializados em economia, têm repórteres especializados em ciência ou meio ambiente. A TV Globo, conhecida como uma das maiores empresas privadas de mídia do mundo, que domina o cenário doméstico, frequentemente cobre o assunto.'

A conferência foi considerada o evento não-esportivo que mais atraiu jornalistas até hoje, com cerca de 4 mil registrados. A grande maioria (85%), de países desenvolvidos.

Países em desenvolvimento levaram quase 600 jornalistas à capital da Dinamarca.

Por outro lado, os países que menos espaço dedicaram à histórica reunião sobre mudança climática foram Nigéria, Rússia e Egito.

'Desafio maior'

O levantamento inédito foi realizado pelo estudioso James Painter, que analisou a cobertura sobre Copenhague e entrevistou cientistas e jornalistas.

Ele concluiu que, apesar da intensa cobertura sobre o evento, os aspectos científicos do tema mudança climática foram pouco explorados.

'Levar a ciência à mídia vai permanecer um desafio ainda maior em tempos em que audiências e editores em vários países sofrem de fadiga climática', afirmou Painter.

Para ele, é preciso maior discussão entre cientistas, jornalistas e legisladores para que o assunto se mantenha em pauta.

O estudo se concentrou na imprensa de 12 países: Austrália, Brasil, China, Egito, Índia, Itália, México, Nigéria, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e Vietnam.

No Brasil, foram examinadas notícias publicadas nos sites e jornais Folha de S. Paulo e Super Notícia.

sábado, 13 de novembro de 2010

Nas sociedades indígenas da Amazônia, crianças tinham uma mãe e muitos pais

12 de novembro de 2010 | 16h 17 - EFE

Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, num sistema onde havia muitas guerras
A paternidade múltipla, baseada na crença de que vários homens podiam contribuir para a concepção de uma criança, foi a técnica mais usada nas sociedades indígenas da Amazônia, segundo um estudo da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos.

Os autores do artigo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences, estimam que até 70% das comunidades do amazônicas usavam o princípio da paternidade múltipla.

"A concepção era vista como um processo gradual no qual se somavam contribuições de esperma de vários homens", descreveu o estudo realizado no Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia, Peru, Equador, Venezuela, Colômbia e Guianas.

Conforme a pesquisa, o modelo trazia vantagens para a mulher, por se acreditar que "pais secundários" contribuíam geneticamente, e por garantir que seus filhos sempre teriam pelo menos um pai, numa sociedade que frequentemente estava em guerra.

O estudo esclareceu que os pais "secundários" costumavam ser parentes ou amigos do companheiro oficial.

"Este costume começou há 5 mil anos e se manteve na maioria das sociedades da região até as últimas duas gerações, provavelmente ainda exista em 20 ou 30 comunidades", explicou um dos autores, o antropólogo Robert Walker à Agência Efe.

A técnica é rara dentre as antigas civilizações, com registros de casos isolados na Índia e na Papua-Nova Guiné.

Veneza quer que população evite água em garrafa plástica

12 de novembro de 2010 | 12h 45 O Estado de S. Paulo

Veneza, na Itália, está numa longa campanha para que as pessoas bebam a “água do prefeito”, como é carinhosamente apelidada a água da torneira.

Em cidade com tantos canais, a remoção de lixo pontes e escadas é uma tarefa monumental, e coletar montanhas de garrafas plásticas é uma grande parte do trabalho. O governo também diz que beber água da torneira é uma forma de reduzir os impactos ambientais da cidade.

A noção de água potável em Veneza, cujos canais são conhecidos tanto por sua beleza quanto por sua imundície, pode soar estranha. Porém, como a maior parte das cidades italianas, Veneza obtém água de fontes naturais.

A campanha já deu resultado. Na segunda metade de 2008, a cidade coletou 260 toneladas de lixo plástico. No mesmo período de 2009, a quantidade caiu para 237 toneladas.

“Tentamos fazer as pessoas entenderem que nossa água é boa, além de ser mais sustentável. Mas não falamos ‘nunca beba água engarrafada’”, disse Riccardo Seccarello, da agência que gerencia o fornecimento de água. 194 litros é o que cada italiano toma de água engarrafada por ano

Greenpeace protesta contra a sobrepesca do atum-azul na França

12 de novembro de 2010 | 13h 25 O Estado de S. Paulo

Ativistas do Greenpeace bloquearam a entrada do Ministério da Agricultura e Pesca da França esta semana. O grupo protesta contra a posição do governo francês em relação à pesca do atum-azul, espécie muito apreciada na culinária, mas que está ameaçada pela sobrepesca. O ministro da Agricultura, Bruno Le Maire, defende a cota de pesca de 13,5 mil toneladas/ano do atum-azul.


GONZALO FUENTES/REUTERSO carro do Greenpeace utilizado para o bloqueio, com um atum inflável e a frase "Salve-me"Veja também:

Sob risco de colapso: 70% das espécies comerciais pesqueiras estão com estoques baixos no mundo

Os ambientalistas afirmam que a sobrepesca do atum-azul faz suas populações despencarem no Mediterrâneo e a leste do Atlântico. A Comissão Internacional para a Conservação do Atum no Atlântico, que regula o comércio da espécie, vai se reunir em Paris de 17 a 27 de Novembro.

A acusação do Greenpeace é de que o governo francês coloca os interesses comerciais acima da proteção da espécie.

Em março, o Japão e outros países asiáticos impediram os esforços nas Nações Unidas para declarar o peixe uma espécie ameaçada, o que teria efetivamente banido o comércio internacional de atum-azul, que é a espécie de atum utilizada em sushis.

Produção argentina de biodiesel dobra em um ano

12 de novembro de 2010 | Marina Guimarães - Agência Estado

País já é o maior exportador mundial do produto

A produção de biodiesel da Argentina deve chegar a 2 milhões de toneladas até o final de 2010. A cifra é quase o dobro do volume verificado em 2009, de 1,1 milhão de toneladas. As exportações do combustível também experimentam aumento de 36% na comparação com o ano passado, chegando a 1,5 milhões de toneladas, segundo a Associação Argentina de Biocombustíveis e Hidrogênio (AABH).

O país, que começou timidamente a produzir biodiesel em 2007, já é o maior exportador mundial do produto.

Propriedades rurais de município do Paraná começam a receber energia do biogás

Agência Brasil
A Itaipu começou nesta quinta a implantar um sistema de geração de energia a partir de biogás no município de Marechal Cândido Rondon, no oeste do Paraná. O biogás é produzido com os dejetos da produção de suínos e bovinos de propriedades rurais da região.

De acordo com a Itaipu, o projeto, desenvolvido em conjunto com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a prefeitura da cidade, vai englobar 41 propriedades rurais e cada uma terá um biodigestor, que vai transformar os dejetos em biogás. Depois, o biogás será transportado por gasodutos para a usina termoelétrica, que vai transformar o biogás em energia elétrica.

A energia será usada nas próprias propriedades rurais e o excedente vai ser vendido para a Companhia Paranaense de Energia (Copel). “Esse tipo de energia proveniente do biogás tem um grande potencial, mas tem sido esquecida no país”, disse o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu, Cícero Bley.

Segundo o diretor de Meio Ambiente da Itaipu, Nelton Friedrsch, o sistema dá ainda uma destinação adequada aos dejetos dos animais, evitando a poluição dos rios da região. “Ele gera energia elétrica resolvendo um problema ambiental”, afirmou.

O sistema de geração de energia foi acionado hoje em duas propriedades rurais. De acordo com Cícero Bley, nenhum problema foi detectado nos testes. “Tudo está 100% funcionando e as duas propriedades já estão gerando energia”. A previsão é que o sistema esteja implantado em todas as propriedades em março do ano que vem.

Veja alguns destaques da programação da Virada Sustentável

12 de novembro de 2010 | 17h 30 Paulo Saldaña

Projeto Caçambas
Uma intervenção feita pelo coletivo Irmãos Green que ilustra uma caçamba e, no lugar do entulho,abriga vários tipos de flores. Estará em alguns pontos da cidade.

Uakti

Grupo que faz música com instrumentos de tubos de PVC, garrafas plásticas, metais e pedras. Apresenta
especialmente o álbum Águas da Amazônia.

Mawaca

Há 15 anos, une os quatro cantos do mundo em suas músicas, com letras em vários idiomas.

Painel Speto

O grafiteiro Speto fará um painel metros misturando técnica de grafite e plantas em um jardim vertical.

Entretodos

O renomado festival de curtas de Direitos Humanos realiza uma edição especial na Virada Sustentável, com curadoria de de Jorge Grinspum.

BiciPark Tour SP

Dez esculturas servem como estacionamento de bicicletas e formam um tour para ser percorrido de bike.

Homem Refluxo

Cinco personagens armazenarão os resíduos do dia a dia em uma capa de plástico transparente. Eles começarão a maratona uma semana antes da virada. A ideia nasceu em 2003 e já foi mostrada na Europa.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Google investe em sistema de energia eólica longe da costa dos EUA


projeto chamado de Atlantic Wind Connection pretende criar sistema de transmissão de energia eólica suficiente para abastecer 1.900 famílias
Terça-feira, 12 de outubro de 2010 às 13h20

O Google anunciou que está investindo em um projeto chamado de Atlantic Wind Connection, ou Conexão Atlântica de Vento, em tradução livre. O investimento é uma tentativa de criar um sistema de transmissão de energia eólica longe da costa que liga as turbinas através de vários quilômetros.

Será utilizado um cabo submarino projetado para transportar a energia ligando diversos parques eólicos longe da costa à rede elétrica norte-americana. Os custos para a construção do projeto estão estimados em US$5 bilhões, de acordo com o The New York Times.

O sistema seria capaz de gerar 6 mil megawatts, potência suficiente para abastecer 1.900 famílias. De acordo com o Google, o projeto facilita a ampliação da energia eólica longe da costa.

O projeto é de responsabilidade da companhia independente de transmissão Trans-Elect e os fundos vêm do Google, do investidor em energia renovável Good Energies e da empresa Marubeni, uma investidora japonesa.

Segundo a Trans-Elect, a previsão é que a construção comece em 2013 e com finalização em 2021.

BNDES ajudou a patrocinar desmatamento da Amazônia, diz TCU

23 de outubro de 2010 | 15h 44 Marta Salomon - O Estado de S. Paulo
A auditoria aponta falha na coordenação dos programas do governo, a cargo da Casa Civil
Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) atribuiu a uma “falha” da Casa Civil o choque entre duas políticas públicas do governo Lula. Nos dois últimos anos, o BNDES investiu bilhões em frigoríficos, contribuindo para o avanço da pecuária na Amazônia, na contramão da política de combate ao desmatamento.

Veja também:

A evolução do desmatamento na Amazônia

Entre 2008 e 2010, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social investiu cerca de R$ 10 bilhões em grandes frigoríficos, como JBS, Bertin (que se fundiram) e Marfrig. A compra de participação acionária dessas empresas pelo banco pretendia consolidar a posição do País como principal exportador mundial de proteína animal.

O “complexo carnes” deveria se tornar o principal setor exportador do agronegócio brasileiro, de acordo com a Política de Desenvolvimento Produtivo do Ministério do Desenvolvimento. Nessa época, o próprio governo já havia reconhecido a pecuária como o maior motivo do abate da Floresta Amazônica.

Faltou coordenação no governo para evitar trombadas entre as duas políticas, aponta o tribunal. “Foram identificadas falhas na articulação e coordenação, a cargo da Casa Civil”, entre os diferentes programas de governo. A Casa Civil era comandada à época por Dilma Rousseff, que não é citada pelo TCU.

A ministra era, formalmente, a coordenadora de todos os programas do governo espalhados pelos vários ministérios. O próprio presidente da República, tão logo começou a campanha eleitoral, apresentou-a ao eleitorado como sendo a segunda pessoa mais importante na estrutura de governança do País.

Questionada sobre a conclusão dos auditores, a Casa Civil argumentou que contribuiu para a redução do desmatamento na Amazônia. A taxa anual anunciada no final de 2009 foi a mais baixa em 20 anos: 7,4 mil quilômetros quadrados. “Isso não significa que estamos satisfeitos. Precisamos continuar melhorando e sempre há espaço para isso”, afirmou a Casa Civil.

Na época do grande investimento em frigoríficos, relatórios oficiais mostravam que a pecuária dominava 80% das áreas desmatadas. Em 2006, a Amazônia concentrava a terça parte do rebanho nacional. Em 2007, o ritmo das motosserras voltara a crescer. Com o dinheiro do BNDES, os frigoríficos reforçaram o avanço da pecuária na Amazônia: todos têm estabelecimentos industriais na região.

“Como consequência, verificou-se que alguns frigoríficos beneficiados pelo BNDES adquiriram gado de fazendas envolvidas com desmatamento ilegal e trabalho escravo”, relata auditoria aprovada pelo TCU.

A auditoria avaliou a suspeita de que empréstimos e investimentos do BNDES estimularam o desmatamento ilegal na Amazônia.

Os investimentos do BNDES em empresas frigoríficas desde 2005 somaram R$ 12,7 bilhões. O tribunal avaliou também créditos do Banco da Amazônia e do Banco do Brasil, num total de investimentos de R$ 31 bilhões, que alcança parte do crédito rural concedido na década.

No momento em que os auditores foram a campo, não foi constatado descumprimento da legislação ambiental. Mas o relatório lembra que a prova de regularidade por parte dos tomadores de dinheiro começou a ser exigida em julho de 2008. E que esse controle não verifica os documentos nem avalia os impactos na cadeia produtiva.

Somente no fim de 2009, o BNDES passou a cobrar dos frigoríficos beneficiados que não comprassem gado de áreas desmatadas. Foi uma reação à pressão do Ministério Público do Pará contra o gado ilegal, que contou com o apoio de grandes cadeias de supermercados. A reação do BNDES veio seis meses depois de um estudo da ONG Amigos da Terra ter identificado o avanço dos grandes frigoríficos na Amazônia, patrocinado por investimentos do banco.

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo estadual

Seca faz o Rio Negro descer ao menor nível já registrado
24 de outubro de 2010 | 18h 43 Alessandra Karla Leite - Agência Estado
A seca do Rio Negro, em Manaus, bateu a marca de 1963 e registrou a cota mínima de 13,63 m, um centímetro abaixo do verificado naquele ano, considerado, até a manhã deste domingo, o nível mais baixo da história O recorde foi confirmado pelo encarregado do serviço hidrográfico do Porto da capital, Valderino Pereira da Silva.

Técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) acompanharam a medição realizada hoje, data em que Manaus completa 341 anos, no terminal de contêineres do porto, área central da capital. Dos 62 municípios, pelo menos 40 já decretaram estado de emergência.
A Defesa Civil do Amazonas, em parceria com o Exército Brasileiro, usará helicópteros para prestar atendimento aos atingidos pela seca, com o envio de água potável e mantimentos. A prioridade será o município de Tefé (a 516 quilômetros em linha reta de Manaus) onde comunidades estão totalmente isoladas.

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo do Amazonas.
Em 2009, o rio bateu o recorde da maior cheia da série histórica do CPRM. Em julho do ano passado, foi atingida a marca de 29,77, ultrapassando os 29,69 metros da cheia de 1953. A medição é realizada desde 1902.

Segundo informações do setor da previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Manaus, a expectativa de chuvas, na área que corresponde ao Rio Negro, refere-se apenas em áreas isoladas.

MP fiscalizará obras do Parque da Água Branca

25 de outubro de 2010 | 12h Tiago Dantas - Jornal da Tarde
Frequentadores denunciaram desrespeito ao tombamento da área verde; administração diz que revitalização segue a lei
A reforma do Parque da Água Branca, na zona oeste da capital, será vistoriada mais uma vez esta semana por técnicos do Ministério Público. O promotor Washington Luís de Assis quer saber se as obras de revitalização do local estão respeitando o tombamento da unidade. Caso encontre alguma irregularidade durante a visita, Assis pode pedir a paralisação dos trabalhos. A administração do parque nega qualquer

problema.
Polêmica das obras se estende desde abril

Em 14 de setembro, a reforma foi paralisada após um técnico verificar que faltavam licenças ambientais e só foi retomada depois de a papelada ser regularizada.

Agora,um arquiteto designado pelo MP vai verificar se os postes de luz do início do século 20 que ficam em frente à sede do Fundo Social de Solidariedade foram trocados por outros equipamentos de material diferente, se os operários colocaram piso frio no lugar de madeira nobre em um dos prédios da unidade e
se as portas das coxias foram substituídas.

As denúncias foram feitas ao promotor anteontem, durante uma reunião com frequentadores do parque que, descontentes com a maneira como a reforma está sendo feita, montaram o grupo SOS Parque da Água Branca.

“Estão descaracterizando o parque. Está virando uma praça de shopping”, disse Paulo Cauhy, um dos integrantes do grupo.“Isso é muito grave.Se for verdade, é crime contra o patrimônio público”, afirmou Assis.
Realizada em um auditório cedido pela administração do parque, a reunião foi acompanhada por, pelo menos, 32 pessoas e durou quatro horas.

“Estão gastando R$ 12 milhões em uma reforma que seria evitada com manutenção”, opinou o presidente da associação Preserva São Paulo,Jorge Eduardo Rubies. Segundo o SOS Água Branca,o último contrato de manutenção venceu há seis anos.

O promotor afirmou que pretende marcar até 6 de novembro uma audiência pública com todas as partes envolvidas na questão.

A ideia é preparar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para formalizar um acordo que garanta, entre outras coisas, que seja feito um plano de manejo para animais e plantas.
Parte dos frequentadores insiste que a obra deveria parar até que o governo do Estado, responsável pela administração do parque, entregue a eles o projeto da reforma e as autorizações ambientais e dos órgãos de patrimônio público.“

Se tivéssemos acesso ao projeto antes, não haveria problema”, avalia a advogada Cláudia Lukianchuki de Lacerda, também integrante do SOS.

O diretor do Parque da Água Branca, José Antônio Teixeira nega que um piso de madeira nobre tenha sido substituído por um piso frio.“Desconheçoisso”, disse. Ele confirma que houve mudanças nos dois outros pontos levantados pelos frequentadores do parque, mas sempre dentro do previsto em lei. “As portas das coxias estavam bem avariadas e foram substituídas por outras novas iguaizinhas às antigas”, afirma.Sobre os postes de luz do início do século 20 ,Teixeira diz que “foram recolocados no local onde estavam quando começaram a funcionar, em 1929”. Segundo ele, a reforma tem autorização dos órgãos ambientais e de patrimônio.

Turismo no Rio Nilo causa contaminação da água

25 de outubro de 2010 | 12h 12 O Estado de S. Paulo

Desfrutar de um cruzeiro no Rio Nilo não é um turismo inofensivo. A hospedagem nos hotéis flutuantes da região é uma das causas para a contaminação de suas águas, que correm o risco de não estarem mais aptas ao consumo em 15 anos.

Segundo o Centro Habi para os Direitos Ambientais, cerca de 300 cruzeiros fazem a rota entre Luxor e Asuán. Os navios não têm um tratamento eficiente das águas residuais, que são descartadas no rio. Isso também prejudica a saúde pública: 17 mil crianças morrem de gastroenterite ao ano por beber água contaminada do Nilo.

Polêmica na reforma do Parque da Água Branca

25 de outubro de 2010 | 12h 13
A revitalização do Parque da Água Branca causa polêmica desde o início. Em abril, quando a primeira-dama Deuzeni Goldman apresentou o plano da reforma, a praça de alimentação foi alvo de críticas dos moradores, que temiam que o local ficasse “como um shopping”.

Em agosto, um suposto corte irregular de árvores culminou no embargo da reforma no mês seguinte pelo MP, que constatou ainda problemas nos tanques do lago e a demolição de um prédio anexo à mina de água. As obras foram liberadas no fim de setembro, quando o parque passou a funcionar até as 22h.

Empresa pede para perfurar o Golfo do México

25 de outubro de 2010 | 12h 26 O Estado de S. Paulo

Pedido é apresentado seis meses após o maior vazamento de óleo da história

Uma empresa apresentou o primeiro pedido de prospecção de petróleo e gás nas águas profundas do Golfo do México desde que a exploração foi temporariamente interrompida após o maior vazamento de óleo da história dos EUA, envolvendo uma plataforma da British Petroleum (BP).

O pedido é de 12 de outubro – quando foi suspensa a moratória. O governo não informou o nome da empresa e disse que ela será submetida a novas regras e inspeção.

Seca faz o Rio Negro descer ao menor nível já registrado

24 de outubro de 2010 | 18h 43 Alessandra Karla Leite - Agência Estado

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo estadual
A seca do Rio Negro, em Manaus, bateu a marca de 1963 e registrou a cota mínima de 13,63 m, um centímetro abaixo do verificado naquele ano, considerado, até a manhã deste domingo, o nível mais baixo da história O recorde foi confirmado pelo encarregado do serviço hidrográfico do Porto da capital, Valderino Pereira da Silva.

Técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) acompanharam a medição realizada hoje, data em que Manaus completa 341 anos, no terminal de contêineres do porto, área central da capital. Dos 62 municípios, pelo menos 40 já decretaram estado de emergência.
A Defesa Civil do Amazonas, em parceria com o Exército Brasileiro, usará helicópteros para prestar atendimento aos atingidos pela seca, com o envio de água potável e mantimentos. A prioridade será o município de Tefé (a 516 quilômetros em linha reta de Manaus) onde comunidades estão totalmente isoladas.

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo do Amazonas.
Em 2009, o rio bateu o recorde da maior cheia da série histórica do CPRM. Em julho do ano passado, foi atingida a marca de 29,77, ultrapassando os 29,69 metros da cheia de 1953. A medição é realizada desde 1902.

Segundo informações do setor da previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Manaus, a expectativa de chuvas, na área que corresponde ao Rio Negro, refere-se apenas em áreas isoladas.

Toxina de veneno de escorpião pode ser útil para pacientes cardíacos

22 de outubro de 2010 estadão.com.br

Substância evita que as células de veia enxertada em cirurgia se reproduzam em excesso e bloqueiem o sangue
Uma toxina encontrada no veneno de um escorpião da América Central, o Centruroides margaritatus, pode ajudar a reduzir as falhas em cirurgias coronárias, diz pesquisa da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Potent suppression of vascular smooth muscle cell migration and human neointimal hyperplasia by KV1.3 channel blockers (íntegra do estudo)

O estudo, publicado online pelo periódico Cardiovascular Research, informa que uma das toxinas do escorpião, a margatoxina, é pelo menos 100 vezes mais potente na prevenção de hiperplasia neointimal que qualquer outro composto.

Essa hiperplasia é a resposta do vaso sanguíneo a ferimentos. Ela desencadeia o crescimento de novas células, causando obstrução crônica da parte interna do vaso.

Quando uma veia é enxertada no coração durante a cirurgia coronária, a reação ao ferimento entra em ação, à medida que a veia tenta se adaptar ao novo ambiente e à diferença de pressão circulatória.

O crescimento de novas células ajuda a fortalecer a veia, mas o crescimento interno restringe o fluxo de sangue e pode causar o fracasso do enxerto.

A potência da margatoxina na supressão do mecanismo surpreendeu os pesquisadores, disse, por meio de nota, o pesquisador David Beech, principal autor do artigo que descreve a descoberta. "Estamos falando de umas poucas moléculas serem necessárias para obter o efeito", disse ele.

A toxina atua inibindo a atividade de um canal específico de íon de potássio, um poro na membrana da célula que se abre e se fecha em resposta a sinais elétricos e, indiretamente, aumenta a passagem de íons de cálcio.

O pesquisador disse que a margatoxina provavelmente não se prestará ao uso como droga injetável ou de uso oral, mas poderia ser usada como spray a ser aplicado diretamente na veia, antes do enxerto.

Força dos ventos gera energia e negócios no País

25 de outubro de 2010 |

Naiana Oscar e Renée Pereira - O Estado de S.Paulo

Com queda no preço da energia eólica, projetos do setor vão multiplicar por sete a capacidade instalada no Brasil até 2013
Era uma manhã de verão na praia de Taíba, a 55 quilômetros de Fortaleza (CE). Não é possível descrever com exatidão a paisagem naquele início dos anos 90, mas com certeza ventava. Vindo de Sorocaba, o engenheiro mecânico Pedro Vial atravessou as dunas de buggy, fincando hastes de metal na areia - dez ao todo. "De longe, parecia um campo de golfe", lembra. Mas era a pedra fundamental da primeira usina comercial de energia eólica no País.

As hastes provisórias indicavam o lugar onde mais tarde seriam instalados dez cataventos mais altos que o Cristo Redentor, no Rio. Ali, de frente para o mar, eles teriam de gerar 5 megawatts (MW) por hora - o suficiente para abastecer 100 mil residências em um ano. Vial conhecia pouco, ou quase nada, de usinas eólicas. Mas tinha acabado de ser apresentado a um empresário alemão, perito no assunto, que vislumbrou, antes de muitos, o potencial brasileiro.

Aloys Wobben, dono da Enercon, uma das maiores fabricantes de aerogeradores do mundo, incumbiu o engenheiro de Sorocaba de iniciar a operação no Brasil. "Quando comecei a oferecer nossos projetos para governos e concessionárias, parecia que eu estava recitando poesia, era coisa de desocupado", lembra Vial.

A usina de Taíba entrou em operação em janeiro de 1999. Desde então, a multinacional alemã, aqui chamada Wobben Windpower, ergueu 16 usinas no Brasil. Na porta da sala do engenheiro, uma mensagem impressa em papel sulfite dá noção do que foram esses últimos anos e do que vem pela frente: "Depois que o tigre é morto, todo mundo é caçador." Após uma década, explorando praticamente sozinha o mercado nacional, a empresa terá de disputar o tigre com os primeiros concorrentes. Eles estão chegando de todas as partes do mundo para explorar os ventos que sopram no País.

Alguns já fincaram suas bandeiras em território nacional e estão com a produção a plena carga, como a argentina Impsa e a americana GE. A francesa Alstom vai inaugurar sua unidade na Bahia em 2011. A corrida para abocanhar uma fatia do mercado conta ainda com a espanhola Gamesa, a indiana Suzlon, a dinamarquesa Vestas e a alemã Siemens. Multinacionais coreanas e chinesas podem engrossar o time, ávido por novos projetos.

A efervescência no setor é recente. Tem pouco mais de um ano. Antes disso, o preço da energia eólica era inviável para a realidade brasileira. Mas os ventos mudaram e os projetos deixaram de fazer parte da ideologia dos ambientalistas para virar alternativa de abastecimento energético do País.

Virada. Com a crise internacional, o consumo de energia recuou no mundo todo e os projetos de novas usinas foram paralisados, deixando as fábricas de equipamentos com a capacidade ociosa elevada, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Como o Brasil saiu rapidamente da crise e o consumo de energia passou a crescer 12% ao ano, os fabricantes globais se voltaram para o País.

O interesse cada vez maior das multinacionais pelo mercado brasileiro se refletiu diretamente nos preços da energia, que surpreenderam até os mais otimistas do setor no primeiro leilão de eólicas, em dezembro de 2009. Em média, os valores ficaram em R$ 148 o megawatt/hora (MWh) - um ano antes, custavam mais de R$ 200. Oito meses depois, o improvável ocorreu: o preço recuou para R$ 130 - mais baixo que os das tradicionais pequenas centrais hidrelétricas e das usinas de biomassa.

Na prática, os leilões representam a construção de 161 unidades até 2013. Hoje, são 45. A capacidade instalada vai crescer até sete vezes no período, saindo dos atuais 700 MW para 5.250 MW - resultado de uma montanha de investimentos, da ordem de R$ 18 bilhões, segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Ricardo Simões.

Perspectiva. A formação desse plano de investimentos e a expectativa de leilões regulares de energia eólica ajudaram a reforçar a aposta estrangeira no País. "O Brasil está se preparando para ter 20% de energia eólica até 2020", diz Arthur Lavieri, que há dois meses assumiu o controle da Suzlon. A multinacional anunciará até novembro o nome da cidade, no Ceará, que vai receber sua fábrica de aerogeradores. Será a única nova unidade do grupo até 2011. "Brasil, Índia e China são os três maiores mercados eleitos pela Suzlon", diz.

Bem antes de se decidir pelo investimento, porém, a Suzlon já experimentava os retornos do mercado brasileiro: 47% da energia eólica do País são produzidos com equipamentos da companhia. No passado, as máquinas eram importadas. Agora, tudo será feito com mão de obra nacional - a fábrica terá capacidade para produzir até 600 pás e 500 MW de turbinas por ano.

A Siemens, referência mundial na produção de turbinas para hidrelétricas, também corre para conquistar uma fatia do mercado. Para estrear na produção de geradores eólicos no Brasil, a alemã planeja uma nova fábrica no Nordeste. A alternativa da gigante GE foi fazer um "puxadinho" na sua unidade em Campinas para atender os contratos firmados no primeiro leilão de energia eólica, no fim de 2009.

Na ocasião, foram contratados 300 aerogeradores, com capacidade em torno de 450 MW. No segundo leilão, ela conquistou outra leva de pedidos, que somam quase 500 MW. A demanda elevada já mudou os planos da empresa, que estuda quatro locais para instalar uma nova fábrica, inclusive no Nordeste. Esta também foi a região escolhida pela Impsa, que construiu uma unidade em Pernambuco, com capacidade para produzir 600 MW por ano em turbinas.

Investidores. Todos esses fabricantes de equipamentos firmaram pré-contratos com os investidores que participaram dos leilões e que vão construir as usinas. Uma das empresas que mais fecharam negócios nos últimos dois leilões é a brasileira Renova. Com dez anos de mercado, ela fatura hoje R$ 37 milhões. Até 2013, esse valor vai quase multiplicar por dez com os novos contratos. A espanhola Iberdrola também teve forte participação nas disputas e já encomendou equipamentos da fabricante Gamesa, que tem planos de abrir fábrica na Bahia.

Para a pioneira Wobben, tantos concorrentes devem representar um recuo na participação no mercado, de 50% para 35%. Mas Pedro Vial parece tão hipnotizado com as perspectivas do setor que tem deixado a preocupação com os novos competidores em segundo plano. A multinacional fabrica em média 20 aerogeradores por mês. São peças gigantes: só as pás pesam 6,5 toneladas cada uma e, os geradores, outras 61 toneladas. Até 2009, 80% das máquinas eram vendidas para o exterior. Aos poucos, as usinas brasileiras têm ganhado mais espaço no portfólio da empresa. Em 2010, as exportações já caíram para 60%. No ano que vem, não devem passar de 15%.

Perto da Wobben, em Sorocaba, está instalada outra gigante do setor, a Tecsis, segunda maior fabricante de pás do mundo. A empresa fundada por engenheiros do Centro de Tecnologia Aeroespacial de São José dos Campos tem dez unidades de produção. Em 15 anos de existência, todas as 30 mil pás produzidas foram exportadas. Não havia nenhuma pá da Tecsis girando em usinas brasileiras até o início deste mês, quando os equipamentos foram inaugurados num parque eólico da Impsa.

"Já tive a oportunidade de ver nossas pás em operação no Japão, nos EUA, na Europa, e era uma frustração não vender para o Brasil", diz o presidente da Tecsis Bento Koike. "Nossos clientes não olhavam para esse mercado, porque não interessava." Agora, a situação mudou. Cerca de 85% dos projetos contratados nos dois leilões terão pás da Tecsis. Para atender à demanda brasileira, a empresa vai montar uma fábrica no complexo industrial de Suape, em Pernambuco.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Trabalhadores foram ameaçados para não denunciar riscos de acidente

13 de outubro de 2010 | 12h 12 Efe

Ex-diretor, que já foi preso por negligência, sabia sobre más condições da represa que se rompeu
BUDAPESTE - Funcionários da empresa que causou o vazamento tóxico na Hungria foram ameaçados de demissão para que não denunciassem o mau estado do reservatório de acumulação de lama tóxica, onde abriu-se uma brecha no último dia 4 de outubro.

Veja também:
Sobe para 9 os mortos pelo vazamento tóxico na Hungria

Segundo informou nesta quarta-feira, 13, o jornal "Népszabadság" em sua edição digital, os testemunhos desses trabalhadores da metalúrgica MAL assinalam que Zoltan Bakonyi, o ex-diretor da empresa, dispunha de informações sobre infiltrações na parede que acabou rompendo.

De acordo com "Népszabadság", Bakonyi "gastou energias em semear o medo nos que se preocupavam com o estado do dique" do que em conter as fugas de material tóxico.

Bakonyi foi detido na segunda-feira sob a acusação de negligência. A empresa está sob intervenção do Estado.

A ONG WWF/Adena denunciou há dias uma série de fotografias feitas em junho em que é possível ver vazamentos de lama no muro do reservatório.

Número de baleias jubarte encontradas mortas no Brasil bate recorde

13 de outubro de 2010 | Associated Press - AP

Doenças ou aquecimento dos mares podem estar aumentando a taxa de mortalidade
Cientistas dizem que o número de baleias jubarte encontradas mortas no Brasil neste ano é o maior já registrado.

Milton Marcondes, do Instituto Baleia Jubarte, disse que pelo menos 75 morreram em 2010. O recorde anterior, 41, era de 2007.

Segundo Marcondes, a maioria morreu no mar, e suas carcaças chegaram ao litoral brasileiro.

Algumas encalharam ainda vivas e pereceram. Ele disse que as mortes refletem uma taxa maior de mortalidade.

Pesquisadores estão averiguando se doença pode ser um fator, ou se o aquecimento dos mares estaria afetando o suprimento de alimentos.

Jubartes viajam da Antártida para as águas brasileiras para se reproduzir, entre julho e novembro.

Novas usinas condenam hidrovias

Renato Andrade e Leonardo Goy - O Estado de S. Paulo 13 de outubro de 2010
Potencial de navegação no País é de 63 mil quilômetros, mas só 20,6% são usados; usinas a fio d'água vão complicar a situação ainda mais

A solução encontrada por técnicos em engenharia do setor elétrico para construir hidrelétricas na Amazônia, sem a necessidade de grandes alagamentos e pânico entre ambientalistas vai dificultar a implantação de hidrovias na região.

Os reservatórios gigantes, utilizados durante anos na construção de usinas, acabavam “corrigindo” as corredeiras e quedas d’água, o que facilitava a navegação. Sem eles, a passagem de barcaças com carregamentos só será feita com a construção, em alguns casos, de um número quase três vezes maior de eclusas – espécie de comporta que permite embarcações subirem e descerem os rios.

Para contornar as barreiras ambientais e explorar a capacidade de geração de energia nos rios amazônicos, o setor elétrico abandonou o velho modelo de construção de hidrelétricas e passou a desenvolver projetos conhecidos como usinas fio d’água. Essa nova forma busca concentrar o fluxo do rio para movimentar as turbinas, evitando alagamento de grandes áreas.

A hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), é um exemplo de usina fio d’água. Na década de 70, quando começou a ser estudado, o empreendimento com 11.233 megawatts (MW) de potência resultaria no alagamento de área de 1.200 quilômetros quadrados, o equivalente a mais de dois terços da cidade de São Paulo. Com as mudanças no projeto, a área alagada caiu para 516 quilômetros quadrados.

As cinco usinas que o governo pretende construir no Rio Teles Pires (MT) até 2016 também serão feitas pela nova modelagem. Isso vai postergar mais uma vez a construção da hidrovia Teles Pires-Tapajós, o que desagrada produtores rurais da região.

Segundo Luiz Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), se o modelo antigo de usina fosse usado em Teles Pires, o governo teria de construir seis hidrelétricas, com uma eclusa ligada a cada projeto, para garantir a navegabilidade dos 1,4 mil quilômetros entre a foz do Tapajós e o município de Nova Canaã do Norte (MT).

Pelo novo modelo, o número de eclusas a serem construídas para garantir a navegabilidade subirá para 14. “Esse é o problema do fio d’água. Acrescenta custo. É preciso fazer mais eclusas, trabalhar mais os rios, fazer derrocagem (retirada de pedras), canais de navegação”, diz Pagot.

Estudos preliminares indicam que, para garantir a navegação do Teles Pires seriam necessários cerca de R$ 14 bilhões em investimentos, ou seja, R$ 1 bilhão para cada 100 quilômetros de rio. O problema é que o potencial de carga a ser transportada é de, no máximo, 5 milhões de toneladas por ano.

Prioridades

Apesar da vontade de aumentar o transporte de cargas pelos rios, o investimento em rodovias e ferrovias ainda está no topo da lista de prioridades do governo. O potencial de navegação no País é de 63 mil quilômetros, mas só 20,6% são usados. Segundo estimativas da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as hidrovias respondem por 11% das cargas transportadas pelo País, enquanto as rodovias abocanham 60%.

“Não temos recursos para ficar esbanjando e o cobertor é curto”, diz Pagot. “Dar condições de navegação para um rio através de eclusas, barragens, derrocamento e não ter carga para transportar não faz sentido.”

A importância das hidrovias também pesa na hora de decidir onde investir. Se o investimento estimado para Teles Pires fosse aplicado no Tietê-Paraná, a quilometragem de navegação no complexo saltaria dos atuais 700 quilômetros para 2,2 mil quilômetros e o volume de carga transportada passaria de 5 milhões de toneladas/ano para 30 milhões. O Tietê-Paraná beneficia regiões em cinco Estados. “Talvez até 2018 a gente esteja com a nova hidrovia do Tietê-Paraná pronta e até 2030 com Teles Pires-Tapajós”.

Energias renováveis

13 de outubro de 2010 | 17h 20 Adriano Pires e Abel Holtz

Num período de mudanças climáticas e restrições a emissões cada vez maiores, é importante focarmos nosso desenvolvimento na direção de uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, é essencial valorizar as fontes alternativas de geração de energia elétrica que não adicionam emissões e explorá-las de forma crescente e em harmonia com a construção de hidrelétricas com reservatórios para equilibrar a sazonalidade e as oscilações dessas fontes alternativas. Tudo com responsabilidade e critérios técnicos e sem nos deixarmos levar por modismos ou por ações “politicamente corretas”. Essa harmonia é necessária porque as energias da biomassa e eólica, apesar de complementares às hidrelétricas, não atenderiam à “ponta” do consumo. Por isso a importância das térmicas a gás natural para firmar as hidrelétricas a fio de água da Amazônia.

Sabemos que o potencial do Brasil em energia eólica é hoje estimado em cerca de 300 GW a 400 GW, que são empreendimentos de rápida implantação e não têm impacto social de grande monta. Um dos benefícios da inserção da geração dessa energia no parque gerador brasileiro decorre do fato de ela complementar a geração hidrelétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Por exemplo, de junho a setembro, quando a vazão no Rio São Francisco diminui, ocorre maior incidência de ventos no vale do rio. Logo, a complementaridade poderá contribuir para aumentar a segurança do abastecimento energético, principalmente na Região Nordeste.

A capacidade instalada mundial de energia eólica alcançou em 2009 157,9 GW, um crescimento de 31% em relação a 2008. Em termos absolutos, os EUA têm a maior capacidade de geração eólica (35,1 GW); seguidos por Alemanha, 25,7 GW; China, 25,1 GW; Espanha, 19,1 GW; e Índia, 10,9 GW.

A energia da cana-de-açúcar, além do etanol, pode propiciar-nos nos próximos anos, por meio do bagaço da cana, 12 GW somente com as atuais usinas. Ou seja, uma nova Itaipu. No caso da biomassa de cana, a tecnologia já está dominada e seu contínuo desenvolvimento já se dá de forma natural. No caso das eólicas, há uma tendência de ampliação de sua competitividade na medida em que as indústrias se desenvolvam, tornando o Brasil uma plataforma de produção com domínio tecnológico dos aerogeradores e componentes.

No caso da biomassa, há problemas para o seu avanço como importante geradora de energia. Por exemplo, a conexão das usinas ao SIN, que poderia ser resolvida com a transmissão sendo levada até as usinas; e a não existência de leilões por fonte e por submercados. Em São Paulo a rede da CPFL, por exemplo, não está dimensionada para transportar produção, mas para suprimento da carga, uma realidade insustentável.

Está sendo elaborada uma regulamentação que permita estabelecer redes coletoras para interligar as usinas ao SIN. A solução seria planejar uma rede coletora de geração distribuída (GD) composta por ramais de rede básica (>230kV) e uma subestação coletora de GD localizada no centro de gravidade da GD (bioeletricidade, PCHs, UTEs) e “no pé de torre” da rede básica existente, com mínimo custo global.

O fato novo e que chamou a atenção no último leilão de energia foi o desempenho da energia eólica. A complementaridade com as UHE’s é biunívoca, seja eólica no Nordeste, seja biomassa no Sudeste. Necessita-se, com urgência, definir a energia assegurada dessas fontes por certificadora independente. Essa definição é fundamental, na medida em que teremos os preços dessas energias próximos à realidade de cada uma e, ao mesmo tempo, impediremos que produtores, no afã de ganhar leilões, forneçam fatores de carga que nunca serão alcançados. A atual assimetria da regulamentação da transmissão está fazendo com que as vantagens dessas fontes sejam transferidas ao preço de produção.

É necessário aplicar às fontes eólica e biomassa, o quanto antes, o mesmo conceito do Mecanismo de Realocação de Energia aplicável às hidrelétricas para ampliar o chamado “efeito portfólio”.

ADRIANO PIRES É DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE).

ABEL HOLTZ É ENGENHEIRO, CONSULTOR NA ÁREA DE ENERGIA E NEGÓCIOS

Acordo climático no México parece distante, dizem especialistas

13 de outubro de 2010 | 18h 30 ALISTER DOYLE - REUTERS
As divisões entre a China e os Estados Unidos tornam cada vez mais improvável que a conferência deste ano no México sobre o clima resulte em um novo acordo contra o aquecimento global, segundo especialistas reunidos no evento Reuters Global Climate and Alternative Energy Summit.

Na opinião deles, os 194 governos envolvidos podem na melhor das hipóteses concordar com medidas sobre a ajuda financeira e tecnológica para questões climáticas e ambientais nos países pobres, mas mesmo assim há riscos de impasse na conferência da ONU, que vai de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún.

"Se Cancún for uma grande frustração, obtendo nada ou muito pouco, então acho que muitos governos do mundo todo vão começar a dizer: 'O que resulta desse processo?'", disse a comissária (ministra) do Clima da União Europeia, Connie Hedegaard.

"Os cidadãos do mundo começarão a ficar cansados se tudo o que conseguirmos em Cancún for trocar acusações sobre de quem é a culpa por não fazer nada", acrescentou.

A conferência anterior da ONU, em 2009, em Copenhague, já fracassou na busca por um novo tratado de cumprimento obrigatório para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2013.

O ritmo das negociações para a reunião de Cancún põe em dúvida até mesmo a possibilidade de que seja aprovado um conjunto de acordos mais reduzidos.

"Estamos numa situação muitíssimo perturbadora", disse Achim Steiner, diretor do Programa Ambiental da ONU, explicando que muitos países atribuem a inação à crise econômica.

Mas ele previu que incidentes climáticos como as inundações no Paquistão ou a seca na Rússia, que causou uma alta global no preço dos grãos, acabarão estimulando o mundo a adotar um novo tratado climático.

Christiana Figueres, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, afirmou que a conferência de Copenhague mostrou ao mundo que não existe uma "bala mágica" para resolver o problema climático.

Segundo ela, Cancún pode resultar em um conjunto de decisões -- financeiras, tecnológicas ou para a proteção de florestas tropicais -- que poderiam posteriormente ser consolidadas num tratado formal. "Os governos precisam, sim, redobrar seus esforços de agora até Cancún", afirmou ela.

G20

Alguns especialistas dizem que as discussões podem passar do âmbito da ONU para outros grupos, como o G20 -- que inclui todos os principais emissores de gases do efeito estufa, como China, EUA, União Europeia, Rússia e Índia.

"As discussões não estão indo a lugar algum", disse o dinamarquês Bjorn Lomborg, autor de "O Ambientalista Cético". Ele disse que o mundo deveria abandonar o processo da ONU e concordar em investir 100 bilhões de dólares por ano em tecnologias novas e limpas, como a solar e a eólica.

Mas Figueres e Steiner disseram ser errado prever o colapso das negociações da ONU.

Uma objeção a grupos como o G8 (só de grandes países industrializados) ou G20 (que inclui também os grandes emergentes) é que eles excluem 3 ou 4 bilhões de pessoas nos países pobres, como Bangladesh e os pequenos Estados insulares do Pacífico, que não tiveram responsabilidade sobre o aquecimento global, mas podem sofrer as piores consequências.

Steiner disse que o mundo não pode ignorar as opiniões desses países. "O processo multilateral é... um processo pesado e necessariamente lento... mas absolutamente indispensável", disse Figueres.

Na semana passada, na China, uma rodada final de negociações preparatórias para Cancún foi afetada por disputas entre Pequim e Washington, maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa.

Os EUA cobram mais empenho da China, que, por sua vez, diz que o maior ônus deve recair sobre os norte-americanos, por serem a maior economia mundial.

Para os investidores também as expectativas com Cancún são reduzidas.

"Seria legal ter a sensação de que (as negociações) estão se dirigindo para frente, e não para trás", disse Rob Lake, diretor de sustentabilidade e governança do fundo holandês de pensões APG.

Consultores da ONU afirmaram na terça-feira na Etiópia que é viável para os países ricos manterem a promessa feita em Copenhague de arrecadar 100 bilhões de dólares por ano em ajuda para os países em desenvolvimento a partir de 2020, apesar das medidas de austeridade fiscal entre muitas nações doadoras.

O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, que copresidiu o encontro, disse que as penalidades pela emissão de carbono devem ser uma importante fonte de recursos.

"Espero que este relatório seja uma... contribuição útil para as negociações", afirmou.

(Reportagem adicional de Pete Harrison, em Bruxelas; David Fogarty, em Cingapura; Gerard Wynn e Nina Chestney, em Londres; e Ernest Scheyder, em Nova York)




Aldeias húngaras afetadas pela lama não são mais habitáveis

13 de outubro de 2010 | Zsolt Szigetvary/EFE

Diretor de Toxicologia do Hospital de Budapeste diz que será impossível viver nas localidades

Viver nas aldeias afetadas no oeste da Hungria pela avalanche tóxica de "lama vermelha" não é mais possível, afirmaram vários especialistas e organizações ambientais que advertiram sobre os efeitos nocivos da contaminação da terra e do ar.

Acidente em fábrica de alumínio provoca avalanche com metais pesados"Deveríamos ter a coragem de dizer que é impossível viver nas duas localidades", disse Gábor Zacher, médico diretor da Toxicologia do hospital de Budapeste.

As localidades de Kolontár e Devecser, a 160 quilômetros ao sudoeste de Budapeste, foram as mais afetadas pela lama tóxica que vazou de uma represa da fábrica de alumínio MAL, causando nove mortes e mais de 150 feridos.

Zacher explicou que a longo prazo é preciso considerar que os tóxicos "permanecerão na terra, nas plantas e animais".

Com relação às substâncias químicas que estão envenenando a terra e o ar da região, Zacher reconheceu que "não se pode dizer nada muito concreto sobre os efeitos de longo prazo, já que não existem casos similares".

Em todo caso, advertiu que as partículas do alumínio, cuja concentração na lama é muito alta, podem chegar até o mais profundo dos pulmões, causando infecções.

O níquel pode causar outras doenças como asma, pneumonia e outros males crônicos, enquanto o ferro ataca os pulmões.

Diante desse perigo, as autoridades ordenaram há dois dias o uso obrigatório de máscaras e óculos protetores na região afetada, onde está sendo reconstruída a infraestrutura devastada e erguendo um muro de contenção por causa da possibilidade de uma segunda avalanche de lama tóxica.

A porta-voz de Defesa Civil, Gyorgyi Tottos, explicou que diante da agressividade das substâncias derramadas, os operários pediram hoje que suas máscaras sejam mudadas a cada duas horas.

Neste sentido, Gergely Simon, da organização meio ambiental Clean Air Action Group, explicou que o mercúrio inalado poderia causar graves problemas à saúde.

E como se isto não fosse o bastante, o bom tempo, sem chuvas, poderia fazer com que o pó tóxico se disperse em um raio de10 a 15 quilômetros, alertou Simon.

O analista lamentou a não publicação, até agora, dos resultados das pesquisas oficiais das autoridades, para determinar quais são as tarefas mais necessárias e urgentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE) enviaram aos povoados afetados equipes de analistas que averiguarão os possíveis impactos a curto e longo prazo da catástrofe, além de ajudar as autoridades locais a elaborar um plano preventivo.

No hospital de Ajka morreu hoje a nona vítima da catástrofe, uma pessoa idosa, oriunda de Kolontár.

Em diferentes instituições de saúde do país há ainda meia centena de hospitalizados, principalmente com queimaduras e traumatismos causados pela violência da onda.

Árpád Tóth, médico diretor de um hospital de Veszprém, explicou que os doentes internados nesta instituição não estão em perigo de vida, embora quatro ou cinco terão de ser submetidos a procedimentos de cirurgia plástica.

O diretor de MAL, Zoltán Bakonyi, detido nesta semana sob a acusação de negligência, foi libertado nesta quarta, já que a promotoria não pôde argumentar de forma convincente as acusações.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse na segunda-feira que o episódio foi consequência de um erro humano e que os responsáveis seriam "castigados severamente".

Terremoto de magnitude 5,4 atinge Japão, diz agência

4 de outubro de 2010 | AE - Agência Estado

Um terremoto com magnitude preliminar de 5,4 atingiu o sudeste de Hokkaido, uma ilha no norte do Japão, informou a agência de notícias Kyodo. Segundo a Agência Meteorológica do

Japão, o terremoto ocorreu na noite de hoje (hora local).

Não há alerta de tsunami, nem informações sobre feridos ou danos. O epicentro do furacão fica ao sul da região de Tokachi, a uma profundidade de cerca de 60 quilômetros. As informações são da Dow Jones.




Inundanções custarão US$ 9,7 bilhões ao Paquistão, diz estudo

14 de outubro de 2010 | 12h 32 Reuters

Setores agrícolas são os mais afetados; danos também remetem à infraestrutura

ISLAMABAD - As enchentes de agosto e setembro no Paquistão causaram danos em fazendas, casas e na infraestrutura que custarão aproximadamente US$ 9,7 bilhões ao país, informaram nesta quinta-feira, 14, o Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, na sigla em inglês) e o Banco Mundial.

Um estudo dos danos feito pelas instituições aponta que a agricultura - principal setor econômico do Paquistão - e a pecuária foram as áreas mais atingidas pelo desastre, que deixaram a já frágil situação econômica do Paquistão ainda pior. As enchentes deixaram mais de 10 milhões de pessoas desabrigadas e afetaram um total de 20 milhões.

"As enchentes que varreram o Paquistão desde o fim de julho causaram um prejuízo estimado de US$ 9,7 bilhões à infraestrutura, às fazendas, às casas e perdas diretas e indiretas em outros setores", diz o relatório dos bancos.

O estudo considerou 15 setores chave no Paquistão. A estimativa inclui prejuízos diretos, perdas indiretas e custos de reconstrução.

Baleia recordista viaja 10 mil km do Brasil ao Oceano Índico para acasalar

13 de outubro de 2010 | 4h 57
Animal que saiu de Abrolhos e foi parar em Madagascar realizou o maior movimento de migração sazonal já registrado pela espécie.

Baleias-jubarte são conhecidas por longos deslocamentos para acasalar

Um baleia-jubarte estabeleceu um recorde mundial ao nadar quase 10 mil quilômetros do arquipélago de Abrolhos, na costa brasileira, à ilha de Madagascar, na costa leste da África, na tentativa de acasalar.

O animal foi fotografado pela primeira vez em Abrohos no dia 7 de agosto de 1999. No dia 21 de setembro de 2001, por puro acaso, foi clicada novamente por participantes de um passeio para observar baleias perto da ilha Sainte Marie, no Oceano Índico.

Cientistas de um projeto de monitoramento do deslocamento de baleias-jubarte no Atlântico (Antarctic Humpback Whale Catalogue) identificaram o animal graças ao peculiar formato de sua cauda e aos padrões de pintas encontrados nela.

O caso, assim como sua importância para a ciência, é relatado nesta quarta-feira na edição da publicação especializada "Biology Letters", publicada pela Royal Society da Grã-Bretanha.

Segundo os pesquisadores, as baleias-jubarte ("Megaptera novaeanglieae"), também conhecidas como baleias-corcunda, se destacam por suas longas migrações sazonais.

Esses animais costumam se deslocar 5 mil quilômetros para se acasalar, normalmente na direção norte-sul - por exemplo, entre uma latitude no extremo sul do continente, próximo da Antártida, e uma posição mais tropical.

A baleia de Abrolhos não apenas se deslocou o dobro do observado em um comportamento típico como o fez na direção oeste-leste.

O fato de o animal ser uma fêmea deixou os cientistas mais intrigados, já que, nessa espécie, são os machos os que costumam se deslocar por distâncias maiores em busca de acasalamento.
"A diferença entre as duas posições compreende mais de 88º de longitude. É o mais longo deslocamento de um mamífero, cerca de 400 km maior que o mais longo movimento sazonal de migração registrado até hoje", escrevem os pesquisadores.

Baleia atravessou um quarto do mundo em questão de semanas

O coordenador da equipe, Peter Stevick, do College of the Atlantic, em Maine, nos EUA, disse que é possível que a baleia tenha realizado a sua jornada em dois estágios ao longo de diversas semanas.

"Se eu tivesse de adivinhar, diria que o animal realizou uma migração normal para o Antártico (em busca de alimentação) e de lá para Madagascar", afirmou, à BBC.

"Se tivesse de desenhar um percurso, seria do Brasil para o Oceano Antártico e de lá para o Índico."

A descoberta deve ajudar os cientistas a entender melhor o comportamento das baleias-jubarte, uma espécie que apenas recentemente saiu da categoria de animais em risco de extinção. BBC Brasil

Fósseis de primeiras plantas terrestres são encontrados na Argentina

13 de outubro de 2010 | 9h 54

Organismos simples, sem caule ou raízes, teriam evoluído de algas e passado a viver em terra 10 milhões de anos antes do que se pensava.

Plantas hepáticas modernas provavelmente são ancestrais comuns de todas as plantas terrestres

Rubinstein et al/New Phytologist Fósseis encontrados podem mudar datas da evulação dos vegetais
Fósseis de algumas das primeiras plantas a migrar da água para a terra firme centenas de milhões de anos atrás foram encontrados na Argentina, dizem especialistas.

A descoberta sugere que a colonização da terra por plantas teria ocorrido dez milhões de anos antes do que os cientistas calculavam - ela teria se iniciado por volta de 472 milhões de anos atrás.

O surgimento de plantas capazes de viver na terra é um dos mais importantes marcos na evolução do planeta.

As plantas terrestres mudaram o clima da Terra, alteraram o solo e permitiram que todas as outras formas de vida celular se desenvolvessem.

O estudo foi publicado na revista científica New Phytologist.

Os fósseis encontrados na Argentina são das chamadas hepáticas, plantas que pertencem à divisão conhecida como Marchantiophyta.

São organismos bastante primitivos, sem caule ou raiz, que teriam evoluído a partir de algas verdes de água doce.

A descoberta, segundo os especialistas, reforça teorias de que as hepáticas sejam as ancestrais de todas as plantas terrestres.

Cinco Variedades

A equipe de cientistas, liderada por Claudia Rubinstein, do Departamento de Paleontologia do Instituto Argentino de Nivología, Glaciología y Ciencias Ambientales (IANIGLA), coletou amostras de sedimentos no rio Capillas, nas Sierras Subandinas e na Bacia Central Andina, no noroeste da Argentina.

Os esporos das hepáticas são as plantas mais antigas já encontradas

O grupo dissolveu as amostras em ácidos, tomando cuidado para evitar contaminação por outros materiais.

No sedimento, os cientistas encontraram esporos (unidades reprodutoras das plantas) fossilizados de cinco espécies de hepáticas.

"Esporos de hepáticas são muito simples e são chamados de criptosporos", disse Rubinstein à BBC. "Os criptosporos que descrevemos (no estudo) são os mais antigos até agora."

Criptosporos se assemelham a esporos de plantas modernas, exceto por possuírem um arranjo estrutural pouco comum.

Os exemplares encontrados pela equipe, com idades entre 471 e 473 milhões de anos, pertencem a plantas de cinco espécies.

"Isto mostra que as plantas já tinham começado a se diversificar, o que significa que devem ter colonizado a terra antes do período (em que se originaram) nossas amostras", disse Rubinstein, que fez sua descoberta com a colaboração de cientistas de universidades da Argentina, Bélgica e Espanha.

Os pesquisadores calculam que a colonização tenha ocorrido no início do período Ordoviciano (entre 488 e 472 milhões de anos atrás) ou mesmo no final do período Cambriano (entre 499 e 488 milhões de anos atrás).

Origem

Fósseis foram encontrados nas rochas das Sierras Subandinas, Argentinas

O recorde anterior para a mais antiga planta terrestre já encontrada havia sido estabelecido na Arábia Saudita e República Tcheca, onde foram encontrados criptosporos de hepáticas datando do período entre 463 e 461 milhões de anos atrás.

Os criptosporos da Argentina também oferecem aos cientistas pistas de onde as plantas terrestres teriam surgido.

"Provavelmente, isso aconteceu em Gonduana, como já foi demonstrado em descobertas anteriores, porém muito longe, a pelo menos 5 mil km de distância da Arábia Saudita e República Tcheca, onde traços de outras plantas terrestres antigas foram encontrados", disse Rubinstein.

Gonduana é o continente hipotético que teria existido no hemisfério sul, e que teria incluído a América do Sul, a África, o subcontinente indiano, a Austrália e a Antártida

As plantas terrestres evoluíram de hepáticas para musgos e depois para antocerotas e licopódios.

Mais tarde, surgiram as pteridófitas (grupo a que pertencem as samambaias) e, finalmente, as plantas com sementes.

Teste nuclear nos EUA causa indignação Hiroshima e Nagasaki

13 de outubro de 2010 | 15h 36 EFE
Chamado teste subcrítico não envolve a detonação de uma arma nuclear

As cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, alvos de ataques nucleares ao fim da Segunda Guerra Mundial, consideraram deploráveis o teste nuclear efetuado pelos Estados Unidos em setembro.

O teste, o primeiro deste tipo realizado desde 2006, ocorreu em 15 de setembro em um centro em Nevada (EUA), mas foi confirmado oficialmente pelo Departamento de Energia desse país somente na terça-feira, informou o jornal Japan Times.

"Deploro profundamente. Esperava que o presidente Obama assumisse a frente com relação à eliminação de armas nucleares", declarou o governador de Nagasaki, Hodo Nakamura, em entrevista coletiva.

O prefeito dessa cidade, Tomihisa Taue, mostrou "temor e preocupação" pelo teste, que considera um passo atrás no caminho em direção ao mundo livre de armas nucleares, como disse à agência Kyodo.

O teste gerou protestos entre os cidadãos de Hiroshima e Nagasaki, incluindo vários sobreviventes das bombas atômicas que assolaram as cidades em agosto de 1945.

"Não podemos tolerar uma ação dos EUA que trai a promessa do presidente Barack Obama de avançar em direção ao mundo sem armas atômicas", disse o subdiretor do Conselho de Vítimas da Bomba Atômica de Hiroshima, Yukio Yoshioka.

O governo japonês ressaltou que não tem intenção de protestar formalmente pelo teste, chamado subcrítico, já que nessa modalidade não se chega a alcançar uma reação nuclear em cadeia.

Segundo a imprensa japonesa, o teste de setembro é a primeira deste tipo realizada sob a administração do presidente Barack Obama, premiado com o Nobel da Paz 2009.

Com este, sobe para 26 os testes nucleares subcríticos feitos pelos Estados Unidos desde julho de 1997, quando ocorreu o primeiro deles.

Washington considera que os testes não violam o Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT), já que não geraram reações em cadeia e tampouco energia nuclear.

Para os EUA, este tipo de experiência tem como objetivo de investigar a ação física e química dos materiais de fissão usados para as armas nucleares, necessários para manter a segurança do arsenal nuclear.