segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Google investe em sistema de energia eólica longe da costa dos EUA


projeto chamado de Atlantic Wind Connection pretende criar sistema de transmissão de energia eólica suficiente para abastecer 1.900 famílias
Terça-feira, 12 de outubro de 2010 às 13h20

O Google anunciou que está investindo em um projeto chamado de Atlantic Wind Connection, ou Conexão Atlântica de Vento, em tradução livre. O investimento é uma tentativa de criar um sistema de transmissão de energia eólica longe da costa que liga as turbinas através de vários quilômetros.

Será utilizado um cabo submarino projetado para transportar a energia ligando diversos parques eólicos longe da costa à rede elétrica norte-americana. Os custos para a construção do projeto estão estimados em US$5 bilhões, de acordo com o The New York Times.

O sistema seria capaz de gerar 6 mil megawatts, potência suficiente para abastecer 1.900 famílias. De acordo com o Google, o projeto facilita a ampliação da energia eólica longe da costa.

O projeto é de responsabilidade da companhia independente de transmissão Trans-Elect e os fundos vêm do Google, do investidor em energia renovável Good Energies e da empresa Marubeni, uma investidora japonesa.

Segundo a Trans-Elect, a previsão é que a construção comece em 2013 e com finalização em 2021.

BNDES ajudou a patrocinar desmatamento da Amazônia, diz TCU

23 de outubro de 2010 | 15h 44 Marta Salomon - O Estado de S. Paulo
A auditoria aponta falha na coordenação dos programas do governo, a cargo da Casa Civil
Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) atribuiu a uma “falha” da Casa Civil o choque entre duas políticas públicas do governo Lula. Nos dois últimos anos, o BNDES investiu bilhões em frigoríficos, contribuindo para o avanço da pecuária na Amazônia, na contramão da política de combate ao desmatamento.

Veja também:

A evolução do desmatamento na Amazônia

Entre 2008 e 2010, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social investiu cerca de R$ 10 bilhões em grandes frigoríficos, como JBS, Bertin (que se fundiram) e Marfrig. A compra de participação acionária dessas empresas pelo banco pretendia consolidar a posição do País como principal exportador mundial de proteína animal.

O “complexo carnes” deveria se tornar o principal setor exportador do agronegócio brasileiro, de acordo com a Política de Desenvolvimento Produtivo do Ministério do Desenvolvimento. Nessa época, o próprio governo já havia reconhecido a pecuária como o maior motivo do abate da Floresta Amazônica.

Faltou coordenação no governo para evitar trombadas entre as duas políticas, aponta o tribunal. “Foram identificadas falhas na articulação e coordenação, a cargo da Casa Civil”, entre os diferentes programas de governo. A Casa Civil era comandada à época por Dilma Rousseff, que não é citada pelo TCU.

A ministra era, formalmente, a coordenadora de todos os programas do governo espalhados pelos vários ministérios. O próprio presidente da República, tão logo começou a campanha eleitoral, apresentou-a ao eleitorado como sendo a segunda pessoa mais importante na estrutura de governança do País.

Questionada sobre a conclusão dos auditores, a Casa Civil argumentou que contribuiu para a redução do desmatamento na Amazônia. A taxa anual anunciada no final de 2009 foi a mais baixa em 20 anos: 7,4 mil quilômetros quadrados. “Isso não significa que estamos satisfeitos. Precisamos continuar melhorando e sempre há espaço para isso”, afirmou a Casa Civil.

Na época do grande investimento em frigoríficos, relatórios oficiais mostravam que a pecuária dominava 80% das áreas desmatadas. Em 2006, a Amazônia concentrava a terça parte do rebanho nacional. Em 2007, o ritmo das motosserras voltara a crescer. Com o dinheiro do BNDES, os frigoríficos reforçaram o avanço da pecuária na Amazônia: todos têm estabelecimentos industriais na região.

“Como consequência, verificou-se que alguns frigoríficos beneficiados pelo BNDES adquiriram gado de fazendas envolvidas com desmatamento ilegal e trabalho escravo”, relata auditoria aprovada pelo TCU.

A auditoria avaliou a suspeita de que empréstimos e investimentos do BNDES estimularam o desmatamento ilegal na Amazônia.

Os investimentos do BNDES em empresas frigoríficas desde 2005 somaram R$ 12,7 bilhões. O tribunal avaliou também créditos do Banco da Amazônia e do Banco do Brasil, num total de investimentos de R$ 31 bilhões, que alcança parte do crédito rural concedido na década.

No momento em que os auditores foram a campo, não foi constatado descumprimento da legislação ambiental. Mas o relatório lembra que a prova de regularidade por parte dos tomadores de dinheiro começou a ser exigida em julho de 2008. E que esse controle não verifica os documentos nem avalia os impactos na cadeia produtiva.

Somente no fim de 2009, o BNDES passou a cobrar dos frigoríficos beneficiados que não comprassem gado de áreas desmatadas. Foi uma reação à pressão do Ministério Público do Pará contra o gado ilegal, que contou com o apoio de grandes cadeias de supermercados. A reação do BNDES veio seis meses depois de um estudo da ONG Amigos da Terra ter identificado o avanço dos grandes frigoríficos na Amazônia, patrocinado por investimentos do banco.

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo estadual

Seca faz o Rio Negro descer ao menor nível já registrado
24 de outubro de 2010 | 18h 43 Alessandra Karla Leite - Agência Estado
A seca do Rio Negro, em Manaus, bateu a marca de 1963 e registrou a cota mínima de 13,63 m, um centímetro abaixo do verificado naquele ano, considerado, até a manhã deste domingo, o nível mais baixo da história O recorde foi confirmado pelo encarregado do serviço hidrográfico do Porto da capital, Valderino Pereira da Silva.

Técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) acompanharam a medição realizada hoje, data em que Manaus completa 341 anos, no terminal de contêineres do porto, área central da capital. Dos 62 municípios, pelo menos 40 já decretaram estado de emergência.
A Defesa Civil do Amazonas, em parceria com o Exército Brasileiro, usará helicópteros para prestar atendimento aos atingidos pela seca, com o envio de água potável e mantimentos. A prioridade será o município de Tefé (a 516 quilômetros em linha reta de Manaus) onde comunidades estão totalmente isoladas.

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo do Amazonas.
Em 2009, o rio bateu o recorde da maior cheia da série histórica do CPRM. Em julho do ano passado, foi atingida a marca de 29,77, ultrapassando os 29,69 metros da cheia de 1953. A medição é realizada desde 1902.

Segundo informações do setor da previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Manaus, a expectativa de chuvas, na área que corresponde ao Rio Negro, refere-se apenas em áreas isoladas.

MP fiscalizará obras do Parque da Água Branca

25 de outubro de 2010 | 12h Tiago Dantas - Jornal da Tarde
Frequentadores denunciaram desrespeito ao tombamento da área verde; administração diz que revitalização segue a lei
A reforma do Parque da Água Branca, na zona oeste da capital, será vistoriada mais uma vez esta semana por técnicos do Ministério Público. O promotor Washington Luís de Assis quer saber se as obras de revitalização do local estão respeitando o tombamento da unidade. Caso encontre alguma irregularidade durante a visita, Assis pode pedir a paralisação dos trabalhos. A administração do parque nega qualquer

problema.
Polêmica das obras se estende desde abril

Em 14 de setembro, a reforma foi paralisada após um técnico verificar que faltavam licenças ambientais e só foi retomada depois de a papelada ser regularizada.

Agora,um arquiteto designado pelo MP vai verificar se os postes de luz do início do século 20 que ficam em frente à sede do Fundo Social de Solidariedade foram trocados por outros equipamentos de material diferente, se os operários colocaram piso frio no lugar de madeira nobre em um dos prédios da unidade e
se as portas das coxias foram substituídas.

As denúncias foram feitas ao promotor anteontem, durante uma reunião com frequentadores do parque que, descontentes com a maneira como a reforma está sendo feita, montaram o grupo SOS Parque da Água Branca.

“Estão descaracterizando o parque. Está virando uma praça de shopping”, disse Paulo Cauhy, um dos integrantes do grupo.“Isso é muito grave.Se for verdade, é crime contra o patrimônio público”, afirmou Assis.
Realizada em um auditório cedido pela administração do parque, a reunião foi acompanhada por, pelo menos, 32 pessoas e durou quatro horas.

“Estão gastando R$ 12 milhões em uma reforma que seria evitada com manutenção”, opinou o presidente da associação Preserva São Paulo,Jorge Eduardo Rubies. Segundo o SOS Água Branca,o último contrato de manutenção venceu há seis anos.

O promotor afirmou que pretende marcar até 6 de novembro uma audiência pública com todas as partes envolvidas na questão.

A ideia é preparar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para formalizar um acordo que garanta, entre outras coisas, que seja feito um plano de manejo para animais e plantas.
Parte dos frequentadores insiste que a obra deveria parar até que o governo do Estado, responsável pela administração do parque, entregue a eles o projeto da reforma e as autorizações ambientais e dos órgãos de patrimônio público.“

Se tivéssemos acesso ao projeto antes, não haveria problema”, avalia a advogada Cláudia Lukianchuki de Lacerda, também integrante do SOS.

O diretor do Parque da Água Branca, José Antônio Teixeira nega que um piso de madeira nobre tenha sido substituído por um piso frio.“Desconheçoisso”, disse. Ele confirma que houve mudanças nos dois outros pontos levantados pelos frequentadores do parque, mas sempre dentro do previsto em lei. “As portas das coxias estavam bem avariadas e foram substituídas por outras novas iguaizinhas às antigas”, afirma.Sobre os postes de luz do início do século 20 ,Teixeira diz que “foram recolocados no local onde estavam quando começaram a funcionar, em 1929”. Segundo ele, a reforma tem autorização dos órgãos ambientais e de patrimônio.

Turismo no Rio Nilo causa contaminação da água

25 de outubro de 2010 | 12h 12 O Estado de S. Paulo

Desfrutar de um cruzeiro no Rio Nilo não é um turismo inofensivo. A hospedagem nos hotéis flutuantes da região é uma das causas para a contaminação de suas águas, que correm o risco de não estarem mais aptas ao consumo em 15 anos.

Segundo o Centro Habi para os Direitos Ambientais, cerca de 300 cruzeiros fazem a rota entre Luxor e Asuán. Os navios não têm um tratamento eficiente das águas residuais, que são descartadas no rio. Isso também prejudica a saúde pública: 17 mil crianças morrem de gastroenterite ao ano por beber água contaminada do Nilo.

Polêmica na reforma do Parque da Água Branca

25 de outubro de 2010 | 12h 13
A revitalização do Parque da Água Branca causa polêmica desde o início. Em abril, quando a primeira-dama Deuzeni Goldman apresentou o plano da reforma, a praça de alimentação foi alvo de críticas dos moradores, que temiam que o local ficasse “como um shopping”.

Em agosto, um suposto corte irregular de árvores culminou no embargo da reforma no mês seguinte pelo MP, que constatou ainda problemas nos tanques do lago e a demolição de um prédio anexo à mina de água. As obras foram liberadas no fim de setembro, quando o parque passou a funcionar até as 22h.

Empresa pede para perfurar o Golfo do México

25 de outubro de 2010 | 12h 26 O Estado de S. Paulo

Pedido é apresentado seis meses após o maior vazamento de óleo da história

Uma empresa apresentou o primeiro pedido de prospecção de petróleo e gás nas águas profundas do Golfo do México desde que a exploração foi temporariamente interrompida após o maior vazamento de óleo da história dos EUA, envolvendo uma plataforma da British Petroleum (BP).

O pedido é de 12 de outubro – quando foi suspensa a moratória. O governo não informou o nome da empresa e disse que ela será submetida a novas regras e inspeção.

Seca faz o Rio Negro descer ao menor nível já registrado

24 de outubro de 2010 | 18h 43 Alessandra Karla Leite - Agência Estado

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo estadual
A seca do Rio Negro, em Manaus, bateu a marca de 1963 e registrou a cota mínima de 13,63 m, um centímetro abaixo do verificado naquele ano, considerado, até a manhã deste domingo, o nível mais baixo da história O recorde foi confirmado pelo encarregado do serviço hidrográfico do Porto da capital, Valderino Pereira da Silva.

Técnicos do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) acompanharam a medição realizada hoje, data em que Manaus completa 341 anos, no terminal de contêineres do porto, área central da capital. Dos 62 municípios, pelo menos 40 já decretaram estado de emergência.
A Defesa Civil do Amazonas, em parceria com o Exército Brasileiro, usará helicópteros para prestar atendimento aos atingidos pela seca, com o envio de água potável e mantimentos. A prioridade será o município de Tefé (a 516 quilômetros em linha reta de Manaus) onde comunidades estão totalmente isoladas.

Mais de 62 mil famílias foram afetadas pela estiagem, segundo cálculos do governo do Amazonas.
Em 2009, o rio bateu o recorde da maior cheia da série histórica do CPRM. Em julho do ano passado, foi atingida a marca de 29,77, ultrapassando os 29,69 metros da cheia de 1953. A medição é realizada desde 1902.

Segundo informações do setor da previsão do tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Manaus, a expectativa de chuvas, na área que corresponde ao Rio Negro, refere-se apenas em áreas isoladas.

Toxina de veneno de escorpião pode ser útil para pacientes cardíacos

22 de outubro de 2010 estadão.com.br

Substância evita que as células de veia enxertada em cirurgia se reproduzam em excesso e bloqueiem o sangue
Uma toxina encontrada no veneno de um escorpião da América Central, o Centruroides margaritatus, pode ajudar a reduzir as falhas em cirurgias coronárias, diz pesquisa da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

Potent suppression of vascular smooth muscle cell migration and human neointimal hyperplasia by KV1.3 channel blockers (íntegra do estudo)

O estudo, publicado online pelo periódico Cardiovascular Research, informa que uma das toxinas do escorpião, a margatoxina, é pelo menos 100 vezes mais potente na prevenção de hiperplasia neointimal que qualquer outro composto.

Essa hiperplasia é a resposta do vaso sanguíneo a ferimentos. Ela desencadeia o crescimento de novas células, causando obstrução crônica da parte interna do vaso.

Quando uma veia é enxertada no coração durante a cirurgia coronária, a reação ao ferimento entra em ação, à medida que a veia tenta se adaptar ao novo ambiente e à diferença de pressão circulatória.

O crescimento de novas células ajuda a fortalecer a veia, mas o crescimento interno restringe o fluxo de sangue e pode causar o fracasso do enxerto.

A potência da margatoxina na supressão do mecanismo surpreendeu os pesquisadores, disse, por meio de nota, o pesquisador David Beech, principal autor do artigo que descreve a descoberta. "Estamos falando de umas poucas moléculas serem necessárias para obter o efeito", disse ele.

A toxina atua inibindo a atividade de um canal específico de íon de potássio, um poro na membrana da célula que se abre e se fecha em resposta a sinais elétricos e, indiretamente, aumenta a passagem de íons de cálcio.

O pesquisador disse que a margatoxina provavelmente não se prestará ao uso como droga injetável ou de uso oral, mas poderia ser usada como spray a ser aplicado diretamente na veia, antes do enxerto.

Força dos ventos gera energia e negócios no País

25 de outubro de 2010 |

Naiana Oscar e Renée Pereira - O Estado de S.Paulo

Com queda no preço da energia eólica, projetos do setor vão multiplicar por sete a capacidade instalada no Brasil até 2013
Era uma manhã de verão na praia de Taíba, a 55 quilômetros de Fortaleza (CE). Não é possível descrever com exatidão a paisagem naquele início dos anos 90, mas com certeza ventava. Vindo de Sorocaba, o engenheiro mecânico Pedro Vial atravessou as dunas de buggy, fincando hastes de metal na areia - dez ao todo. "De longe, parecia um campo de golfe", lembra. Mas era a pedra fundamental da primeira usina comercial de energia eólica no País.

As hastes provisórias indicavam o lugar onde mais tarde seriam instalados dez cataventos mais altos que o Cristo Redentor, no Rio. Ali, de frente para o mar, eles teriam de gerar 5 megawatts (MW) por hora - o suficiente para abastecer 100 mil residências em um ano. Vial conhecia pouco, ou quase nada, de usinas eólicas. Mas tinha acabado de ser apresentado a um empresário alemão, perito no assunto, que vislumbrou, antes de muitos, o potencial brasileiro.

Aloys Wobben, dono da Enercon, uma das maiores fabricantes de aerogeradores do mundo, incumbiu o engenheiro de Sorocaba de iniciar a operação no Brasil. "Quando comecei a oferecer nossos projetos para governos e concessionárias, parecia que eu estava recitando poesia, era coisa de desocupado", lembra Vial.

A usina de Taíba entrou em operação em janeiro de 1999. Desde então, a multinacional alemã, aqui chamada Wobben Windpower, ergueu 16 usinas no Brasil. Na porta da sala do engenheiro, uma mensagem impressa em papel sulfite dá noção do que foram esses últimos anos e do que vem pela frente: "Depois que o tigre é morto, todo mundo é caçador." Após uma década, explorando praticamente sozinha o mercado nacional, a empresa terá de disputar o tigre com os primeiros concorrentes. Eles estão chegando de todas as partes do mundo para explorar os ventos que sopram no País.

Alguns já fincaram suas bandeiras em território nacional e estão com a produção a plena carga, como a argentina Impsa e a americana GE. A francesa Alstom vai inaugurar sua unidade na Bahia em 2011. A corrida para abocanhar uma fatia do mercado conta ainda com a espanhola Gamesa, a indiana Suzlon, a dinamarquesa Vestas e a alemã Siemens. Multinacionais coreanas e chinesas podem engrossar o time, ávido por novos projetos.

A efervescência no setor é recente. Tem pouco mais de um ano. Antes disso, o preço da energia eólica era inviável para a realidade brasileira. Mas os ventos mudaram e os projetos deixaram de fazer parte da ideologia dos ambientalistas para virar alternativa de abastecimento energético do País.

Virada. Com a crise internacional, o consumo de energia recuou no mundo todo e os projetos de novas usinas foram paralisados, deixando as fábricas de equipamentos com a capacidade ociosa elevada, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Como o Brasil saiu rapidamente da crise e o consumo de energia passou a crescer 12% ao ano, os fabricantes globais se voltaram para o País.

O interesse cada vez maior das multinacionais pelo mercado brasileiro se refletiu diretamente nos preços da energia, que surpreenderam até os mais otimistas do setor no primeiro leilão de eólicas, em dezembro de 2009. Em média, os valores ficaram em R$ 148 o megawatt/hora (MWh) - um ano antes, custavam mais de R$ 200. Oito meses depois, o improvável ocorreu: o preço recuou para R$ 130 - mais baixo que os das tradicionais pequenas centrais hidrelétricas e das usinas de biomassa.

Na prática, os leilões representam a construção de 161 unidades até 2013. Hoje, são 45. A capacidade instalada vai crescer até sete vezes no período, saindo dos atuais 700 MW para 5.250 MW - resultado de uma montanha de investimentos, da ordem de R$ 18 bilhões, segundo o presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (AbeEólica), Ricardo Simões.

Perspectiva. A formação desse plano de investimentos e a expectativa de leilões regulares de energia eólica ajudaram a reforçar a aposta estrangeira no País. "O Brasil está se preparando para ter 20% de energia eólica até 2020", diz Arthur Lavieri, que há dois meses assumiu o controle da Suzlon. A multinacional anunciará até novembro o nome da cidade, no Ceará, que vai receber sua fábrica de aerogeradores. Será a única nova unidade do grupo até 2011. "Brasil, Índia e China são os três maiores mercados eleitos pela Suzlon", diz.

Bem antes de se decidir pelo investimento, porém, a Suzlon já experimentava os retornos do mercado brasileiro: 47% da energia eólica do País são produzidos com equipamentos da companhia. No passado, as máquinas eram importadas. Agora, tudo será feito com mão de obra nacional - a fábrica terá capacidade para produzir até 600 pás e 500 MW de turbinas por ano.

A Siemens, referência mundial na produção de turbinas para hidrelétricas, também corre para conquistar uma fatia do mercado. Para estrear na produção de geradores eólicos no Brasil, a alemã planeja uma nova fábrica no Nordeste. A alternativa da gigante GE foi fazer um "puxadinho" na sua unidade em Campinas para atender os contratos firmados no primeiro leilão de energia eólica, no fim de 2009.

Na ocasião, foram contratados 300 aerogeradores, com capacidade em torno de 450 MW. No segundo leilão, ela conquistou outra leva de pedidos, que somam quase 500 MW. A demanda elevada já mudou os planos da empresa, que estuda quatro locais para instalar uma nova fábrica, inclusive no Nordeste. Esta também foi a região escolhida pela Impsa, que construiu uma unidade em Pernambuco, com capacidade para produzir 600 MW por ano em turbinas.

Investidores. Todos esses fabricantes de equipamentos firmaram pré-contratos com os investidores que participaram dos leilões e que vão construir as usinas. Uma das empresas que mais fecharam negócios nos últimos dois leilões é a brasileira Renova. Com dez anos de mercado, ela fatura hoje R$ 37 milhões. Até 2013, esse valor vai quase multiplicar por dez com os novos contratos. A espanhola Iberdrola também teve forte participação nas disputas e já encomendou equipamentos da fabricante Gamesa, que tem planos de abrir fábrica na Bahia.

Para a pioneira Wobben, tantos concorrentes devem representar um recuo na participação no mercado, de 50% para 35%. Mas Pedro Vial parece tão hipnotizado com as perspectivas do setor que tem deixado a preocupação com os novos competidores em segundo plano. A multinacional fabrica em média 20 aerogeradores por mês. São peças gigantes: só as pás pesam 6,5 toneladas cada uma e, os geradores, outras 61 toneladas. Até 2009, 80% das máquinas eram vendidas para o exterior. Aos poucos, as usinas brasileiras têm ganhado mais espaço no portfólio da empresa. Em 2010, as exportações já caíram para 60%. No ano que vem, não devem passar de 15%.

Perto da Wobben, em Sorocaba, está instalada outra gigante do setor, a Tecsis, segunda maior fabricante de pás do mundo. A empresa fundada por engenheiros do Centro de Tecnologia Aeroespacial de São José dos Campos tem dez unidades de produção. Em 15 anos de existência, todas as 30 mil pás produzidas foram exportadas. Não havia nenhuma pá da Tecsis girando em usinas brasileiras até o início deste mês, quando os equipamentos foram inaugurados num parque eólico da Impsa.

"Já tive a oportunidade de ver nossas pás em operação no Japão, nos EUA, na Europa, e era uma frustração não vender para o Brasil", diz o presidente da Tecsis Bento Koike. "Nossos clientes não olhavam para esse mercado, porque não interessava." Agora, a situação mudou. Cerca de 85% dos projetos contratados nos dois leilões terão pás da Tecsis. Para atender à demanda brasileira, a empresa vai montar uma fábrica no complexo industrial de Suape, em Pernambuco.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Trabalhadores foram ameaçados para não denunciar riscos de acidente

13 de outubro de 2010 | 12h 12 Efe

Ex-diretor, que já foi preso por negligência, sabia sobre más condições da represa que se rompeu
BUDAPESTE - Funcionários da empresa que causou o vazamento tóxico na Hungria foram ameaçados de demissão para que não denunciassem o mau estado do reservatório de acumulação de lama tóxica, onde abriu-se uma brecha no último dia 4 de outubro.

Veja também:
Sobe para 9 os mortos pelo vazamento tóxico na Hungria

Segundo informou nesta quarta-feira, 13, o jornal "Népszabadság" em sua edição digital, os testemunhos desses trabalhadores da metalúrgica MAL assinalam que Zoltan Bakonyi, o ex-diretor da empresa, dispunha de informações sobre infiltrações na parede que acabou rompendo.

De acordo com "Népszabadság", Bakonyi "gastou energias em semear o medo nos que se preocupavam com o estado do dique" do que em conter as fugas de material tóxico.

Bakonyi foi detido na segunda-feira sob a acusação de negligência. A empresa está sob intervenção do Estado.

A ONG WWF/Adena denunciou há dias uma série de fotografias feitas em junho em que é possível ver vazamentos de lama no muro do reservatório.

Número de baleias jubarte encontradas mortas no Brasil bate recorde

13 de outubro de 2010 | Associated Press - AP

Doenças ou aquecimento dos mares podem estar aumentando a taxa de mortalidade
Cientistas dizem que o número de baleias jubarte encontradas mortas no Brasil neste ano é o maior já registrado.

Milton Marcondes, do Instituto Baleia Jubarte, disse que pelo menos 75 morreram em 2010. O recorde anterior, 41, era de 2007.

Segundo Marcondes, a maioria morreu no mar, e suas carcaças chegaram ao litoral brasileiro.

Algumas encalharam ainda vivas e pereceram. Ele disse que as mortes refletem uma taxa maior de mortalidade.

Pesquisadores estão averiguando se doença pode ser um fator, ou se o aquecimento dos mares estaria afetando o suprimento de alimentos.

Jubartes viajam da Antártida para as águas brasileiras para se reproduzir, entre julho e novembro.

Novas usinas condenam hidrovias

Renato Andrade e Leonardo Goy - O Estado de S. Paulo 13 de outubro de 2010
Potencial de navegação no País é de 63 mil quilômetros, mas só 20,6% são usados; usinas a fio d'água vão complicar a situação ainda mais

A solução encontrada por técnicos em engenharia do setor elétrico para construir hidrelétricas na Amazônia, sem a necessidade de grandes alagamentos e pânico entre ambientalistas vai dificultar a implantação de hidrovias na região.

Os reservatórios gigantes, utilizados durante anos na construção de usinas, acabavam “corrigindo” as corredeiras e quedas d’água, o que facilitava a navegação. Sem eles, a passagem de barcaças com carregamentos só será feita com a construção, em alguns casos, de um número quase três vezes maior de eclusas – espécie de comporta que permite embarcações subirem e descerem os rios.

Para contornar as barreiras ambientais e explorar a capacidade de geração de energia nos rios amazônicos, o setor elétrico abandonou o velho modelo de construção de hidrelétricas e passou a desenvolver projetos conhecidos como usinas fio d’água. Essa nova forma busca concentrar o fluxo do rio para movimentar as turbinas, evitando alagamento de grandes áreas.

A hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), é um exemplo de usina fio d’água. Na década de 70, quando começou a ser estudado, o empreendimento com 11.233 megawatts (MW) de potência resultaria no alagamento de área de 1.200 quilômetros quadrados, o equivalente a mais de dois terços da cidade de São Paulo. Com as mudanças no projeto, a área alagada caiu para 516 quilômetros quadrados.

As cinco usinas que o governo pretende construir no Rio Teles Pires (MT) até 2016 também serão feitas pela nova modelagem. Isso vai postergar mais uma vez a construção da hidrovia Teles Pires-Tapajós, o que desagrada produtores rurais da região.

Segundo Luiz Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), se o modelo antigo de usina fosse usado em Teles Pires, o governo teria de construir seis hidrelétricas, com uma eclusa ligada a cada projeto, para garantir a navegabilidade dos 1,4 mil quilômetros entre a foz do Tapajós e o município de Nova Canaã do Norte (MT).

Pelo novo modelo, o número de eclusas a serem construídas para garantir a navegabilidade subirá para 14. “Esse é o problema do fio d’água. Acrescenta custo. É preciso fazer mais eclusas, trabalhar mais os rios, fazer derrocagem (retirada de pedras), canais de navegação”, diz Pagot.

Estudos preliminares indicam que, para garantir a navegação do Teles Pires seriam necessários cerca de R$ 14 bilhões em investimentos, ou seja, R$ 1 bilhão para cada 100 quilômetros de rio. O problema é que o potencial de carga a ser transportada é de, no máximo, 5 milhões de toneladas por ano.

Prioridades

Apesar da vontade de aumentar o transporte de cargas pelos rios, o investimento em rodovias e ferrovias ainda está no topo da lista de prioridades do governo. O potencial de navegação no País é de 63 mil quilômetros, mas só 20,6% são usados. Segundo estimativas da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as hidrovias respondem por 11% das cargas transportadas pelo País, enquanto as rodovias abocanham 60%.

“Não temos recursos para ficar esbanjando e o cobertor é curto”, diz Pagot. “Dar condições de navegação para um rio através de eclusas, barragens, derrocamento e não ter carga para transportar não faz sentido.”

A importância das hidrovias também pesa na hora de decidir onde investir. Se o investimento estimado para Teles Pires fosse aplicado no Tietê-Paraná, a quilometragem de navegação no complexo saltaria dos atuais 700 quilômetros para 2,2 mil quilômetros e o volume de carga transportada passaria de 5 milhões de toneladas/ano para 30 milhões. O Tietê-Paraná beneficia regiões em cinco Estados. “Talvez até 2018 a gente esteja com a nova hidrovia do Tietê-Paraná pronta e até 2030 com Teles Pires-Tapajós”.

Energias renováveis

13 de outubro de 2010 | 17h 20 Adriano Pires e Abel Holtz

Num período de mudanças climáticas e restrições a emissões cada vez maiores, é importante focarmos nosso desenvolvimento na direção de uma economia de baixo carbono. Nesse sentido, é essencial valorizar as fontes alternativas de geração de energia elétrica que não adicionam emissões e explorá-las de forma crescente e em harmonia com a construção de hidrelétricas com reservatórios para equilibrar a sazonalidade e as oscilações dessas fontes alternativas. Tudo com responsabilidade e critérios técnicos e sem nos deixarmos levar por modismos ou por ações “politicamente corretas”. Essa harmonia é necessária porque as energias da biomassa e eólica, apesar de complementares às hidrelétricas, não atenderiam à “ponta” do consumo. Por isso a importância das térmicas a gás natural para firmar as hidrelétricas a fio de água da Amazônia.

Sabemos que o potencial do Brasil em energia eólica é hoje estimado em cerca de 300 GW a 400 GW, que são empreendimentos de rápida implantação e não têm impacto social de grande monta. Um dos benefícios da inserção da geração dessa energia no parque gerador brasileiro decorre do fato de ela complementar a geração hidrelétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). Por exemplo, de junho a setembro, quando a vazão no Rio São Francisco diminui, ocorre maior incidência de ventos no vale do rio. Logo, a complementaridade poderá contribuir para aumentar a segurança do abastecimento energético, principalmente na Região Nordeste.

A capacidade instalada mundial de energia eólica alcançou em 2009 157,9 GW, um crescimento de 31% em relação a 2008. Em termos absolutos, os EUA têm a maior capacidade de geração eólica (35,1 GW); seguidos por Alemanha, 25,7 GW; China, 25,1 GW; Espanha, 19,1 GW; e Índia, 10,9 GW.

A energia da cana-de-açúcar, além do etanol, pode propiciar-nos nos próximos anos, por meio do bagaço da cana, 12 GW somente com as atuais usinas. Ou seja, uma nova Itaipu. No caso da biomassa de cana, a tecnologia já está dominada e seu contínuo desenvolvimento já se dá de forma natural. No caso das eólicas, há uma tendência de ampliação de sua competitividade na medida em que as indústrias se desenvolvam, tornando o Brasil uma plataforma de produção com domínio tecnológico dos aerogeradores e componentes.

No caso da biomassa, há problemas para o seu avanço como importante geradora de energia. Por exemplo, a conexão das usinas ao SIN, que poderia ser resolvida com a transmissão sendo levada até as usinas; e a não existência de leilões por fonte e por submercados. Em São Paulo a rede da CPFL, por exemplo, não está dimensionada para transportar produção, mas para suprimento da carga, uma realidade insustentável.

Está sendo elaborada uma regulamentação que permita estabelecer redes coletoras para interligar as usinas ao SIN. A solução seria planejar uma rede coletora de geração distribuída (GD) composta por ramais de rede básica (>230kV) e uma subestação coletora de GD localizada no centro de gravidade da GD (bioeletricidade, PCHs, UTEs) e “no pé de torre” da rede básica existente, com mínimo custo global.

O fato novo e que chamou a atenção no último leilão de energia foi o desempenho da energia eólica. A complementaridade com as UHE’s é biunívoca, seja eólica no Nordeste, seja biomassa no Sudeste. Necessita-se, com urgência, definir a energia assegurada dessas fontes por certificadora independente. Essa definição é fundamental, na medida em que teremos os preços dessas energias próximos à realidade de cada uma e, ao mesmo tempo, impediremos que produtores, no afã de ganhar leilões, forneçam fatores de carga que nunca serão alcançados. A atual assimetria da regulamentação da transmissão está fazendo com que as vantagens dessas fontes sejam transferidas ao preço de produção.

É necessário aplicar às fontes eólica e biomassa, o quanto antes, o mesmo conceito do Mecanismo de Realocação de Energia aplicável às hidrelétricas para ampliar o chamado “efeito portfólio”.

ADRIANO PIRES É DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE).

ABEL HOLTZ É ENGENHEIRO, CONSULTOR NA ÁREA DE ENERGIA E NEGÓCIOS

Acordo climático no México parece distante, dizem especialistas

13 de outubro de 2010 | 18h 30 ALISTER DOYLE - REUTERS
As divisões entre a China e os Estados Unidos tornam cada vez mais improvável que a conferência deste ano no México sobre o clima resulte em um novo acordo contra o aquecimento global, segundo especialistas reunidos no evento Reuters Global Climate and Alternative Energy Summit.

Na opinião deles, os 194 governos envolvidos podem na melhor das hipóteses concordar com medidas sobre a ajuda financeira e tecnológica para questões climáticas e ambientais nos países pobres, mas mesmo assim há riscos de impasse na conferência da ONU, que vai de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún.

"Se Cancún for uma grande frustração, obtendo nada ou muito pouco, então acho que muitos governos do mundo todo vão começar a dizer: 'O que resulta desse processo?'", disse a comissária (ministra) do Clima da União Europeia, Connie Hedegaard.

"Os cidadãos do mundo começarão a ficar cansados se tudo o que conseguirmos em Cancún for trocar acusações sobre de quem é a culpa por não fazer nada", acrescentou.

A conferência anterior da ONU, em 2009, em Copenhague, já fracassou na busca por um novo tratado de cumprimento obrigatório para substituir o Protocolo de Kyoto a partir de 2013.

O ritmo das negociações para a reunião de Cancún põe em dúvida até mesmo a possibilidade de que seja aprovado um conjunto de acordos mais reduzidos.

"Estamos numa situação muitíssimo perturbadora", disse Achim Steiner, diretor do Programa Ambiental da ONU, explicando que muitos países atribuem a inação à crise econômica.

Mas ele previu que incidentes climáticos como as inundações no Paquistão ou a seca na Rússia, que causou uma alta global no preço dos grãos, acabarão estimulando o mundo a adotar um novo tratado climático.

Christiana Figueres, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, afirmou que a conferência de Copenhague mostrou ao mundo que não existe uma "bala mágica" para resolver o problema climático.

Segundo ela, Cancún pode resultar em um conjunto de decisões -- financeiras, tecnológicas ou para a proteção de florestas tropicais -- que poderiam posteriormente ser consolidadas num tratado formal. "Os governos precisam, sim, redobrar seus esforços de agora até Cancún", afirmou ela.

G20

Alguns especialistas dizem que as discussões podem passar do âmbito da ONU para outros grupos, como o G20 -- que inclui todos os principais emissores de gases do efeito estufa, como China, EUA, União Europeia, Rússia e Índia.

"As discussões não estão indo a lugar algum", disse o dinamarquês Bjorn Lomborg, autor de "O Ambientalista Cético". Ele disse que o mundo deveria abandonar o processo da ONU e concordar em investir 100 bilhões de dólares por ano em tecnologias novas e limpas, como a solar e a eólica.

Mas Figueres e Steiner disseram ser errado prever o colapso das negociações da ONU.

Uma objeção a grupos como o G8 (só de grandes países industrializados) ou G20 (que inclui também os grandes emergentes) é que eles excluem 3 ou 4 bilhões de pessoas nos países pobres, como Bangladesh e os pequenos Estados insulares do Pacífico, que não tiveram responsabilidade sobre o aquecimento global, mas podem sofrer as piores consequências.

Steiner disse que o mundo não pode ignorar as opiniões desses países. "O processo multilateral é... um processo pesado e necessariamente lento... mas absolutamente indispensável", disse Figueres.

Na semana passada, na China, uma rodada final de negociações preparatórias para Cancún foi afetada por disputas entre Pequim e Washington, maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa.

Os EUA cobram mais empenho da China, que, por sua vez, diz que o maior ônus deve recair sobre os norte-americanos, por serem a maior economia mundial.

Para os investidores também as expectativas com Cancún são reduzidas.

"Seria legal ter a sensação de que (as negociações) estão se dirigindo para frente, e não para trás", disse Rob Lake, diretor de sustentabilidade e governança do fundo holandês de pensões APG.

Consultores da ONU afirmaram na terça-feira na Etiópia que é viável para os países ricos manterem a promessa feita em Copenhague de arrecadar 100 bilhões de dólares por ano em ajuda para os países em desenvolvimento a partir de 2020, apesar das medidas de austeridade fiscal entre muitas nações doadoras.

O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, que copresidiu o encontro, disse que as penalidades pela emissão de carbono devem ser uma importante fonte de recursos.

"Espero que este relatório seja uma... contribuição útil para as negociações", afirmou.

(Reportagem adicional de Pete Harrison, em Bruxelas; David Fogarty, em Cingapura; Gerard Wynn e Nina Chestney, em Londres; e Ernest Scheyder, em Nova York)




Aldeias húngaras afetadas pela lama não são mais habitáveis

13 de outubro de 2010 | Zsolt Szigetvary/EFE

Diretor de Toxicologia do Hospital de Budapeste diz que será impossível viver nas localidades

Viver nas aldeias afetadas no oeste da Hungria pela avalanche tóxica de "lama vermelha" não é mais possível, afirmaram vários especialistas e organizações ambientais que advertiram sobre os efeitos nocivos da contaminação da terra e do ar.

Acidente em fábrica de alumínio provoca avalanche com metais pesados"Deveríamos ter a coragem de dizer que é impossível viver nas duas localidades", disse Gábor Zacher, médico diretor da Toxicologia do hospital de Budapeste.

As localidades de Kolontár e Devecser, a 160 quilômetros ao sudoeste de Budapeste, foram as mais afetadas pela lama tóxica que vazou de uma represa da fábrica de alumínio MAL, causando nove mortes e mais de 150 feridos.

Zacher explicou que a longo prazo é preciso considerar que os tóxicos "permanecerão na terra, nas plantas e animais".

Com relação às substâncias químicas que estão envenenando a terra e o ar da região, Zacher reconheceu que "não se pode dizer nada muito concreto sobre os efeitos de longo prazo, já que não existem casos similares".

Em todo caso, advertiu que as partículas do alumínio, cuja concentração na lama é muito alta, podem chegar até o mais profundo dos pulmões, causando infecções.

O níquel pode causar outras doenças como asma, pneumonia e outros males crônicos, enquanto o ferro ataca os pulmões.

Diante desse perigo, as autoridades ordenaram há dois dias o uso obrigatório de máscaras e óculos protetores na região afetada, onde está sendo reconstruída a infraestrutura devastada e erguendo um muro de contenção por causa da possibilidade de uma segunda avalanche de lama tóxica.

A porta-voz de Defesa Civil, Gyorgyi Tottos, explicou que diante da agressividade das substâncias derramadas, os operários pediram hoje que suas máscaras sejam mudadas a cada duas horas.

Neste sentido, Gergely Simon, da organização meio ambiental Clean Air Action Group, explicou que o mercúrio inalado poderia causar graves problemas à saúde.

E como se isto não fosse o bastante, o bom tempo, sem chuvas, poderia fazer com que o pó tóxico se disperse em um raio de10 a 15 quilômetros, alertou Simon.

O analista lamentou a não publicação, até agora, dos resultados das pesquisas oficiais das autoridades, para determinar quais são as tarefas mais necessárias e urgentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE) enviaram aos povoados afetados equipes de analistas que averiguarão os possíveis impactos a curto e longo prazo da catástrofe, além de ajudar as autoridades locais a elaborar um plano preventivo.

No hospital de Ajka morreu hoje a nona vítima da catástrofe, uma pessoa idosa, oriunda de Kolontár.

Em diferentes instituições de saúde do país há ainda meia centena de hospitalizados, principalmente com queimaduras e traumatismos causados pela violência da onda.

Árpád Tóth, médico diretor de um hospital de Veszprém, explicou que os doentes internados nesta instituição não estão em perigo de vida, embora quatro ou cinco terão de ser submetidos a procedimentos de cirurgia plástica.

O diretor de MAL, Zoltán Bakonyi, detido nesta semana sob a acusação de negligência, foi libertado nesta quarta, já que a promotoria não pôde argumentar de forma convincente as acusações.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse na segunda-feira que o episódio foi consequência de um erro humano e que os responsáveis seriam "castigados severamente".

Terremoto de magnitude 5,4 atinge Japão, diz agência

4 de outubro de 2010 | AE - Agência Estado

Um terremoto com magnitude preliminar de 5,4 atingiu o sudeste de Hokkaido, uma ilha no norte do Japão, informou a agência de notícias Kyodo. Segundo a Agência Meteorológica do

Japão, o terremoto ocorreu na noite de hoje (hora local).

Não há alerta de tsunami, nem informações sobre feridos ou danos. O epicentro do furacão fica ao sul da região de Tokachi, a uma profundidade de cerca de 60 quilômetros. As informações são da Dow Jones.




Inundanções custarão US$ 9,7 bilhões ao Paquistão, diz estudo

14 de outubro de 2010 | 12h 32 Reuters

Setores agrícolas são os mais afetados; danos também remetem à infraestrutura

ISLAMABAD - As enchentes de agosto e setembro no Paquistão causaram danos em fazendas, casas e na infraestrutura que custarão aproximadamente US$ 9,7 bilhões ao país, informaram nesta quinta-feira, 14, o Banco de Desenvolvimento da Ásia (ADB, na sigla em inglês) e o Banco Mundial.

Um estudo dos danos feito pelas instituições aponta que a agricultura - principal setor econômico do Paquistão - e a pecuária foram as áreas mais atingidas pelo desastre, que deixaram a já frágil situação econômica do Paquistão ainda pior. As enchentes deixaram mais de 10 milhões de pessoas desabrigadas e afetaram um total de 20 milhões.

"As enchentes que varreram o Paquistão desde o fim de julho causaram um prejuízo estimado de US$ 9,7 bilhões à infraestrutura, às fazendas, às casas e perdas diretas e indiretas em outros setores", diz o relatório dos bancos.

O estudo considerou 15 setores chave no Paquistão. A estimativa inclui prejuízos diretos, perdas indiretas e custos de reconstrução.

Baleia recordista viaja 10 mil km do Brasil ao Oceano Índico para acasalar

13 de outubro de 2010 | 4h 57
Animal que saiu de Abrolhos e foi parar em Madagascar realizou o maior movimento de migração sazonal já registrado pela espécie.

Baleias-jubarte são conhecidas por longos deslocamentos para acasalar

Um baleia-jubarte estabeleceu um recorde mundial ao nadar quase 10 mil quilômetros do arquipélago de Abrolhos, na costa brasileira, à ilha de Madagascar, na costa leste da África, na tentativa de acasalar.

O animal foi fotografado pela primeira vez em Abrohos no dia 7 de agosto de 1999. No dia 21 de setembro de 2001, por puro acaso, foi clicada novamente por participantes de um passeio para observar baleias perto da ilha Sainte Marie, no Oceano Índico.

Cientistas de um projeto de monitoramento do deslocamento de baleias-jubarte no Atlântico (Antarctic Humpback Whale Catalogue) identificaram o animal graças ao peculiar formato de sua cauda e aos padrões de pintas encontrados nela.

O caso, assim como sua importância para a ciência, é relatado nesta quarta-feira na edição da publicação especializada "Biology Letters", publicada pela Royal Society da Grã-Bretanha.

Segundo os pesquisadores, as baleias-jubarte ("Megaptera novaeanglieae"), também conhecidas como baleias-corcunda, se destacam por suas longas migrações sazonais.

Esses animais costumam se deslocar 5 mil quilômetros para se acasalar, normalmente na direção norte-sul - por exemplo, entre uma latitude no extremo sul do continente, próximo da Antártida, e uma posição mais tropical.

A baleia de Abrolhos não apenas se deslocou o dobro do observado em um comportamento típico como o fez na direção oeste-leste.

O fato de o animal ser uma fêmea deixou os cientistas mais intrigados, já que, nessa espécie, são os machos os que costumam se deslocar por distâncias maiores em busca de acasalamento.
"A diferença entre as duas posições compreende mais de 88º de longitude. É o mais longo deslocamento de um mamífero, cerca de 400 km maior que o mais longo movimento sazonal de migração registrado até hoje", escrevem os pesquisadores.

Baleia atravessou um quarto do mundo em questão de semanas

O coordenador da equipe, Peter Stevick, do College of the Atlantic, em Maine, nos EUA, disse que é possível que a baleia tenha realizado a sua jornada em dois estágios ao longo de diversas semanas.

"Se eu tivesse de adivinhar, diria que o animal realizou uma migração normal para o Antártico (em busca de alimentação) e de lá para Madagascar", afirmou, à BBC.

"Se tivesse de desenhar um percurso, seria do Brasil para o Oceano Antártico e de lá para o Índico."

A descoberta deve ajudar os cientistas a entender melhor o comportamento das baleias-jubarte, uma espécie que apenas recentemente saiu da categoria de animais em risco de extinção. BBC Brasil

Fósseis de primeiras plantas terrestres são encontrados na Argentina

13 de outubro de 2010 | 9h 54

Organismos simples, sem caule ou raízes, teriam evoluído de algas e passado a viver em terra 10 milhões de anos antes do que se pensava.

Plantas hepáticas modernas provavelmente são ancestrais comuns de todas as plantas terrestres

Rubinstein et al/New Phytologist Fósseis encontrados podem mudar datas da evulação dos vegetais
Fósseis de algumas das primeiras plantas a migrar da água para a terra firme centenas de milhões de anos atrás foram encontrados na Argentina, dizem especialistas.

A descoberta sugere que a colonização da terra por plantas teria ocorrido dez milhões de anos antes do que os cientistas calculavam - ela teria se iniciado por volta de 472 milhões de anos atrás.

O surgimento de plantas capazes de viver na terra é um dos mais importantes marcos na evolução do planeta.

As plantas terrestres mudaram o clima da Terra, alteraram o solo e permitiram que todas as outras formas de vida celular se desenvolvessem.

O estudo foi publicado na revista científica New Phytologist.

Os fósseis encontrados na Argentina são das chamadas hepáticas, plantas que pertencem à divisão conhecida como Marchantiophyta.

São organismos bastante primitivos, sem caule ou raiz, que teriam evoluído a partir de algas verdes de água doce.

A descoberta, segundo os especialistas, reforça teorias de que as hepáticas sejam as ancestrais de todas as plantas terrestres.

Cinco Variedades

A equipe de cientistas, liderada por Claudia Rubinstein, do Departamento de Paleontologia do Instituto Argentino de Nivología, Glaciología y Ciencias Ambientales (IANIGLA), coletou amostras de sedimentos no rio Capillas, nas Sierras Subandinas e na Bacia Central Andina, no noroeste da Argentina.

Os esporos das hepáticas são as plantas mais antigas já encontradas

O grupo dissolveu as amostras em ácidos, tomando cuidado para evitar contaminação por outros materiais.

No sedimento, os cientistas encontraram esporos (unidades reprodutoras das plantas) fossilizados de cinco espécies de hepáticas.

"Esporos de hepáticas são muito simples e são chamados de criptosporos", disse Rubinstein à BBC. "Os criptosporos que descrevemos (no estudo) são os mais antigos até agora."

Criptosporos se assemelham a esporos de plantas modernas, exceto por possuírem um arranjo estrutural pouco comum.

Os exemplares encontrados pela equipe, com idades entre 471 e 473 milhões de anos, pertencem a plantas de cinco espécies.

"Isto mostra que as plantas já tinham começado a se diversificar, o que significa que devem ter colonizado a terra antes do período (em que se originaram) nossas amostras", disse Rubinstein, que fez sua descoberta com a colaboração de cientistas de universidades da Argentina, Bélgica e Espanha.

Os pesquisadores calculam que a colonização tenha ocorrido no início do período Ordoviciano (entre 488 e 472 milhões de anos atrás) ou mesmo no final do período Cambriano (entre 499 e 488 milhões de anos atrás).

Origem

Fósseis foram encontrados nas rochas das Sierras Subandinas, Argentinas

O recorde anterior para a mais antiga planta terrestre já encontrada havia sido estabelecido na Arábia Saudita e República Tcheca, onde foram encontrados criptosporos de hepáticas datando do período entre 463 e 461 milhões de anos atrás.

Os criptosporos da Argentina também oferecem aos cientistas pistas de onde as plantas terrestres teriam surgido.

"Provavelmente, isso aconteceu em Gonduana, como já foi demonstrado em descobertas anteriores, porém muito longe, a pelo menos 5 mil km de distância da Arábia Saudita e República Tcheca, onde traços de outras plantas terrestres antigas foram encontrados", disse Rubinstein.

Gonduana é o continente hipotético que teria existido no hemisfério sul, e que teria incluído a América do Sul, a África, o subcontinente indiano, a Austrália e a Antártida

As plantas terrestres evoluíram de hepáticas para musgos e depois para antocerotas e licopódios.

Mais tarde, surgiram as pteridófitas (grupo a que pertencem as samambaias) e, finalmente, as plantas com sementes.

Teste nuclear nos EUA causa indignação Hiroshima e Nagasaki

13 de outubro de 2010 | 15h 36 EFE
Chamado teste subcrítico não envolve a detonação de uma arma nuclear

As cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, alvos de ataques nucleares ao fim da Segunda Guerra Mundial, consideraram deploráveis o teste nuclear efetuado pelos Estados Unidos em setembro.

O teste, o primeiro deste tipo realizado desde 2006, ocorreu em 15 de setembro em um centro em Nevada (EUA), mas foi confirmado oficialmente pelo Departamento de Energia desse país somente na terça-feira, informou o jornal Japan Times.

"Deploro profundamente. Esperava que o presidente Obama assumisse a frente com relação à eliminação de armas nucleares", declarou o governador de Nagasaki, Hodo Nakamura, em entrevista coletiva.

O prefeito dessa cidade, Tomihisa Taue, mostrou "temor e preocupação" pelo teste, que considera um passo atrás no caminho em direção ao mundo livre de armas nucleares, como disse à agência Kyodo.

O teste gerou protestos entre os cidadãos de Hiroshima e Nagasaki, incluindo vários sobreviventes das bombas atômicas que assolaram as cidades em agosto de 1945.

"Não podemos tolerar uma ação dos EUA que trai a promessa do presidente Barack Obama de avançar em direção ao mundo sem armas atômicas", disse o subdiretor do Conselho de Vítimas da Bomba Atômica de Hiroshima, Yukio Yoshioka.

O governo japonês ressaltou que não tem intenção de protestar formalmente pelo teste, chamado subcrítico, já que nessa modalidade não se chega a alcançar uma reação nuclear em cadeia.

Segundo a imprensa japonesa, o teste de setembro é a primeira deste tipo realizada sob a administração do presidente Barack Obama, premiado com o Nobel da Paz 2009.

Com este, sobe para 26 os testes nucleares subcríticos feitos pelos Estados Unidos desde julho de 1997, quando ocorreu o primeiro deles.

Washington considera que os testes não violam o Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBT), já que não geraram reações em cadeia e tampouco energia nuclear.

Para os EUA, este tipo de experiência tem como objetivo de investigar a ação física e química dos materiais de fissão usados para as armas nucleares, necessários para manter a segurança do arsenal nuclear.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Censo marinho revela espécies e ajuda a entender acidente da BP

04 de outubro de 2010 | 20h 46 ALISTER DOYLE - REUTERS
Cientistas completaram na segunda-feira um censo marinho que durou dez anos e resultou na descoberta de milhares de novas espécies exóticas, num projeto que ajudará a avaliar ameaças como as mudanças climáticas ou o recente vazamento de petróleo num poço da BP no golfo do México.

O censo internacional custou 650 milhões de dólares e envolveu 2.700 especialistas de 80 países. Entre as descobertas estão um caranguejo de garras peludas, um peixe luminoso que vive nas profundezas escuras, um camarão que era considerado extinto desde o Jurássico e uma lula de 7 metros de comprimento. Mesmo assim, os cientistas admitem que muitas criaturas ainda estão por serem descobertas.

O projeto (www.coml.org) também documentou a pesca predatória do bacalhau e do atum, os riscos causados pela poluição por petróleo e outras substâncias, e os impactos do aquecimento global.

"A notícia sobre os oceanos é ao mesmo tempo ótima e péssima", disse Paul Snelgrove, da Universidade Memorial do Canadá, que compilou o relatório final de um censo que descobriu mais vida do que se esperava no oceano Ártico e nas fendas vulcânicas do leito marinho.

Com isso, o número de espécies marinhas de animais e plantas maiores que micróbios passou de 230 mil para 250 mil, mas os cientistas estimam que 750 mil espécies ainda estejam por descobrir, especialmente nas profundezas abissais, e também em partes do Ártico, Antártida e Pacífico.

O censo propriamente dito descobriu 6.000 espécies potencialmente novas, principalmente crustáceos e moluscos, e fez descrições formais de mais de 1.200 animais.

O estudo permitiu, por exemplo, que os cientistas contabilizassem 8.332 espécies de peixes e mamíferos na área atingida pelo vazamento da BP neste ano. Comparar a situação do golfo do México com o banco de dados público ajudará a avaliar os danos e calcular os gastos a serem cobertos pela BP.

Dois dos cinco integrantes de uma comissão nomeada pelo governo dos Estados Unidos para investigar o acidente, Terry Garcia e Donald Boesch, trabalharam no censo marítimo.

Em um prazo mais longo, o monitoramento dos mares pode revelar pistas sobre ameaças como a mudança climática e a maior acidez dos oceanos. Além disso, o estudo de algumas espécies animais e vegetais pode levar a avanços na medicina.

Um projeto paralelo criou um "código de barras da vida", inspirado nas etiquetas dos produtos, para que os cientistas possam identificar espécies apenas com um rápido teste genético.

Isso já apontou sushis "enganadores" em Nova York, e pode ter um amplo impacto econômico na indicação de exportações pesqueiras fraudulentas.

Finalmente, segundo os cientistas, o censo ajuda a mostrar ao público a beleza e a variedade da vida marinha, assim estimulando os esforços de proteção dos oceanos.

Algumas criaturas têm inspirado artistas, e o caranguejo peludo encontrado perto da ilha de Páscoa vem aparecendo em skates, segundo Snelgrove.

"Esses bichos são uns tremendos embaixadores para nós", acrescentou.

Argentina aprova lei de proteção às geleiras

01 de outubro de 2010 | 15h 18

Senado argentino sancionou ontem uma lei inédita de proteção às geleiras. A lei as considera bens de caráter público e cria as bases para a sua proteção como reservas estratégicas de recursos hídricos. A sanção, porém, desagradou o setor de mineração.

A lei impõe restrições à atividade de mineração em uma área de 5 mil quilômetros localizada na fronteira com o Chile.

Verdes, mas ainda culpados

01 de outubro de 2010 | 16h 38 Com informações do The New York Times
Matéria do The New York Times mostra como um casal faz para \"economizar\" as fraldas descartáveis de seu bebê
Josh Dorfman, autor de "The Lazy Environmentalist: Your Guide to Easy, Stylish, Green Living," ("O ambientalista preguiçoso: seu guia para ser mais verde com facilidade e estilo") não pode ser acusado de falhar ao tentar ser ecofriendly.

De acordo com matéria publicada no jornal The New York Times, ele e sua parceira, a acrobata Stephanie Holzen, e o filho de cinco meses do casal, Shep, mudaram-se recentemente para uma casa vitoriana alugada em Crested Butte, no Colorado, na qual, ele salienta com felicidade, a escada reformada foi feita de madeira reciclada do celeiro. A mobília é também feita de madeira reciclada e aço; na verdade, a mesa é parte de uma madeira recuperada duas vezes, pois foi resgatada de uma leva já reciclada que virou o assoalho da casa.

O casal usa produtos de limpeza naturais e bebe água de um jarro de brita, pois assim não há necessidade de usar garrafas de água descartáveis. Todos os seus produtos de uso pessoal são orgânicos e as roupas de Josh são feitas de algodão orgânico e materiais reciclados - o que inclui o seu casaco, que ele diz ser feito de garrafas recicladas de refrigerante.

Mas, segundo a matéria do NYTimes, eles têm uma falha em seu estilo de vida: são adeptos de fraldas descartáveis.

"Tentamos as de pano e achamos que é algo totalmente fora da realidade", disse Dorfman. Como o resto dos americanos, eles foram empurrados na direção das fraldas descartáveis "e isso é ambientalmente perverso. É plástico derivado de petróleo. Você as utiliza uma vez e elas ficam jogadas em um aterro. É um uso muito ineficiente dos recursos", diz ele, mas admite que as fraldas descartáveis são as mais funcionais que o casal já encontrou. "Me sinto culpado e hipócrita. Mas elas mantêm meu filho seco, não irritam sua pele e não ficam pesadas. Elas funcionam bem o que é realmente irritante."

Josh e Stephanie encontraram uma maneira de minimizar sua dor - embora talvez isso possa ser complicado para aqueles que não têm o reflexo de uma acrobata transformada em mãe.

"Nós começamos a aliviar a culpa prestando muita atenção ao comportamento dele de modo a saber quando ele está quase fazendo xixi e cocô. Daí corremos com ele para o chuveiro e ele não faz na fralda, o que quer dizer que podemos usá-la por mais tempo", disse o papai. "Nós estamos craques em ler os sinais dele".

A matéria termina com uma constatação inquietante: quando uma pessoa realmente se preocupa em fazer a coisa certa, pode ser difícil não se sentir culpado em algumas ocasiões.

Noruega quer bater metas de Kyoto

01 de outubro de 2010 | 20h 40 Reuters
Primeiro Ministro diz que reduzir o desmatamento é o caminho mais rápido e barato para reduzir emissões

A Noruega é a favor de mais ações de cooperação internacional para frear o desflorestamento em nações em desenvolvimento, pois entende que esta é a maneira mais rápida e barata de lutar contra o aquecimento global, disse o Primeiro Ministro Jen Stoltenberg, cujo partido ganhou novamente as eleições recentemente.

Ele também disse à Reuters que a Noruega, a quinta exportadora de petróleo no mundo, estava tentando ultrapassar sua meta de corte de emissões até 2012 sob as regras do Protocolo de Kyoto.

A Noruega prometeu mais dinheiro que qualquer outra nação para preservar as florestas nos países em desenvolvimento, com orçamento de US$ 1 bilhão entre 2010 e 2012. As florestas absorvem dióxido de carbono enquanto crescem, e o liberam quando são quimadas ou cortadas.

"Reduzir o desmatamento é o caminho mais rápido e barato para reduzir emissões", disse ele. "É por isso que a Noruega está se adiantando e sendo tão proativa."

Ele afirmou que as nações desenvolvidas prometeram um total de US$ 4 nilhões para salvaguardar florestas em um encontro na Noruega em Maio. Outras nações, incluindo os EUA, o Japão, o Canadá e a Austrália prometeram dinheiro.

"Quando se trata de florestas, algo está acontecendo. Há progresso, estamos vendo que o desmatamento está sendo reduzido. Esperamos ver ainda mais redução."

Os principais projetos estão no Brasil, Indonésia e Guyana. As Nações Unidas estimam que o desmatamento responde por mais de um quinto da emissão de gases causadores de efeito estufa derivada de ações humanas, seguida da queima de combustíveis fósseis.

"No Brasil, o desmatamento foi drasticamente reduzido. Parcialmente por conta de decisões políticas e do apoio internacional. Mas muito por causa da iniciativa dos próprios brasileiros", disse ele.

A Noruega e a França fizeram esforços para estabelecer parâmetros para dispor recursos destinados a salvar as florestas, embora algumas questões acerca de monitoramento e fraude ainda persistam.

Censo da vida marinha revela conexão entre animais do fundo do mar

04 de outubro de 2010 | 10h 09 Associated Press - AP


Levantamento de dez anos mostra que as formas de vida marinhas estão profundamente ligadas

Os oceanos do mundo podem ser vastos e profundos, mas um censo de dez anos da vida animal marinha descobriu uma biologia tão interconectada que parece fazer encolher o mundo aquático.

Águas-vivas da Califórnia fazem parte do censo

Richard Hermann Águas-vivas da Califórnia fazem parte do censo
Veja também:
Galeria de fotos das espécies
País não cumpre meta de proteção à biodiversidade marinha

Um esforço internacional para criar o Censo da Vida Marinha foi completado nesta segunda-feira, 4, com mapas e três livros, aumentando o número de espécies contadas e validadas a 201.206.

Dez anos atrás, a pergunta de quantas espécies haveria no oceano não podia ser respondida. Ela também levada a discussões acaloradas entre cientistas. Algumas espécies eram contadas mais de uma vez, disse Jesse Ausubel, da Alfred Sloan Foundation, cofundador do esforço que envolveu 2.700 cientistas.

O projeto de US$ 650 milhões obteve dinheiro e ajuda de mais de 600 grupos, incluindo vários governos e fundações privadas, corporações, organizações sem fins lucrativos, universidades e até cinco escolas de ensino médio.

O que os cientistas descobriram foi mais que um número. Foi um senso de como a vida se conecta de um lugar para outro e de uma espécie para outra, disse Ausubel.

Por exemplo: imagine a minúscula criatura, semelhante a um camarão, chamada Ceratonotus steiningeri. Ela tem espinhos e garras e pareceria ameaçadora, se não tivesse apenas seis centésimos de centímetro de comprimento. Cinco anos atrás, esse animal nunca tinha sido visto. Ninguém sabia de sua existência.

Então, na costa atlântica da África, como parte do censo, ele foi encontrada a uma profundidade de cinco quilômetros. Era uma das 800 espécies descobertas na viagem, disse o descobridor, Pedro Martinez Arbizu, do Centro Alemão de Pesquisa de Biodiversidade Marinha.

Ele ficou espantado ao ver que a minúscula criatura também constava do catálogo que havia feito a 12.000 quilômetros dali, no Pacífico central. Ali estava o animal de novo: mesmo tipo de camarão, outro oceano.

"Ficamos muito surpresos com isso", disse Arbizu. "Acreditamos que essa espécie tem uma ampla área de distribuição". De certa forma, o Ceratonotus steiningeri exemplifica op que o censo determinou.

"Acreditamos agora que o mar profundo é muito mais conectado, também os diferentes oceanos, do que imaginávamos".

O censo também destacou formas vida marinha que fazem viagens extraordinárias. Antes do censo, a migração do atum de barbatana azul do Pacífico não havia sido monitorada em detalhe. Ao seguir o peixe de 15 quilos, cientistas descobriram que ele cruza o Pacífico três vezes em 600 dias, disse Barbara Block, da Universidade Stanford.

O censo encontrou outra conexão, mais básica, na genética da vida. Como humanos e chimpanzés partilham 95% de seu DNA, as espécies dos oceanos também têm muito DNA em comum. Entre os peixes em geral, a diferença parece ser de entre 2% e 15%, disse Dirk Stenke, da Universidade de Gelph, no Canadá. "Embora essas espécies de peixe sejam realmente antigas, não há muito que as separe", declarou ele.

País não cumpre meta nacional de proteção à biodiversidade marinha

04 de outubro de 2010 | 14h 15 - Herton Escobar
Faltando apenas duas semanas para o início da mais importante conferência sobre a biodiversidade do planeta, o Brasil ainda enfrenta enormes dificuldades para conhecer e proteger seus vastos ecossistemas oceânicos.

Estima-se que menos de 10% das espécies marinhas brasileiras sejam conhecidas. E apenas 1,5% dos ecossistemas costeiros e marítimos do País está protegido por lei – muito abaixo da meta de 10% estipulada para este ano. “De fato, houve pouco avanço”, reconhece o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Braulio Dias. “A zona marinha é a que tem a menor proporção de áreas protegidas no Brasil.”

A meta de 10% foi estipulada em dezembro de 2006 pela Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio), como parte do esforço brasileiro para o cumprimento dos objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas, que realizará sua décima Conferência das Partes (COP 10) no fim deste mês, em Nagoya, no Japão.

A meta para a Amazônia (30%) foi cumprida. Mais de 40% da floresta está sob alguma forma de proteção, dentro de terras indígenas ou unidades de conservação estaduais e federais. Mas a da “Amazônia Azul”, como se costuma chamar os 4,2 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro que estão cobertos de água, afundou no esquecimento.

A maior parte do 1,5% protegido está, na verdade, em ambientes terrestres associados à zona costeira, como restingas, praias e manguezais. E, ainda assim, a lacuna de proteção é grande.

Segundo o Panorama da Conservação dos Ecossistemas Costeiros e Marinhos no Brasil, um estudo inédito que deverá ser lançado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) até o fim do ano, somente 18% dos estuários (áreas onde os rios encontram o mar), por exemplo, estão em áreas protegidas. Esse índice cai para quase zero (0,2%) quando se considera apenas as unidades de proteção integral, onde não são permitidas atividades de exploração econômica.

No caso dos manguezais, um ecossistema crítico para a reprodução de várias espécies marinhas, o porcentual total de proteção chega a animadores 75%, incluindo áreas de proteção ambiental (APAs) ocupadas por fazendas de camarão e outras atividades comerciais. Mas cai para desanimadores 13% quando se considera apenas as unidades de preservação integral.

No ambiente estritamente marinho, a proteção é mínima, sempre limitada às áreas próximas da costa ou ao entorno de ilhas. Não há nenhuma unidade de conservação 100% marinha. Segundo o relatório do MMA, o bioma marinho representa “a grande lacuna” do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), “demandando medidas urgentes visando ao planejamento de sua conservação”. O único consolo, talvez, é que o Brasil não está sozinho nessa história. Globalmente, também, menos de 1% dos oceanos está protegido, apesar da meta da Organização das Nações Unidas de chegar a 10% até 2012.

Lacuna científica

O problema não é só político. A falta de informações científicas sobre o que vive debaixo d’água também dificulta a elaboração de estratégias e políticas de proteção marinha. “Fazer conservação sem informação é muito complicado”, diz a bióloga Monica Peres, especialista na avaliação de espécies marinhas ameaçadas.

Com 10,8 mil quilômetros de costa, estendendo-se desde 4 graus de latitude norte até 34 graus de latitude sul, o Brasil tem uma das maiores e mais diversificadas combinações de ecossistemas costeiros e marítimos do planeta. Apesar disso, sua biodiversidade marinha conhecida é relativamente pobre, comparada à de outros países.

Segundo o biólogo Antonio Marques, porém, a maior falta não é de espécies, mas de pesquisas e pesquisadores suficientes para estudá-las. Proporcionalmente, segundo ele, o Brasil tem cerca de 15% das espécies conhecidas de vertebrados no mundo e 13% das de insetos. No grupo dos “invertebrados não insetos” – a maioria dos quais vive no mar, como águas-vivas, polvos, lulas, caranguejos, lagostas, mariscos, esponjas e corais – essa proporção cai para 6%.

“Seis por cento das espécies do mundo num único país não é pouca coisa, mas não há como negar que a nossa biodiversidade marinha é amplamente desconhecida”, afirma Marques, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. “Eu considero isso uma vergonha.”
O conhecimento disponível, segundo ele, além de insuficiente, está altamente concentrado no litoral de São Paulo, Rio e Santa Catarina. “Sobre o Nordeste ainda sabemos muito pouco. E sobre o Norte, quase nada.”

Estudos mostram que a composição de espécies marinhas pode variar muito de uma área para outra, mesmo entre regiões próximas da costa, por causa de variações de corrente, temperatura, composição química da água e tipo de substrato. “Temos muitas espécies, certamente. O que não temos é uma concentração tão forte quanto a que ocorre em outros locais, como no Caribe”, avalia Antonio Solé-Cava, diretor do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Reunião na China tenta salvar conferência da ONU sobre o clima

04 de outubro de 2010 | 14h 27
Negociadores tentam avançar para que encontro no final de novembro, não decepcione como a COP 15, em 2009.
Reunião de Cancún não definiu substituto do Protocolo de Kyoto

A última rodada de negociações preparatórias para a conferência das Nações Unidas sobre o clima em Cancún (COP 16), prevista para começar no final de novembro, foi iniciada nesta segunda-feira na cidade de Tianjin, no leste da China.

Muitos veem na reunião de seis dias como a última chance de se encontrar denominadores comuns e salvar os esforços internacionais por um acordo sobre o clima, fortemente abalados desde a COP 15, a reunião de 2009 em Copenhague.

A própria secretária-executiva da convenção da ONU sobre o clima, a costa-riquenha Christiana Figueres, alertou para a urgência dessa necessidade.

"Um avanço concreto em Cancún é uma necessidade crucial para restaurar a fé e a capacidade dos envolvidos de levarem o processo adiante, evitando que o multilateralismo seja visto como uma estrada sem fim", disse Figueres em seu discurso de abertura em Tianjin.

A conferência de Copenhague, que começou cercada de expectativas de um acordo que viesse a substituir o Protocolo de Kyoto (o tratado que prevê cortes nas emissões dos gases que provocam o efeito estufa e que expira em 2012), acabou sem qualquer acordo oficial assinado por todos os países.

Apenas as maiores economias, entre elas, Brasil, China, Índia, Europa e Estados Unidos, assinaram uma carta de intenções, que estipula um teto de aquecimento global e prevê um fundo de emergência para países atingidos pelas mudanças climáticas.

Obstáculos

Ao longo do ano, o processo sofreu outro revés importante com a não aprovação da legislação climática americana pelo Senado.

Os Estados Unidos, por serem historicamente o maiores poluidores - embora, em números absolutos anuais, tenham sido superados pela China - estão no centro dos principais impasses nas negociações.

O país, a única grande economia que não ratificou o Protocolo de Kyoto, defende a criação de um novo tratado internacional, em vez de uma continuação de Kyoto.

Paralelamente, o grupo de países em desenvolvimento apelidado de Basic - Brasil, África do Sul, Índia e China - tomou forma e realizou encontros ao longo do ano, tentando afinar uma posição conjunta.

Risco

Para alguns, o encontro em Cancún pode, em vez de restabelecer a confiança no processo internacional, acabar como a pá de cal dele.

As reuniões anuais das Nações Unidas levam milhares de representantes de mais de 190 países, além de cientistas, ativistas a locais tão díspares como Bali, Nairóbi, Copenhague e Cancún.

Sem avanços, as críticas sobre a quantidade de emissões e dinheiro empenhado no processo ganham força.

Nos Estados Unidos, há cada vez mais gente defendendo acordos paralelos e legislações nacionais, em vez de um acordo internacional abrangente nos moldes de Kyoto.

Em Tianjin, negociadores tentarão reduzir o texto negociado, que atualmente tem mais de 70 páginas.

Problemas

Entre os principais pontos de discórdia estão metas pós-2012 de emissões de gases que produzem o efeito estufa e como administrar as verbas de US$ 100 bilhões por ano do fundo de emergência já proposto pelos países ricos.

No entanto, tampouco está claro de onde virão bilhões deste fundo.

O chamado Acordo de Copenhague, adotado por alguns países em 2009, também estipula como teto para o aquecimento global 2ºC acima da temperatura pré-industrial.

Este número também precisa ser aceito por outros países para que se possa começar a pensar em medidas que levem a manutenção deste limite.

Cientistas afirmam que as atuais promessas de cortes de emissões apresentadas pelos integrantes da convenção do clima não evitariam um aquecimento mais catastrófico. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Egito e seus sedentos vizinhos disputam o Nilo

04 de outubro de 2010 | 15h 08 Thanassis Cambanis* É JORNALISTA E ESPECIALISTA EM ORIENTE MÉDIO - The New York Times

Sete países a montante do rio questionam os direitos especiais de egípcios e sudaneses sobre o rio, herdados do colonialismo britânico

Para começar a compreender o motivo pelo qual o Egito, país abrasado pelo sol, quase rompeu as relações com seus vizinhos localizados a montante no Nilo, vale a pena conhecer o caso de Mohammed Abdallah Sharkawi. Nos campos em que cultiva algodão e milho, a água do rio chega até o tornozelo e ele não paga nada pelo precioso recurso que inunda sua fazenda.“Dou graças a Deus”, disse Mohammed levantando as mãos ao céu, referindo-se ao Nilo. Em seguida, apontando para o funcionário do governo que visita suas terras: “Tudo vem de Deus. E do ministério."

Mas talvez essa situação não dure mais muito tempo. Os países próximos às nascente do rio, que anseiam pela correção de erros segundo eles históricos, uniram-se na tentativa de quebrar o quase monopólio da água que mantêm o Egito e do Sudão, e ameaçam desencadear uma crise que, de acordo com especialistas egípcios, poderia, na pior das hipóteses, levar até a uma guerra.

“Não só o Egito é fruto do Nilo, como depende quase exclusivamente dos seus recursos hídricos”, afirmou um porta-voz do Ministério do Exterior egípcio, Hossam Zaki. “Temos uma população que aumenta continuamente e necessidades crescentes. Não podemos aceitar esse tipo de ameaça”.

Desde que a civilização surgiu nestas paragens, os egípcios ocuparam as margens do Nilo ricas em limo. Quase todos os 80 milhões de pessoas que vivem a poucos quilômetros do rio, e produtores agrícolas como Sharkawi, praticamente não mudaram os métodos de cultivo em quatro milênio. No entanto, a população do Egito cresce sem parar e até 2017, a se manterem as atuais taxas de uso, a água do rio mal bastará para atender às necessidades básicas do Egito, segundo o Ministério da Irrigação.

E isso supondo que o fluxo do rio não diminua. Durante o governo colonial britânico, um tratado de 1929 reservava 80% de toda a sua água para o Egito e o Sudão, na época governados como um único país. O tratado foi reconfirmado em 1959. Em geral, os países localizados a montante controlam o fluxo de um rio, como o Tigris e o Eufrates, cujo fluxo já está bastante reduzido quando entram no Iraque, procedentes da Turquia e da Síria. O caso do Nilo é inverso, porque os colonizadores britânicos que governavam a região queriam garantir o uso de suas águas para a agricultura egípcia.

Para os sete países a montante Etiópia, Uganda, Tanzânia, Quênia, República Democrática do Congo, Burundi e Ruanda o tratado é um vestígio injusto do colonialismo.O Egito, de seu lado,afirma que esses outros países são ricos em recursos hídricos, enquanto ele depende de um único rio.

Nos dias de hoje, o confronto se desenrola em câmara lenta. Em abril, as negociações entre os nove países banhados pelo rio foram interrompidas porque Egito e Sudão se recusaram a ceder. Os outros países da bacia rapidamente se uniram e, em maio, apresentaram uma fórmula que lhes permitiria construir seus próprios projetos de irrigação e barragens, reduzindo o fluxo até o Lago Nasser, a imensa represa entre o Egito e o Sudão.

Até o momento, Etiópia, Uganda, Tanzânia, Quênia e Ruanda assinaram o novo acordo da bacia do Nilo, que exigiria apenas uma maioria simples de países membros para a aprovação de novos projetos. O Egito quer manter seu poder de veto sobre os projetos de qualquer país, e afirma, com o Sudão, que as principais cláusulas do tratado da era colonialista devem ser preservadas.

Congo e Burundi ainda não decidiram de que lado ficar. Egito e Sudão têm até maio para retomar as negociações, ou os países a montante farão vigorar o novo tratado.

Árabes e chineses

A ameaça de perder a água do Nilo assustou o Egito, que até pouco tempo ignorava praticamente os outros países da bacia. O Cairo levou um novo susto alguns meses atrás, quando a Etiópia inaugurou uma hidrelétrica de US$ 520 milhões sobre um tributário do Nilo, como parte de um projeto iniciado há uma década para criar uma moderna infraestrutura destinada à produção de eletricidade. Segundo a imprensa etíope, Itália, Etiópia e o Banco Europeu de Investimentos financiaram o projeto.

A urgência é ainda maior, afirmam diplomatas e especialistas em recursos hídricos do Egito, porque investidores chineses e da região do Golfo Pérsico manifestaram interesse em participar de enormes projetos agrícolas em Uganda e na Etiópia, que usariam a água do Nilo.

Atualmente, são várias as nações a montante, inclusive Etiópia e Uganda, que planejam a construção de hidrelétricas. Contudo, se esses países agirem lentamente e encherem os reservatórios ao longo de um período de 5 a 15 anos, as autoridades egípcias admitem que as hidrelétricas não afetarão o consumo do seu país de maneira significativa.

Além disso, elas acreditam que o Banco Mundial, doador tradicional de recursos para a construção de barragens, não aprovará estes projetos em razão das objeções movidas pelo Cairo, embora continuem preocupadas com a possibilidade de os governos e os investidores privados se considerarem livres para emprestarem os recursos.

Determinados projetos agrícolas, que poderão ser muito mais prejudiciais para o Egito, são outra questão. Não só reduziriam permanentemente a quantidade de água que chega às fronteiras do Egito, como também já despertaram o interesse de nações árabes ricas e dos chineses, que avaliaram os enormes lucros em potencial.

Especialistas egípcios afirmaram que os países a montante desperdiçam quantidades colossais de água que escorre para os pântanos sem ser utilizada. Por sua vez, os países apontam para os métodos agrícolas do Egito, caracterizados pelo desperdício, afirmando que 75% da água usada e destinada à agricultura, na maior parte é desperdiçada por causa de práticas antiquadas e ineficientes.

“Acho que estamos todos loucos”, disse Diaa el-Quosy, um especialista que estudou nos Estados Unidos, assessor do ministro da Irrigação do Egito. “Todos querem a sua parte e muito mais.” Na sua opinião, quando as tensões políticas se abrandarem, os nove países da bacia do Nilo poderão encontrar “soluções criativas” para administrar o fluxo do rio de maneira eficiente. “Há água suficiente para todos”, afirmou.

No entanto, no Egito, décadas de belicosa retórica sobre o Nilo tornaram a água do rio uma questão explosiva. “A violação da cota de água do Nilo que cabe ao Egito constitui um genocídio contra 80 milhões de pessoas”, escreveu o comentarista egípcio Hazem el-Beblawi, no Al Masry Al Youm, um jornal egípcio.
Os especialistas afirmam que o Egito pouco fez para reduzir o seu mau uso do recurso.

Apesar dos esforços periódicos do governo para combater o desperdício, a água para irrigação ainda flui em grande parte de canais sujos, muitas vezes asfixiados pela vegetação aquática. Antes de chegar às culturas, grande parte dela se infiltra no solo.

“O Egito não age como um país morto de sede”, comentou Dan Morrison, autor do livro The Black Nile (O Nilo Negro), no qual faz o relato de sua viagem desde as nascentes do rio até a embocadura no Mediterrâneo, e encontrou o maior desperdício no Egito. Enquanto os agricultores não precisarem pagar pela água, disse Morrison, não haverá nenhum incentivo para conservá-la.

Uma solução proposta por ele prevê a importação pelo Egito de alimentos produzidos pelas nações a montante do rio, que podem cultivar a terra de maneira mais eficiente com a água do Nilo.

Isam Abdurahman, supervisor para a exploração agrícola do Ministério da Agricultura, informou que o governo está adotando medidas visando a conservação da água, que incluem a pavimentação de alguns canais de irrigação e uma administração mais rigorosa dos métodos usados pelos agricultores. Este ano, por exemplo, em razão dos baixos níveis do rio, o cultivo do arroz foi totalmente proibido nestas áreas, e a cota de algodão foi extremamente reduzida. Sharkawi pôde plantar apenas um campo de algodão e não os quatro de costume.

E em algumas áreas desérticas como Toshka, perto da fronteira sudanesa, o Egito realizou algumas experiências com a moderna irrigação por gotejamento em larga escala. Mas a ampla maioria dos agricultores é composta por donos de minifúndios, como Sharkawi, que cultiva milho, algodão e alfafa no delta.

Ele não tem condições de investir em irrigação por cotejamento ou em sistemas de sprinklers, que fazem com que se perca menos água com a evaporação. Além disso, como a maioria dos produtores agrícolas que pratica uma economia de subsistência, ele é favorável a culturas que gastam mais água, como arroz, milho e algodão, em vez de produtos hortifrutícolas que usam menos água.

Os líderes dos países a montante do rio, como o primeiro-ministro da Etiópia, alertam que o uso da água do Nilo “não é um jogo de soma zero”(nem todo mundo se beneficia), mas na região do delta do rio é exatamente assim que milhões de agricultores veem a situação. Se tivesse de pagar pela água que utiliza, Sharkawi diz que simplesmente perderia sua terra.

“Desde os antigos egípcios”, observa, “sempre vivemos assim. Foi assim comigo e assim será para os meus filhos.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Ativismo fotográfico

Projeto usa a fotografia para lutar contra empreendimento petrolífero em floresta canadense

Um grupo de nove fotógrafos tem andado pela Floresta do Urso Grande (Great Bear Rainforest), na costa da província de British Columbia (oeste do Canadá), documentando sua natureza selvagem e os povos que a habitam. A expedição fotográfica, iniciada no começo de setembro, quer chamar a atenção para a diversidade ambiental e humana da região. Isso porque a floresta temperada, uma das maiores ainda existentes no mundo, pode ser ameaçada por um empreendimento que prevê a construção de um oleoduto e de um terminal petroleiro no litoral.

Criada pela International League of Conservation Photographers (iLCP), a expedição foi denominada Rapid Assessment Visual Expedition (Expedição de Avaliação Visual Rápida), ou RAVE. A ideia é que o conjunto de imagens capturadas seja divulgado para ilustrar a diversidade da vida selvagem da floresta e a cultura de seus habitantes nativos, para assim endossar a causa dos opositores ao empreendimento. A galeria de fotos do RAVE pode ser visualizada aqui.

A Floresta do Grande Urso, além de habitat de centenas de espécies de animais e mais de 10 povos nativos, é a única do mundo que abriga o Kermode, uma sub-espécie rara do urso negro americano que, por conta de um alelo recessivo no código genético, possui pelagem branca ou creme. Ele também é chamado de “spirit bear” (urso-espírito) no Canadá.


Petróleo

O empreendimento petrolífero em questão chama-se Northern Gateway, e prevê a construção de um oleoduto para levar petróleo das Areias Oleosas de Athabasca, extensos depósitos de betume a noroeste da província de Alberta, para um terminal petroleiro proposto para instalação na costa oeste. A rota de escoamento necessariamente passa pela vizinha British Columbia, para chegar ao litoral e se direcionar às economias asiáticas - a China é a maior apoiadora e potencial beneficiária. No meio do caminho - e na própria costa - está a Floresta do Urso Grande.

A Enbridge, companhia canadense que opera uma série de dutos na América do Norte, é a responsável pelo empreendimento. Além da potencial ameaça ambiental, a discussão sobre o o oleoduto e o terminal petroleiro também possui perspectiva humana: grande parte dos territórios da floresta está sob jurisdição de povos indígenas, que tem poder de veto sobre o desenvolvimento do projeto. Em março deste ano, a Coastal First Nations, aliança que congrega nove povos originários da costa da província British Columbia, se posicionou contra o projeto em documento oficial. "Nós vamos proteger a nós e às nossas futuras gerações com todas as forças que tivermos. Um eventual derrame de petróleo na costa de British Columbia nos apagaria do mapa. O nosso litoral não pode suportar isso", declarou Gerald Amos, diretor da associação.

01 de outubro de 2010 | 18h 51 BBC News/Earth Watch

Caça ao palmito juçara ameaça reservas de Mata Atlântica

José Maria Tomazela 04 de outubro de 2010 | 17h 40

Quadrilhas desmatam áreas protegidas em busca das palmeiras e abrem trilhas para caçadores
Em busca do palmito da palmeira juçara, quadrilhas de palmiteiros estão invadindo os parques estaduais Carlos Botelho, Intervales, Jurupará e do Alto Ribeira, as reservas de Mata Atlântica mais protegidas do Estado de São Paulo.

Além de cortar a palmeira, importante para a biodiversidade da floresta, eles abrem trilhas usadas por caçadores. Os próprios palmiteiros abatem para consumo espécimes de uma fauna fortemente ameaçada de extinção, que inclui animais como a anta e o mono-carvoeiro, e aves como o macuco e a jacutinga.

A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do País. São Paulo detém a maior porção contínua dessa floresta, com 200 mil hectares, quase tudo no interior dos parques estaduais do Vale do Ribeira, sul do Estado. De janeiro a agosto deste ano, a 3ª Companhia de Policiamento Ambiental, com sede em Sorocaba, apreendeu 4.719 toras de palmito in natura ou pronto para o consumo.

Cada unidade corresponde a uma palmeira cortada. De acordo com o comandante, tenente Edson Moraes, mais de 90% foram extraídos dos parques estaduais, por uma razão simples: fora das reservas, a palmeira juçara está praticamente extinta.

Ele calcula que o material apreendido representa uma parcela mínima do que foi cortado. De acordo com o tenente, o total de apreensões este ano será maior que no ano passado.“É uma atividade que se mantém, apesar do aumento na fiscalização e no grau de dificuldade para encontrar o palmito.”

A extração indiscriminada levou à escassez da palmeira e os palmiteiros têm de caminhar dois dias no interior da mata para chegar ao local do corte. “O grupo entra na mata na segunda-feira e sai na quarta ou na quinta”, explica. O transporte das toras, mesmo com o auxílio de mulas, é um serviço extenuante. Os palmiteiros levam a carga para processar fora do parque, onde a legislação é menos rigorosa.

Em fábricas improvisadas, o palmito é cortado, colocado em vidros e cozido. “Fechamos fábricas que funcionavam em banheiros”, diz Moraes. O produto é vendido para restaurantes, pizzarias e churrascarias. Cada feixe com cinco ou seis toras rende 10 kg de palmito que, no Vale, é vendido por R$ 10 o kg.

Em São Paulo, o produto chega custando R$ 25. A condição socioeconômica precária dos moradores da região favorece o esquema, segundo o policial. “A alternativa para eles seria trabalhar na lavoura de banana, ganhando R$ 10 por dia.”

No que resta dos acampamentos, a polícia tem encontrado restos de animais e aves abatidos para consumo. Na maior parte das apreensões, o palmito foi interceptado em rodovias, no transporte para São Paulo.

Siderúrgica ganha na justiça direito de usar água em MS e comunidade reclama

04 de outubro 2010 | Karina Ninni - estadao.com.br
Uso do córrego Piraputanga é objeto de um Termo da Ajuste de Conduta assinado em 2008decisão da Justiça do MS é polêmica

Moradores da comunidade de Maria Coelho, distante cerca de 45 km da área urbana de Corumbá (MS), estão indignados com a diminuição do potencial de vazão do córrego Piraputanga, único manancial de água potável da região. Segundo eles, a utilização da água para lavagem de minério de ferro e para o resfriamento do ferro gusa explorados na morraria do Urucum é a grande responsável pela situação. A comunidade, que tem cerca de 19 famílias, agora depende da água trazida por caminhões-pipa a cada dois dias. O córrego São Miguel, um dos braços do Piraputanga, que abastecia a localidade, secou há cerca de 3 anos.

"A água do São Miguel passava aqui na comunidade. Agora, a água do Piraputanga é a mais próxima. Mas a gente, que mora aqui, não tem o direito sobre ela", afirma o morador Edevaldo Santana de Oliveira, que vive em Maria Coelho há 39 anos. Ele explica que o local fica a cerca de seis quilômetros da nascente do Piraputanga.

Santana se refere à decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul que, este mês, concedeu à siderúrgica Vetorial, pivô da polêmica, o direito de utilizar água do Piraputanga para a produção de ferro gusa. A empresa deve iniciar um processo de licenciamento ambiental para ampliar a produção em 150%. A decisão do TJ permitiu à Vetorial suspender um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2008, que previa o impedimento do uso da água do córrego. Na época, o TAC foi firmado entre a MMX, antiga proprietária da siderúrgica, o Ministério Público Estadual, a Prefeitura Municipal de Corumbá, e o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul.

Em nota, a empresa afirmou que o consumo de água requerido pela Vetorial é de 100 metros cúbicos por hora, e que esse volume que não alcança nem 15% da vazão média do córrego Piraputanga.

O Ministério Público Estadual de MS informou que está estudando uma maneira de caçar o mandado de segurança obtido pela Vetorial.

Mas, com a demora na solução do caso, os moradores temem que aconteça no Piraputanga o mesmo que ocorreu com o córrego do Urucum, do outro lado do morro, que está completamente seco desde 2003.

"Nós agora dependemos dos 85 mil litros de água por dia bombeados de dentro da mina de ferro, porque aqui não sobrou nada. Eu mesmo fui muito prejudicado: tinha um balneário com piscinas para turistas. Desde que a água sumiu, fechei o negócio e agora, tento sobreviver do turismo rural", afirma o advogado Carlos de Barros Leite, proprietário da fazenda Vale do Sol, que era banhada pelo Urucum.

“A vazão do Piraputanga, hoje, já reduziu em 40%. Lá no Urucum tinha um córrego quase do volume deste aqui e foi indo, foi indo, não tem mais nada, acabou!”, afirma o morador Augusto César Alves da Silva, que vive há 23 anos na comunidade de Maria Coelho.