
Cochabamba, sede da conferência alternativa da Bolívia. ©Daniel Semper.
Alguns meses atrás, o presidente de Bolívia, Evo Morales, anunciou que o país promoveria em abril uma cúpula alternativa para discutir temas relacionados à mudança climática.
Agora, em um artigo publicado no jornal inglês The Guardian, o embaixador da Bolívia perante as Nações Unidas, Pablo Solón Romero, reafirmou as convicções de seu país e falou do fracasso de Copenhague. A cúpula boliviana deve acontecer entre 19 e 22 de abril.
No artigo, Solón Romero afirma: "Quando Copenhague terminou, os que defendiam seu resultado falaram de dar um 'passo na direção correta'. Este sempre foi um argumento tendencioso, já que não se pode enfrentar o aquecimento global com meias medidas. (...) A Bolívia acredita que Copenhague marcou um retrocesso, desfazendo o trabalho desenvolvido desde as reuniões em Kyoto. É por isso que nós e outros países em desenvolvimento nos negamos a assinar o Acordo de Copenhague, e é por isso que organizaremos uma reunião internacional sobre a mudança climática no mês que vem".
Segundo o diplomata, apesar de a posição dos países em desenvolvimento ter sido muito criticada, os compromissos dos países desenvolvidos para reduzir suas emissões comprovaram que eles tomaram a decisão correta. Apesar de a meta ideal de redução de emissões ser de 40% até 2020, os países industrializados se comprometeram com metas entre 13 e 17%.
Solón Romero destaca também que o Acordo de Copenhague permite o aumento de emissões em 2,6% sobre os níveis de 1990, e que isso não pode ser considerado um passo à frente. O fato de o acordo ser voluntário e não-vinculante agrava o problema.
Este tipo perigoso de negociações sobre o clima é como construir uma represa em que as pessoas contribuem com os tijolos que puderem, sem se importar se irão deter o rio ou não", afirma.
A reunião que a Bolívia organizará entre 19 e 22 de abril em Cochabamba chama-se Conferência Mundial dos Povos sobre a Mudança Climática e os Direitos da Mãe Terra (http://cmpcc.org/). Como diz seu nome, ela se concentrará em convocar a sociedade civil e colocar no centro da discussão a busca de soluções justas para as mudanças climáticas, não ditadas apenas pelas viabilidades econômicas.
"Diferentemente de Copenhague, não haverá discussões secretas nem portas fechadas. Os debates e propostas serão guiados por comunidades que agem nos limites das mudanças ambientais e por organizações e indivíduos que se dedicam a combater a crise climática", explica o diplomata.
Segundo Solón, os 192 estados participantes da ONU foram convidados a partipar do evento. Cabe mencionar que a Bolívia está entre os países mais afetados pela mudança climática, já que o desaparecimento de geleiras está dificultando o fornecimento de água para alguns povoados.
"Esperamos que este formato único ajude a devolver o poder ao povo nesta questão crítica para a humanidade. Não esperamos acordos em todos os pontos, mas ao menos podemos começar a discutir de forma aberta e sincera, o que não ocorreu em Copenhague".
Mais sobre o resultado da conferência de Copenhague e negociações sobre o clima:
'Acuerdo de Copenhague': Trato no vinculante para evitar que la temperatura suba más de 2 grados

Nenhum comentário:
Postar um comentário