sábado, 3 de abril de 2010

Davos e Fórum Social Mundial: dois eventos opostos, um tema comum



O presidente do México, Felipe Calderón, em Davos. Foto: World Economic Forum.

Esta semana, dois eventos internacionais com perfis marcantes e quase opostos estão em andamento. De um lado, o Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça) reúne os dirigentes, empresários e economistas das nações mais poderosas do mundo. De outro, o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, aglutina líderes globais, organizações não-governamentais e intelectuais para discutir alternativas ao capitalismo e ao neoliberalismo, e assim imaginar que "outro mundo é possível”, como diz seu lema.

Ambos os eventos, no entanto, possuem um tema em comum: a mudança climática. Tanto economistas como ativistas de esquerda estão trocando ideias para tentar encontrar saídas para o dilema planetário. Aqui vão algumas das ideias debatidas nos dois eventos.

Davos

A mudança climática é uma das questões principais do fórum de Davos. Hoje aconteceu um painel especial sobre o tema, e as perspectivas não são as otimistas.

Segundo a Reuters, o líder da divisão de mudança climática da ONU, Yvo de Boer, disse não acreditar que se possa chegar a um acordo na COP16 deste ano, apontando 2011 como o próximo prazo factível.

Como era de se esperar, o fator econômico manteve seu peso. O presidente do México, Felipe Calderón, ressaltou que o desafio é enfrentar a mudança climática e a pobreza simultaneamente. "O pacto de baixo carbono deve ser um novo modelo de desenvolvimento que forneça novas oportunidades de crescimento e de trabalho, e elas devem chegr ao países mais pobres", destacou Calderón, segundo o Times. Um exemplo: o presidente pediu ao diretor da Renault-Nissan, Carlos Ghosn, que passasse a produzir carros elétricos no México.

O Fórum Social Mundial
Lula no Fórum Social Mundial. Imagem: Stephen Messenger, via TreeHugger.

Como era de se esperar, os temas presentes no Fórum Social Mundial giram em torno dos problemas que afetam as nações mais pobres: o consumismo desmedido dos países ricos, a necessidade de desenvolvimento das nações do Terceiro Mundo, o estilo de vida capitalista e seu impacto sobre o meio ambiente e a responsabilidade dos países ricos sobre a poluição e as emissões que produzem.

Durante o segundo dia do evento, o presidente Luiz Inácio “Lula” Da Silva, assegurou que o Brasil está preparado para guiar a “reforma verde” e que as nações desenvolvidas que mais poluem devem compensar o “fardo” que geraram, segundo informa o site TreeHugger.

Segundo o segundo o TreeHugger, a ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil e agora senadora, Marina Silva, comentou que chegamos a uma era de limites e que temos de modificar políticas e forjar alianças com diferentes gerações.

Estas são só algumas das declarações e discussões que permeiam estes dois eventos de relevância mundial, mas elas são suficientes para chegarmos a uma conclusão: infelizmente, os países desenvolvidos e em desenvolvimento continuam sem encontrar um denominador comum.

O problema vai além de quem tem razão ou não: sem consenso, um acordo global torna-se impossível. Ao que parece, Porto Alegre e Davos não estão a milhares de quilômetros de distância apenas fisicamente.

O presidente do México, Felipe Calderón, em Davos. Foto: World Economic Forum.
Lula no Fórum Social Mundial. Imagem: Stephen Messenger, via TreeHugger.

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