sábado, 24 de abril de 2010

Políticos querem construir ponte ligando continente à Ilha de Itaparica

Pessoal
Os trechos relativos à política eleitoral desta matéria não importam. Contudo, a
parte que fala da construção de uma ponte ligando o continente à ilha de Itaparica
é muito importante de ser lida e creio que devemos nos engajar num MOVIMENTO
CONTRA A OBRA, pois ela é um absurdo ambiental e social. Seria como construir uma
ponte para a nossa Ilhabela, uma estância turística que HOJE JÁ ESTÁ DETONADA por
"empreendedores turísticos" que só se utilizaram da travessia por Ferry-boats para
destruí-la, imaginem com uma ponte.
Fiquem ligados, pois logo a Agência Costeira vai iniciar um movimento para impedir
a obra de alguns poucos baianos aloprados.
Saudações Costeiras e Marinhas
Martinus

DIAS DE FúRIA E FOLIA
Vitor Hugo Soares
De Salvador (BA)
Vivemos dias de fanfarronadas travestidas de fúria, desavenças e
desacatos: na política em ano eleitoral; no centro do poder de
sonhos absolutistas em Brasília; nos governos estaduais em
desalinho. Observo da Bahia quase tudo, sem entender quase nada do
que dizem e do que pretendem , além dos efeitos retóricos,
personagens como Ciro, Serra, Dilma, Lula, Aécio e até mesmo o
governador Jaques Wagner e auxiliares, neste período em que Momo
começa a imperar.

Dirão alguns que quase sempre foi assim, e o espanto é por
deficiência de memória. Momo é tempo de bazófia, de brincadeira,
gandaia, confusão. Em alguns lugares bem mais que em outros. No
Brasil - e na Cidade da Bahia em especial -, é um tempo
desconcertante, bem próximo das palavras usadas pela Enciclopédia
Universalis (Paris, 1970) para definir lugares e personagens de
"Histórias de Cronópios e Famas", o livro notável de Julio
Cortázar.

"Sobre um fundo de caricaturas da vida de Buenos Aires, é uma
seleção variada, insólita, de notas, de fantasias e de
improvisações. Um humor melancólico, irônico ou violento"... Eis
a mais perfeita definição destes dias da política e da vida
brasileira. No Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro,
em Minas , na Bahia, em Pernambuco. Tanto que o governador de São
Paulo, José Serra (PSDB), e a ministra Dilma Rousseff (PT), já
anunciam que estarão em Salvador em pelo menos um dia para ver de
perto essa folia. Faltam Ciro (PSB) e a verde Marina (PV) para a
festa ficar completa e mais animada.

Por falar em Bahia, o secretário de Planejamento estadual, o
evangélico deputado petista Walter Pinheiro, ataca com ferocidade
inusitada ao escritor João Ubaldo Ribeiro. Entrevistado pelo "Jornal
do Brasil", Pinheiro surpreendeu esta semana pelas imagens e palavras
agressivas ao partir para cima do autor de "Viva o Povo Brasileiro",
em defesa do governo na polêmica em torno da ideia do governador
Jaques Wagner de construir uma ponte com 13km de extensão, ligando
Salvador à Ilha de Itaparica. A obra bilionária (R$1,5 a 2 bi) já
desperta cobiça de quatro grandes empreiteiras - OAS e Odebrecht à
frente.

Nascido em Itaparica e dono da obra fabulosa que projetou a ilha
baiana no mundo inteiro, Ubaldo se opõe frontalmente à obra. A
considera faraônica e distante das prioridades locais. Expôs isso
com argumentos devastadores em defesa de sua opinião em artigo
publicado no jornal _A Tarde_, que ganhou apoio nacional.

Depois de largo silêncio e ao ver o incêndio se espalhar pelo
país, o governo Wagner saiu em defesa do projeto. Mas já corria na
frente o manifesto intitulado "Itaparica: ainda não é adeus", de
apoio a Ubaldo, que recebeu assinaturas de figuras do porte de Chico
Buarque de Holanda, Verissimo, Emanoel Araujo, Cacá Diegues, Milton
Hatoum, Ricardo Cravo Albin, Sonia Coutinho, Jomard Muniz de Britto,
Hélio Pólvora, Edson Nery da Fonseca, Sebastião Nery, Hélio
Contreiras, entre muitos outros, baianos ou não.

Mas a fúria do secretário Pinheiro na defesa da ponte surpreendeu
até alguns petistas, lembrados da docilidade do parlamentar nos
debates com João Henrique Carneiro (PMDB), na última eleição
para a prefeitura de Salvador, na qual Pinheiro foi fragorosamente
derrotado: nos debates e nos votos. Vejamos dois trechos do que
disse sobre João Ubaldo, o secretário encarregado de tocar o
projeto (segundo assinala o JB):

- O João Ubaldo tem todo o direito de destilar o veneno dele. Deve
estar olhando para governos anteriores.

- O velho João Ubaldo saiu da rede. Se não fosse o PMI
(Procedimento de Manifestação de Interesse), ele receberia a ponte
pelo peito.

Ontem, no jornal _A Tarde_, o próprio governador Wagner se
encarregou de renovar o combustível da polêmica, ao chamar de
"besteirol" e "clichês" os argumentos do escritor João Ubaldo. É
mais que provável que tudo terá resposta. A questão é saber se
antes ou depois do carnaval.

Enquanto isso vale verificar o que andou rolando esta semana fora da
Bahia.

Ao retornar de férias na Europa, o deputado do PSB, Ciro Gomes,
candidato do partido à sucessão de Lula, jogou água gelada na
cabeça dos que já consideravam favas contadas sua desistência da
postulação, em favor do nome da ministra Dilma Rousseff. "O PSDB e
o PT querem que eu retire a minha candidatura. Algum dos dois está
errado. A única pessoa que está certa de querer tirar a minha
candidatura é o Serra. Significa que o santo Lula nesse assunto
está errado", rebate Ciro.

Se o tiroteio é mesmo pra valer, ou apenas bala de festim de
carnaval, só se saberá depois de Momo passar.

O senhor de Brasília parece apostar no tempo, senhor da razão.
Depois do susto da crise de hipertensão em Recife, Lula dá sinais
de ter colocado a cabeça no congelador - velha e sábia receita do
gaúcho Leonel Brizola - mas sem deixar de falar grosso. "Eu meço
minha pressão todos os dias: é 11 por 7 (em Pernambuco bateu nos
18 x 12). Foi um problema (a crise de hipertensão) que aconteceu.
Mas, se eles pensam que vou ficar sentadinho em Brasília, podem
tirar o cavalinho da chuva. Vamos inaugurar tantas obras que eles
vão ficar doidos.". Ontem já estava em Florianópolis.

"Eles", provavelmente, são os tucanos e a turma do DEM, assim como
os petistas baianos chamam de "essa gente" o ex-governador Paulo
Souto (DEM), os ex-carlistas no Estado e, ultimamente, o cantor
Caetano Veloso e o escritor João Ubaldo.

A conferir, depois que o carnaval passar.

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