LONDRES - As mudanças econômicas dos últimos anos fizeram surgir uma "classe média global", cujo poder de compra será responsável pela condução do crescimento mundial. A constatação é do Fórum Econômico Mundial, que divulga nesta sexta-feira, 26, o relatório "Global Growth@Risk". Segundo a entidade, o poder está mudando para as economias que possuem classe média crescente, definida pelas pessoas que ganham entre US$ 6 mil e US$ 30 mil por ano.
"Essa classe média global resultará na mudança de dieta e de hábitos de milhões de pessoas, além da procura por melhor moradia e educação, com a adoção de tecnologias e serviços financeiros mais sofisticados", diz o relatório. O Fórum acredita que tal mudança trará oportunidades e riscos. Os desafios recaem sobre a produção de alimentos e energia e o impacto no meio ambiente. "O consumo de alimentos e energia vai crescer à medida que um maior porcentual da população eleve sua renda, o que vai requerer uma expansão da atual capacidade de produção."
Segundo a entidade, muitas dessas populações de classe média estão localizadas em cidades grandes e com rápido processo de expansão. "Elas fazem parte da maior mudança para as áreas urbanas desde a Revolução Industrial", avalia o documento. "Se as questões sobre descolamento e demanda por energia e commodities estão crescendo exponencialmente, é porque a economia global está sentindo os primeiros efeitos de uma mudança histórica de poder econômico e demográfico." O Fórum recomenda que os governos e as empresas trabalhem em parceria para criar a infra-estrutura necessária e atender esse mercado com produtos e modelos sustentáveis.
Emergentes
Ainda de acordo com o relatório, o crescimento econômico dos países emergentes parece menos suscetível à desaceleração nos Estados Unidos, mas ainda há riscos. A entidade afirma que os dois maiores emergentes do mundo, a China e a Índia, têm registrado forte avanço no consumo doméstico, além de melhora da produtividade e diversificação dos parceiros comerciais.
O relatório cita a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), de que o crescimento seguirá robusto para quase todos os emergentes. A China e a Índia devem registrar aumento de 10% e 8%, respectivamente, do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. A inflação, que atingiu dois dígitos em diversos países em desenvolvimento ao longo deste ano, tende a recuar em conseqüência da redução do preço das matérias-primas (commodities), avalia o Fórum.
No entanto, mesmo com a retração, os preços dos alimentos e da energia permanecem muito mais elevados do que há um ano e meio. "Como os alimentos respondem por 30% a 40% ou mais da cesta de consumo em muitos países emergentes, contra 15% nas economias do G-7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo, formado por EUA, Japão, Alemanha, Canadá, Itália, França e Reino Unido), a alta dos preços tem um efeito adverso grande sobre a população de baixa renda e pode permanecer como fonte de risco não só econômico como político."
Apesar de menos dependentes, os emergentes ainda respondem por boa parte das importações dos Estados Unidos. A maior economia do mundo importa cerca de US$ 2 trilhões, sendo que 40% desse valor sai da Ásia, principalmente da China. "Se uma desaceleração significativa ocorrer nos EUA, ou como parece mais provável agora na Europa, alguns setores emergentes serão afetados", afirma o relatório.
Para entidade, poder econômico mudará para economias com classe média crescente, mas alerta para riscos
Crise
Para o Fórum, a crise de crédito, a perspectiva de menor crescimento nos países desenvolvidos e os riscos gerados pela inflação trazem muita incerteza para a economia global no curto prazo. Com isso, as mudanças na regulação financeira que virão como conseqüência da crise nos Estados Unidos devem evitar novas pressões sobre o setor bancário, avalia o Fórum Econômico Mundial. Para a entidade, há risco de aumento dos custos e queda de competitividade e inovação para as instituições financeiras.
O Fórum lembra que as baixas contábeis anunciadas pelos bancos já somam US$ 500 bilhões desde o início de 2007. "A extensão da crise de crédito e a persistência da falta de confiança entre os bancos não tem precedentes."
sexta-feira, 9 de abril de 2010
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