quinta-feira, 31 de maio de 2012
Campanha quer estimular discussão sobre proteção aos oceanos
30 de maio de 2012 | 15h 01 - estadao.com.br
Vídeo na internet quer chamar a atenção para problemas como a pesca predatória
Uma campanha na internet quer estimular discussões sobre a proteção aos oceanos na Rio+20. Um vídeo, feito pela ONG britânica PEW Environment mostra o impacto de problemas como pesca predatória e a falta de fiscalização. Especialistas defendem a criação de uma convenção só para tratar da proteção aos oceanos.
Instituto da UFRJ criará tecnologias verdes
25 de maio de 2012 | 3h 02 - Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo
Representante do Pnuma no Brasil disse que o centro dará concretude a várias aspirações dos países-membros da ONU
RIO - Um novo prédio no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, vai abrigar o Instituto Global para Tecnologias Verdes e Emprego, além do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
O instituto é uma parceria da Coppe/UFRJ com o governo do Estado do Rio, que tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
O lançamento vai ocorrer no dia 4, com a presença do diretor do Pnuma, Achim Steiner, e da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, entre outros.
O diretor da Coppe e secretário executivo do Fórum, Luiz Pinguelli Rosa, disse que o instituto vai concentrar várias atividades e programas de pós-graduação, reunindo inicialmente cerca de 30 pesquisadores.
Segundo ele, novos laboratórios deverão ser criados com a oportunidade de ampliação de parcerias com universidades estrangeiras. "O instituto vai potencializar estudos e pesquisas que a Coppe desenvolve, principalmente nas áreas de energia, mudanças climáticas e inovação, agora com uma cooperação internacional maior."
A representante do Pnuma no Brasil, Denise Hamú, disse que o centro vai "dar concretude a várias aspirações dos países-membros (da ONU), com experiências que serão desenvolvidas para tecnologias verdes".
Segundo ela, a iniciativa terá todo o apoio institucional do Pnuma, mas não será oficialmente vinculada à ONU. Não há compromisso de recursos.
"Estamos numa fase de intercâmbio de ideias para esse instituto, que é inédito no mundo, com foco na economia verde e em tecnologias sustentáveis. Vamos nos valer dos resultados da Rio+20 para identificar áreas de cooperação", disse Denise.
Suzana Kahn, subsecretária de Economia Verde da pasta de Meio Ambiente do governo estadual, é uma das idealizadoras do projeto. O objetivo é tornar o Rio referência em pesquisa de novas tecnologias voltadas para a economia verde e o desenvolvimento sustentável.
Na inauguração, Steiner vai lançar a versão em português do relatório da ONU sobre empregos relacionados a tecnologias sustentáveis.
Instituto da UFRJ criará tecnologias verdes
25 de maio de 2012 | 3h 02 - Felipe Werneck - O Estado de S.Paulo
Representante do Pnuma no Brasil disse que o centro dará concretude a várias aspirações dos países-membros da ONU
RIO - Um novo prédio no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na Ilha do Fundão, vai abrigar o Instituto Global para Tecnologias Verdes e Emprego, além do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.
O instituto é uma parceria da Coppe/UFRJ com o governo do Estado do Rio, que tem o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
O lançamento vai ocorrer no dia 4, com a presença do diretor do Pnuma, Achim Steiner, e da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, entre outros.
O diretor da Coppe e secretário executivo do Fórum, Luiz Pinguelli Rosa, disse que o instituto vai concentrar várias atividades e programas de pós-graduação, reunindo inicialmente cerca de 30 pesquisadores.
Segundo ele, novos laboratórios deverão ser criados com a oportunidade de ampliação de parcerias com universidades estrangeiras. "O instituto vai potencializar estudos e pesquisas que a Coppe desenvolve, principalmente nas áreas de energia, mudanças climáticas e inovação, agora com uma cooperação internacional maior."
A representante do Pnuma no Brasil, Denise Hamú, disse que o centro vai "dar concretude a várias aspirações dos países-membros (da ONU), com experiências que serão desenvolvidas para tecnologias verdes".
Segundo ela, a iniciativa terá todo o apoio institucional do Pnuma, mas não será oficialmente vinculada à ONU. Não há compromisso de recursos.
"Estamos numa fase de intercâmbio de ideias para esse instituto, que é inédito no mundo, com foco na economia verde e em tecnologias sustentáveis. Vamos nos valer dos resultados da Rio+20 para identificar áreas de cooperação", disse Denise.
Suzana Kahn, subsecretária de Economia Verde da pasta de Meio Ambiente do governo estadual, é uma das idealizadoras do projeto. O objetivo é tornar o Rio referência em pesquisa de novas tecnologias voltadas para a economia verde e o desenvolvimento sustentável.
Na inauguração, Steiner vai lançar a versão em português do relatório da ONU sobre empregos relacionados a tecnologias sustentáveis.
Senador do PMDB será relator da MP do Código Florestal
29 de maio de 2012 | 16h 25 - Eduardo Bresciani, do estadão.com.br
Luiz Henrique (SC) já teve encontro com a ministra do Meio Ambiente para discutir texto que altera projeto aprovado na Câmara
BRASÍLIA - O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) será o relator da Comissão Mista da Medida Provisória 571, que altera a Lei 12.651, do Código Florestal. O parlamentar já esteve nesta terça-feira, 29, com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. A MP foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda, 28, juntamente com os vetos ao Código Florestal e uma comissão mista do Congresso irá analisar o texto.
Veja também:
Para entidades, novo Código traz anistia e redução da proteção ambiental
MP sobre Código Florestal defende 'uso sustentável' de floresta
Na segunda-feira, integrantes da bancada ruralista na Câmara sinalizaram que vão tentar negociar itens da MP. Na Câmara, a relatoria ainda não foi decidida. Pelo novo rito de tramitação das MPs, definido pelo Supremo Tribunal Federal, a proposta só pode ser levada a plenário na Câmara e no Senado após a aprovação de parecer na comissão.
A MP estabelece o foco da legislação "na proteção e uso sustentável" de florestas, promovendo o desenvolvimento econômico, segundo o texto publicado no Diário Oficial da União.
A MP retoma a essência do primeiro artigo do texto produzido pelos senadores no fim do ano passado e "estabelece normas gerais com o fundamento central da proteção e uso sustentável das florestas e demais formas de vegetação nativa em harmonia com a promoção do desenvolvimento econômico", segundo texto publicado nesta segunda./Com informações da Agência Reuters
Mata Atlântica permanece sob a ameaça de fornos de carvão em Minas
29 de maio de 2012 | 22h 30 - Giovana Girardi
Levantamento do Inpe e SOS Mata Atlântica mostra que taxa de perda da vegetação teve leve queda de 2010 a 2011, mas a presença de nuvens pode ter mascarado valor real
A taxa de desmatamento da Mata Atlântica voltou a apresentar uma leve queda entre 2010 e 2011, em relação à perda de cobertura florestal que havia ocorrido no biênio anterior (2008 a 2010), mas os dados levantam a bandeira vermelha de que o bioma mais devastado do Brasil continua sendo ameaçado.
Jose Patricio/AE br
Arrendamento para plantação de cana em fazenda de MG colaborou para a derrubada de árvores
Essa é a interpretação feita pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que divulgaram nesta terça, 29, o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
Olhando apenas a estatística, a devastação praticamente ficou estável. No biênio 2008- 2010, o desmate tinha sido de 31.195 hectares - cerca de 15.500 por ano. Entre 2010-2011 (período de um ano) foi de 13.312 ha ou 133 km². Mas houve aumento significativo na Bahia e em Minas, líderes no ranking do desmate (mais informações nesta página). E justamente esses Estados estiveram muito cobertos por nuvens durante a observação pelo satélite (cerca de 60% de visualização).
"Não posso afirmar que parou ou diminuiu o desmatamento porque grande parte de Bahia e de Minas não foi avaliada. Certamente se eu tivesse imagens - como esses são os Estados mais críticos - teríamos observado mais desmatamento ali", explica Marcia Hirota, coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica.
Além disso, no levantamento anterior haviam sido mapeados 16 dos 17 Estados originalmente cobertos pela Mata Atlântica e neste foram somente dez. Em Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Sergipe e Rio Grande do Norte, a análise foi impossibilitada pela ocorrência de nuvens. Piauí não foi avaliado em nenhuma ocasião. "Vimos queda em termos absolutos, mas se tivesse todas as informações, provavelmente esse total seria maior."
Segunda Márcia, a ameaça na Bahia e em Minas, onde o problema já tinha sido identificado no levantamento anterior, são os fornos de carvão. O alvo são sobretudo as regiões com as chamadas "matas secas", um tipo de vegetação que lembra a do Cerrado e por isso às vezes é confundida com ele. Mas pela lei da Mata Atlântica, de 2006, não é.
Entre os municípios campeões de desmate, três estão em Minas (Águas Vermelhas, Jequitinhonha e Ponto dos Volantes, 1º, 3º e 5º, respectivamente), formando o que especialistas chamaram de "triângulo do desmatamento". Lá, a pressão é dos fornos.
Para a equipe, apesar de o total de desmate parecer pequeno, os dados são significativos porque restam 7,9% de Mata Atlântica no País, quando analisados os fragmentos com mais de 100 hectares - tamanho considerado representativo para a conservação da biodiversidade.
Código Florestal. Mario Mantovani, diretor de Políticas da Mata Atlântica, alerta que o dado também é significativo diante da mudança do Código Florestal. Apesar de a lei da Mata Atlântica prevalecer sobre o Código, garantindo a proteção ao bioma, ele reduz a necessidade de recomposição de mata ciliar que tenha sido desmatada. Na avaliação dos especialistas, para a Mata Atlântica, a recuperação é até mais importante, visto que a maior parte já está destruída.
Isso põe em risco, segundo eles, o fornecimento de água das grandes cidades, como São Paulo.
Dilma liga crescimento a preservação
31 de maio de 2012 | 3h 14 - Rafael Moraes Moura e Tânia Monteiro - O Estado de S.Paulo
Presidente diz que 'produção sustentável é a melhor forma de gerar oportunidades' e reitera que Rio+20 vai exigir cumprimento de metas
BRASÍLIA - Dois dias após a publicação dos vetos do Código Florestal, que geraram críticas de ruralistas e ambientalistas, a presidente Dilma Rousseff disse ontem, em evento no Palácio do Planalto, que a preservação do meio ambiente é "condição essencial" do crescimento econômico. Ela aproveitou para reforçar o convite a delegações estrangeiras para participar da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.
"A matriz energética renovável é sempre melhor do que uma matriz fóssil ou físsil (nuclear)", disse Dilma, durante solenidade de entrega da quarta edição do Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio Brasil. "Percebemos também que um desenvolvimento e um crescimento econômico que não respeitam o meio ambiente comprometem o presente e o futuro dos nossos países", acrescentou a presidente.
Dilma lembrou que falta menos de um mês para a realização da Rio+20, que vai trazer uma "nova discussão". "Sem abrir mão dos nossos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio, temos de dar passos à frente. E os nossos passos à frente são a expressão do nosso comprometimento com essa tríade: incluir, crescer, proteger e conservar, ou conservar, proteger, crescer e incluir", afirmou. "E isso significa que teremos de criar metas, a serem perseguidas e realizadas."
Para a presidente, "aprendemos que a preservação do meio ambiente é condição essencial do crescimento econômico. E descobrimos que a produção sustentável é a melhor forma de gerar oportunidades para a inclusão de todos nós".
Ao final do discurso, a presidente aproveitou para reiterar o convite a "todos os ministros da América Latina, do Caribe e da África" a comparecer à Rio+20.
Compromisso. O setor privado "está quilômetros à frente do setor público" em seu compromisso com o desenvolvimento sustentável. A avaliação é de George Kell, diretor executivo do United Nations Global Compact, uma entidade ligada à ONU com o apoio de empresários ao redor do mundo.
Em entrevista coletiva em Nova York, Kell frisou a importância de a comunidade internacional apoiar a Rio+20 mesmo diante da crise europeia, desaceleração dos Brics, eleições nos EUA e a crise no Oriente Médio. "Não podemos pensar em soluções de curto prazo porque essas levarão à construção de barreiras. O mais importante será restaurar a cooperação multilateral mesmo em um cenário adverso", disse.
O objetivo da Global Compact, segundo ele, é elevar de 7 mil para 20 mil o total de executivos associados na Rio+20.
Ao longo desta semana, diplomatas envolvidos na Rio+20 estão reunidos na sede da ONU em Nova York, na penúltima rodada de negociações para redigir o documento final da conferência, de 20 a 22 de junho - o acordo tem de ser obtido por consenso. Por isso, o processo tem sido demorado. Amanhã, encerra-se o prazo para as negociações. Depois, os debates serão transferidos de Nova York para o Rio./ COLABOROU GUSTAVO CHACRA, DE NOVA YORK
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Ainda tímidas, iniciativas verdes e de baixo custo dão alento
30 de maio de 2012 | 3h 10 - Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo
Energia solar e reúso de água ganham força; Rio já tem exemplos de prédios e escolas sustentáveis
RIO - Numa cidade que está longe de ser exemplo de desenvolvimento sustentável, ou seja, com respeito ao meio ambiente, iniciativas isoladas destacam-se como bons exemplos a serem seguidos: do morador que decidiu criar em casa um sistema de reutilização de água e aproveitamento da energia solar para esquentar o banho da família aos prédios erguidos já com a previsão de cultivo de telhado verde, vidros isotérmicos nas janelas para reduzir o uso de ar-condicionado, coletores seletivos de lixo e sensores de presença para evitar desperdício de luz. A construção pode ficar até 10% mais cara, mas o futuro gasto com energia chega a ser reduzido pela metade.
BBC/Reprodução
Depois da caixa d'água e coletores aquecidos pelo sol (basta um mormaço para dar conta de dois chuveiros) e das calhas para recolhimento de água da chuva, Hans Rauschmayer, alemão radicado no Rio há dez anos, planeja a instalação de placas fotovoltaicas para baixar ainda mais a dependência da eletricidade - hoje a conta da família de cinco pessoas é de apenas R$ 50. A água da chuva serve ao vaso sanitário e para regar as plantas.
Tudo foi preparado com o manual da ONG Sociedade do Sol, que ele baixou na internet (www.sociedadedosol.org.br) e materiais baratos, como tubos de PVC. Rauschmayer trabalhava com informática, mas, seguindo a tradição alemã de preocupação com a ecologia, passou a se interessar mais pela questão. Em 2003, começou a fazer as transformações em casa.
O passo seguinte foi fundar a empresa Solarize Rio, que oferece treinamento para aplicação rápida do que chama de "tecnologia popular do aquecimento solar de baixo custo", tanto para empresas quanto para pessoas comuns. "Queria disseminar algo que ninguém estava fazendo", diz Rauschmayer.
"É muito fácil de preparar, não precisa ter uma especialização, só alguma habilidade. A demanda tem aumentado, existe um movimento por conta da Rio+20, mas o Rio está atrasado em relação a cidades como São Paulo e Belo Horizonte. Eu ainda fico surpreso ao ver que no Brasil o Sol só é aproveitado na praia, ao contrário do que ocorre na Alemanha." O país é o líder do mercado mundial de energia solar, a despeito de seu clima.
O Rio não tem tradição de prédios ambientalmente corretos. Mas empreendimentos imobiliários do gênero têm feito sucesso.
Habitado há dois meses, o Ecolife Freguesia conquistou compradores ao oferecer diferenciais pouco vistos, como descargas com jato mais forte de água, o que torna desnecessário o duplo acionamento, e churrasqueiras ecológicas - a gás, e não a carvão. O gêmeo Ecolife Recreio, finalizado em abril, já está todo vendido.
Certificação. Com paredes com camada dupla de vidro, que reduzem o consumo de ar em até 60%, e corredores iluminados naturalmente, a Universidade Petrobrás, na Cidade Nova, é um dos primeiros prédios sustentáveis da cidade. Recebeu em 2008 a certificação internacional Leed (de Leadership in Energy and Environmental Design), desejada por outros 13 imóveis cariocas. Cumpriu o mínimo de 26 exigências numa lista de 69. Tem até vagas especiais para veículos que poluem pouco.
Um dos postulantes é o Colégio Estadual Erich Walter Heine, onde o esforço se vê nos detalhes: não há copos descartáveis; cada aluno e professor tem sua caneca para beber água. De telhado verde - que, entre outros benefícios, atenua a poluição atmosférica -, a escola, construída em formato de catavento, para maior circulação do ar, se autointitula a primeira instituição educacional sustentável da América Latina.
São casos esparsos, mas que tendem a se tornar mais numerosos, acredita o diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima) da PUC-Rio, Luiz Felipe Guanaes.
"As mudanças de comportamento são processos demorados. Os alunos que nasceram pós-Eco-92 estão chegando à universidade mais conscientes. Os materiais vão baratear, é uma nova sociedade que vai surgir."
Capital da Rio+20 é insustentável
30 de maio de 2012 | 9h 50 - Clarissa Thomé e Heloísa Aruth Sturm - O Estado de S. Paulo
Foto: Marcos de Paula
Cercado de verde, Rio decepciona com praias poluídas e baixo índice de coleta de lixo e saneamento
Limpeza das praias é desafio para a administração do Rio de Janeiro.
Veja também: ESPECIAL: A cobertura da Rio+20
RIO - Cidade que vai abrigar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, o Rio está longe de ser uma capital verde. A cidade acumula problemas - esgoto que contamina praias e lagoas, falta de coleta seletiva, transporte concentrado em ônibus - e seus moradores ainda resistem a abandonar hábitos pouco ecológicos, como as sacolinhas plásticas. Em resumo, a sede da Rio+20 ainda não fez o dever de casa ambiental.
Os problemas são nítidos nas áreas onde vão ocorrer os eventos da conferência. Quem frequentar a Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, parque de 1,2 milhão de m² de cara para o Pão de Açúcar, vai conviver com a poluição da Baía de Guanabara. São jogados 15 mil litros de esgoto por segundo no local, que espera há 20 anos a conclusão do programa de despoluição.
O Rio é um dos poucos lugares a ostentar duas imensas áreas florestais no coração da cidade: a Floresta da Tijuca e o Parque Estadual da Pedra Branca. A cidade tem 34,7 mil hectares de vegetação natural e 2,2 mil hectares de áreas reflorestadas (30,3% do seu território), o equivalente a mais de 230 Parques do Ibirapuera, segundo dados do município.
É a cidade com maior cobertura vegetal do País - cerca de 700 mil árvores plantadas em calçadas e canteiros compõem a arborização urbana do Rio. Mas quem transita somente pelas zonas sul e oeste da cidade, regiões turísticas que servem de cenário para os principais cartões-postais do Rio, não imagina que a capital carioca apresenta, em diversos pontos, uma grande escassez de áreas verdes.
Jardins. Enquanto a cidade tem uma média de 55 m² de área verde por habitante, bem acima dos 12m² recomendados pela Organização Mundial da Saúde, a zona norte registra apenas 3,75. Se considerarmos apenas a área verde pública de lazer, como parques e jardins, o índice cai para 0,6 - pior do que o verificado no extremo leste de São Paulo.
Na zona oeste, as ligações clandestinas de esgoto e o lixo fazem as lagoas da Baixada de Jacarepaguá agonizar há anos. São lagoas vizinhas ao Riocentro, sede da conferência da ONU. Em alguns pontos, estão tão assoreadas que a profundidade é de menos de meio metro.
"Essa região teve um crescimento urbano muito rápido e a infraestrutura sanitária não acompanhou", explica Fátima Soares, gerente de Avaliação de Qualidade das Águas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
A zona oeste tem o pior indicador de saneamento básico de toda a cidade. Apenas 79% dos domicílios estão conectados à rede de esgoto, e ainda ocorre o lançamento em valas, rios ou no mar.
É nessa área que fica a região de Guaratiba, onde se localiza uma reserva ecológica de 36 km². Ali, cerca de 18% de todo o esgoto é lançado em valas e quase 6% vão direto para lagos e o oceano - média inferior à da cidade, que registra 2,24% de esgoto a céu aberto e 1,43% nas águas.
Mas uma das situações mais graves é registrada no Alto da Boa Vista, na região da Floresta da Tijuca, zona norte. O bairro de classe alta possui rede de esgoto em apenas 66% dos domicílios. Em 14% das residências, tudo é despejado em fossas rudimentares, e em 11% dos casos o esgoto é lançado no rio.
As famosas praias da zona sul também foram afetadas pelo esgoto. No último verão, a do Leblon, por exemplo, só foi considerada própria por dois dias. Dois projetos, ao custo de R$ 650 milhões, preveem a despoluição das praias até 2014 e das lagoas, até 2016.
O desafio do lixo. Embora a prefeitura vá fechar o Aterro de Gramacho, o maior da América Latina, em 1.º de junho, a questão do descarte do lixo está longe de ser resolvida.
A coleta seletiva atinge poucas ruas de 41 dos 160 bairros. A quantidade de lixo separada na cidade ao longo de todo o ano passado, 7, 1 mil toneladas, é próxima do que São Paulo reciclou só no bairro de Vila Mariana - 6,7 mil toneladas. No Rio, a coleta seletiva se restringe a 0,3% das 152 mil toneladas de dejetos coletados por mês.
Promessa. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) promete uma cidade mais verde até 2016. "Agora é que podemos começar a pensar em lixo reciclado. Como eu ia pensar em reciclagem em uma cidade que não tinha um centro de tratamento de resíduos adequado? Agora estamos fazendo dez centros de reciclagem em uma primeira parceria com BNDES, em um investimento de R$ 60 milhões. O programa de despoluição das lagoas está em execução, financiado pelo governo federal. Tem avanços, mas o caminho é longo", reconhece.
Angela Fonti, presidente da Companhia Municipal de Limpeza Urbana, promete "ação mais agressiva" para reduzir a informalidade na coleta seletiva. "Mas a gente precisa também que a sociedade entenda que tem de reciclar materiais."
É a falta de participação popular que compromete a aplicação da lei das sacolas, diz o coordenador de Fiscalização do Inea, José Maurício Padrone. Desde julho de 2010, o consumidor tem direito a R$ 0,03 de desconto na conta a cada cinco produtos que compra e dispensa o uso da embalagem descartável. Não pegou: ou a população não leva a sua sacola retornável ao mercado ou o próprio estabelecimento não dá o desconto. Em dois anos, 134 comércios foram fiscalizados e 34, multados.
A estimativa é de que 2 bilhões de sacolas deixaram de ser distribuídas. "Isso é um problema de mentalidade e de educação, e não é só do carioca, é um problema nacional. A pessoa tem aquela visão de que é a favor, acha muito bom, mas não se vê como agente participativo direto", diz Angela.
"Isso tem de se transformar em disposição por ações proativas, é um desenvolvimento de mudança de hábitos", afirmou Carlos Alberto Muniz, vice-prefeito e secretário de Meio Ambiente do Rio de Janeiro.
Uso de bicicleta cresce 300% e vira alternativa no Rio
30 de maio de 2012 | 7h 43 - Clarissa Thomé - O Estado de S. Paulo
Werther Santana/AE
O bancário Ângelo Rossi, de 44 anos, enfrentava duas horas e meia no trânsito para chegar ao trabalho, de ônibus. De carro, também demorava muito - uma hora e meia. Depois de muito estudo e troca de informações em fóruns virtuais, investiu R$ 1,3 mil em uma bicicleta dobrável e passou a ter outra rotina. Para chegar à agência, pedala um trajeto de 6 km em 15 minutos e passa outros 20 na barca que faz a travessia Rio-Niterói.
Ela é utilizada por 200 mil pessoas na cidade, mas está longe de competir com meios mais poluentes
Rio tem hoje 270 quilômetros de ciclovia - a segunda maior malha da América Latina
Como ele, outras 600 mil pessoas utilizam a bicicleta na Região Metropolitana do Rio de Janeiro como meio de transporte. Na capital, são cerca de 200 mil, de acordo com a organização não governamental Transporte Ativo, que monitora o uso da bicicleta. Só o serviço de aluguel de bicicletas lançado em outubro pela prefeitura - as laranjinhas -, bateu a marca de 500 mil viagens no fim de abril.
"Nos últimos dez anos, aumentou em 300% o uso da bicicleta como meio de transporte. Isso tem a ver com o conhecimento cada vez maior do benefício para a saúde, com o fato de o trânsito estar caótico e com as facilidades para quem anda de bicicleta", afirma José Lobo, presidente da ONG.
De ônibus. A cidade do Rio tem hoje 270 quilômetros de ciclovia, é a segunda maior malha da América Latina (perde para Bogotá, na Colômbia, que tem 350 km). A prefeitura vai ampliar para 300 km até o fim do ano. No ranking elaborado pela consultoria europeia Copenhagenize Consulting, é a 18.ª cidade mais amigável do mundo para ciclistas - deixa Viena e Nova York para trás.
Ainda assim, a bicicleta está longe de competir com outros transportes mais poluentes. Diariamente, 2,5 milhões de pessoas se locomovem em ônibus no Rio de Janeiro, 640 mil usam o metrô e 516 mil viajam de trem.
Em parte, porque não é fácil seguir o exemplo de Rossi. Ele não tem vestiário nem bicicletário na empresa. "Dobro a bicicleta e guardo em baixo da minha mesa. E o dinheiro que eu economizo no ônibus, pago uma academia. É lá que eu tomo banho antes de trabalhar."
Resistência da indústria ameaça metas de economia verde do País
30 de maio de 2012 | 9h 42 - Marta Salomon - O Estado de S. Paulo
Rejeição do setor em cortar emissões arranha imagem do País na Rio+20 e dificulta transição
BRASÍLIA - A indústria brasileira resiste a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a expansão do consumo de etanol decepciona, obrigando o governo a rever as metas de combate ao aquecimento global, definidas há mais de dois anos. Às vésperas da Rio+20, negociações de bastidores mostram que há pedras no caminho para a economia verde no Brasil.
Veja também: ESPECIAL: A cobertura da Rio+20
Agência Estado
Aumento no consumo de gasolina motivou revisão nas metas de redução de emissão de gases
É forte a resistência da indústria a cortar em 5% as emissões com base na quantidade de toneladas de carbono projetada para 2020, conforme proposta apresentada recentemente pelo Ministério do Desenvolvimento como detalhamento das metas brasileiras de combate ao aquecimento global para o setor. A indústria química e os setores de papel e celulose, cimento e alumínio serão os primeiros a terem de se enquadrar, a partir do ano que vem, em um quadro ainda nebuloso de regras.
"A minha maior briga no governo foi fazer decolar o Plano Indústria. Bati na mesa e saí frustrado", contou ao Estado o ex-secretário de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente Eduardo Assad, que deixou o cargo em janeiro, depois de um ano de tentativas malsucedidas em obter um acordo com a indústria para cortar o lançamento de gás carbônico na atmosfera.
"Ainda vamos descobrir o impacto dessa meta de 5%", ponderou Paula Bennati, gerente de Meio Ambiente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Por enquanto, não há um compromisso de adesão por parte das grandes indústrias. "Formalmente, não existe penalidade para o caso de descumprimento da meta", completou. A indústria pede incentivos ao governo e alega que ajustes tecnológicos podem atrapalhar o já fraco desempenho do setor.
"A CNI fala por uma parcela consideravelmente forte da indústria, mas há empresas com visões diferentes. Temos de refletir sobre o nosso modelo de negócio, pois os desafios serão maiores depois de 2020", contrapõe Jorge Abrahão, presidente do Instituto Ethos.
Mas é o aumento do consumo de gasolina no País o pivô da primeira revisão nas metas de redução das emissões de gases de efeito estufa, antecipou ao Estado o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. O aumento no consumo de gasolina no País vai na contramão do crescimento projetado do consumo de etanol, reconhecidamente uma fonte mais limpa de energia.
Frota. A previsão de produção de 73,3 bilhões de litros de álcool em 2020 foi reduzida em 10 bilhões de litros, ao mesmo tempo em que o governo estimula a venda de veículos no País e a frota não para de crescer.
Como o cultivo da cana-de-açúcar captura carbono da atmosfera, o governo apostou no aumento do consumo de biocombustíveis como importante instrumento para alcance das metas de corte das emissões. Mas o comportamento do mercado, provocado entre outros motivos pela resistência do governo em aumentar o preço da gasolina, com impacto na inflação, frustrou as metas de clima.
"Esse é o ponto que mais cria problemas. Estamos mapeando como compensar essa queda nas projeções do consumo do etanol e o aumento das emissões da gasolina. Uma taxa menor de crescimento da economia, de certa forma, tem efeito nas nossas projeções", disse Tolmasquim, responsável pelo Plano Decenal de Energia, com as metas para o setor.
Ele também conta com o aumento do número de usinas eólicas e o fracasso do grupo Bertim em entregar usinas térmicas contratadas em 2008 como forma de equilibrar as projeções.
A meta oficial na área energética é reduzir as emissões entre 166 e 207 mil toneladas de carbono lançadas na atmosfera até 2020. O aumento do uso de biocombustíveis por cerca da terça parte dessa meta. "O ideal seria que o etanol crescesse um pouco mais", calculou Tolmasquim.
Entre as metas estabelecidas para a área de geração de energia, o aumento do consumo de biocombustíveis só perde para a expansão de oferta de energia por usinas hidrelétricas.
Leilão. Para cumprir as metas lançadas antes da conferência do clima de 2009 e confirmadas por lei, o governo prevê o leilão à iniciativa privada da construção e operação de duas novas usinas hidrelétricas no Pará: São Luiz do Tapajós e Jatobá. A previsão é que a usina de São Luiz do Tapajós entre em operação em 2016, com mais da metade da potência da gigante Belo Monte, também no Pará.
Para apressar os empreendimentos, a presidente Dilma Rousseff editou medida provisória que reduz em 1.032 quilômetros quadrados a dimensão de cinco unidades de conservação na Amazônia, área que poderá ser desmatada para a construção dos lagos das hidrelétricas. A redução nessas áreas de floresta protegida equivale a quase 70% do tamanho da cidade de São Paulo.
Desmatamento. Por ora, o governo brasileiro ainda conta com os resultados do combate ao desmatamento na Amazônia como o maior trunfo na redução das emissões de carbono. O abate da floresta é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa no Brasil. E a redução do desmatamento responde por quase 70% da meta brasileira de enfrentamento das mudanças climáticas.
No ano passado, a Amazônia perdeu 6.238 quilômetros quadrados de floresta, o menor número desde 1988, quando os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais começaram a medir o avanço das motosserras, mas mais de quatro vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Mas mesmo o combate ao desmatamento não é considerado uma estrada sem acidentes no caminho da economia verde.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
SBPC e ABC pedem vetos a novo Código Florestal
18 de maio de 2012 | 3h 04 - Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo
Em carta à Presidência, entidades lembram riscos ao ambiente e à agricultura e pedem MP que recupere pontos de proteção
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) entregaram nesta quinta-feira uma carta à presidente Dilma Rousseff criticando o texto aprovado na Câmara que muda o Código Florestal.
As organizações, que desde o final de 2010 vêm apresentando uma série de pesquisas ao governo e ao Congresso para ajudar a balizar a nova lei, queixam-se que essas sugestões - assim como os avanços conquistados no texto que havia saído do Senado - foram ignoradas. O resultado, dizem, é um texto que traz "riscos para o ambiente e para a própria produção agrícola" e não a concilia com a "sustentabilidade ambiental".
A carta esmiúça os perigos de vários pontos que foram inseridos no projeto da Câmara, lembra os riscos da exclusão de outros que estavam no texto original ou na proposta que saiu do Senado e sugere vetos a alguns artigos, incisos e parágrafos. Ao contrário do que vem sendo solicitado por outras entidades, porém, ele não fala em veto total.
"A SBPC e ABC entendem que é uma posição filosófica respeitar o trabalho feito pelo Congresso. Não se pede o veto total, mas citamos todos os problemas que estão no texto da Câmara. Uma leitura mais crítica apontaria para a necessidade do veto total", afirma o biólogo Carlos Joly, da Unicamp e um dos membros do grupo de trabalho criado para discutir o Código Florestal.
"O que não dissemos, mas gostaríamos de dizer, é que os vetos deveriam ser encaminhados junto com uma medida provisória porque, ao vetar determinados artigos, ficará um vácuo jurídico aumentando a incerteza", diz.
O documento dos cientistas pede, por exemplo, veto ao parágrafo que exclui das Áreas de Proteção Permanente (APPs) os apicuns e salgados, dois tipos de manguezais que são visados para a produção de camarão.
Reservas. A carta também questiona o artigo que possibilita a redução da Reserva Legal de 80% para 50% em alguns casos. "Esse dispositivo não é compatível com a política ambiental brasileira, diante dos compromissos internacionais de reduzir as emissões de gases de efeito estufa."
E pede que sejam retomados numa "nova proposta legal" pontos que saíram do Senado. É o caso do artigo que condicionava a obtenção de crédito agrícola à inscrição do imóvel no Cadastro Ambiental Rural. Da lei em vigor, eles pedem a manutenção da proteção das matas ciliares. "As APPs nas margens de cursos d'água e nascentes devem ser preservadas e, quando degradadas, devem ter a vegetação integralmente restaurada." No texto atual, a obrigação caiu para 50% para os rios com menos de 10 metros de largura e não foram definidas para rios mais largos.
Câmara aprova redução de área protegida
16 de maio de 2012 | 3h 03 - Giovana Girardi - O Estado de S.Paulo
Projeto transforma em lei MP do governo que viabiliza construção de quatro usinas em unidades de conservação da Amazônia; texto segue para o Senado
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira projeto que converte em lei a polêmica medida provisória 558, que reduz o tamanho de unidades de conservação na Amazônia.
A medida havia sido decretada pelo governo federal em janeiro para viabilizar a construção de quatro usinas hidrelétricas. Na forma do projeto do relator Zé Geraldo (PT-PA), o texto reduz o tamanho de oito UCs, num total de mais de 164 mil hectares de área voltada para proteção.
A redução ocorre nas Florestas Nacionais de Itaituba 1, Itaituba 2, do Crepori e do Tapajós, na Área de Proteção Ambiental (APA) Tapajós e nos parques nacionais dos Campos Amazônicos, da Amazônia e Mapinguari.
Geraldo incluiu ainda a exclusão de duas áreas da Floresta Nacional do Tapajós, em um total de 17.851 hectares, para regularizar problemas agrários de duas comunidades. O texto segue agora para apreciação no Senado.
A medida vem sendo criticada por ambientalistas por ir na contramão das metas assumidas pelo governo federal de diminuir as emissões de gás carbônico liberado pelo desmatamento.
Estudo divulgado na semana passada pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) estimou que mais de 150 milhões de toneladas de CO2 serão emitidos caso a área de mais de 100 mil hectares na Bacia do Tapajós - composta 85% por floresta intacta - seja alagada, desmatada ou degradada.
Para Paulo Barreto, diretor da ONG de pesquisas baseada em Belém, a aprovação, aliada à modificação do Código Florestal, "mostra que o Congresso e a presidência da República estão desmontando coisas que deram certo na questão ambiental".
As UCs são consideradas cruciais para frear o desmatamento. "O governo deixou de criar novas UCs e agora está reduzindo as que têm. É preocupante."
O relatório, lançado antes da votação na Câmara, alertava que a conversão da MP em lei abriria precedente para que outras reduções de áreas protegidas ocorram, além de tornar o processo de licenciamento ambiental questionável juridicamente.
O texto também pedia rapidez do Supremo Tribunal Federal, que analisa se é constitucional reduzir UCs por MP. Mas, para impedir o avanço da lei, a ação direta de inconstitucionalidade tem de ser votada antes de o Senado votar.
"O problema é que o governo disse que seriam criadas novas UCs para compensar essa redução, mas por enquanto não há nenhuma sinalização. Eles já deveriam ter criado antes de reduzir", diz Barreto.
Aldeia de índios não tem sede definida
18 de maio de 2012 | 3h 05 - Antonio Pita - O Estado de S.Paulo
As duas opções, em Jacarepaguá, ficam em locais poluídos e dominados por milícia
RIO - Faltando menos de um mês para o início da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), um dos eventos da programação paralela ainda não tem local definido. A Aldeia Kari-Oca, que reunirá diferentes tribos indígenas nacionais e povos nativos de diversos países, ainda busca um espaço para instalar as ocas onde ocorrerão debates e atividades culturais.
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Wilton Júnior/AE
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Na tarde de ontem, organizadores do projeto e representantes do governo federal e municipal se reuniram para definir o local do projeto. A proposta é que a aldeia ocupe um terreno no campus da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) localizado na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, na zona oeste. A colônia fica a cerca de 8 quilômetros do local da conferência e até a década de 90 abrigou um centro de tratamento psiquiátrico.
Em um dos locais visitados, o acesso passava por uma área de esgoto a céu aberto e com carcaças de animais no caminho. No outro terreno, um canteiro de obras, com materiais de construção e entulhos, preocupava os organizadores. "Não queremos ficar em um local urbano, em que o ecossistema esteja prejudicado. Isso seria falso para nós", afirmou um dos organizadores do evento, o líder indígena Marcos Terena.
Outra preocupação dos organizadores é a segurança. Segundo um dos representantes da Fiocruz, os terrenos ficam numa região dominada por uma milícia. Essa foi a terceira visita realizada pelos organizadores ao Rio na tentativa de encontrar um terreno adequado para o projeto.
Prazo. A aldeia reedita um encontro indígena que ocorreu durante a Rio-92 e deve reunir 1,6 mil participantes, entre tribos brasileiras e povos de diferentes países, como Nigéria, Canadá e até do Japão. A proposta é agregar aos debates oficiais da ONU a visão dos povos indígenas sobre a questão ambiental.
A área planejada para toda a estrutura da Kari-Oca é de 7 mil m². Serão instalados alojamentos, banheiros ecológicos e duas ocas para receber debates e atividades culturais. Uma delas, com capacidade para 500 pessoas, é chamada de Casa da Sabedoria, onde ocorrerão debates entre pajés e líderes de povos nativos participantes. O outro espaço, a Techno-Oca, será voltado para a difusão das atividades.
Para ajudar na construção do espaço, 20 índios da tribo Kamaiurá, da região do Alto Xingu (MT), devem chegar ao Rio na próxima semana.
O prazo estimado para a conclusão das obras é de três semanas.
Última manifestação contra o Código Florestal acontece em SP
20 de maio de 2012 | 13h 29 - Gheisa Lessa - Central de Notícias
1.500 pessoas se reuniram nesta manhã de domingo no Ibirapuera a favor do veto ao novo Código
Thiago Teixeira/AE
Cerca de mil e quinhentas pessoas se reuniram, na manhã deste domingo, 20, em frente ao Monumento das Bandeiras, nas proximidades do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo em um ato público a favor do veto do novo Código Florestal.
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Thiago Teixeira/AE
Manifestantes pedem veto ao novo Código Florestal
O ato público com o tema #VetaTudoDilma pediu que a presidente Dilma Rousseff recuse a sanção do novo Código Florestal, que foi aprovado na Câmara no último dia 25 de abril. Esta foi a última manifestação pela proibição do código, porque na próxima sexta-feira, 25, Dilma terá que decidir vetar ou aprovar, seja totalmente ou parcialmente, o Código Florestal.
De acordo com informações da Polícia Militar, o ato foi pacífico e terminou por volta das 13h, após o grupo ter feito uma passeata nos entornos do Parque do Ibirapuera.
A mobilização foi realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica, com apoio dos comitês em Defesa das Florestas nacional e paulista, coalizões formadas por centenas de organizações da sociedade civil brasileira.
Segundo informações da Fundação SOS Mata Atlântica, o diretor de Políticas Públicas do órgão, Mario Mantovani, afirma que a aprovação do Código Florestal vai na contramão da opinião pública. "Chegamos a 1,8 milhão de assinaturas contrárias a esta aprovação. Portanto, a mobilização não é geograficamente localizada, é uma campanha nacional e internacional, uma atitude de cidadania."
O movimento contrário ao texto aprovado pela Câmara, no fim de abril, ganhou corpo nas redes sociais e, em maio, ganhou apoio de globais como a atriz Camila Pitanga, o ator Vitor Fasano, do ator e jornalista Wagner Moura entre outros.
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