domingo, 7 de março de 2010

WOLF: POR QUE COPENHAGUE DEVE SER O FIM DO INíCIO

Martin Wolf O encontro de cúpula sobre a mudança climática em
Copenhague terá resultados aquém dos esperados. Isso importa? Sim e
não: sim, porque o argumento em prol de uma ação é forte demais;
não, porque o acordo provável seria inadequado. Tratar da mudança
climática será difícil. É crucial atingirmos a meta de forma
eficaz. Os prováveis novos adiamentos deveriam ser usados para
conseguir exatamente isso.

Meu entendimento de que uma ação decisiva é justificada é
contencioso. Os céticos oferecem dois contra-argumentos: primeiro,
de que a ciência por trás da mudança climática é altamente
incerta; segundo, o de que os custos excedem os benefícios.

Sim, não basta argumentar que a ciência é incerta. Dados os
riscos, nós temos que nos certificar de que a ciência está errada
antes de seguirmos os céticos. Quando soubermos que não está,
provavelmente será tarde demais para agir de forma eficaz. Nós não
temos como repetir a experiência tendo apenas um planeta.

Felizmente, a evidência sugere que os custos da ação não devem
ser proibitivos. O mais recente Relatório de Desenvolvimento
Mundial do Banco Mundial argumenta que os custos de restrições
mais rígidas contra emissões seriam modestos. No lado do
benefício, eu destacaria a importância de evitar o risco de uma
catástrofe climática. Nós não temos o direito de correr esses
riscos.

Todavia, os céticos prestam um serviço valioso. Eles nos estimulam
a continuarmos monitorando os desdobramentos de fato do clima. Eles
também nos dizem que a ação tem um custo e alguns custos -
deixando bilhões de pessoas na miséria - seriam intoleráveis.
Felizmente, como nota o Banco Mundial, os pobres emitem pouco. A
redução das emissões obtida com a troca da frota norte-americana
de veículos utilitários esportivos por carros com padrões de
economia de combustível da União Europeia compensaria as emissões
do fornecimento de eletricidade para 1,6 bilhão de pessoas
atualmente sem acesso a ela.

Apesar da ação ser justificada e provavelmente não
proibitivamente cara, será um desafio enorme. Como aponta a
Agência Internacional de Energia (AIE) em seu Panorama Energético
Mundial, nós precisamos "descarbonizar" o crescimento para limitar
as concentrações na atmosfera do "equivalente em CO2" a 450 partes
por milhão, o nível considerado consistente com o aumento médio da
temperatura global de cerca de 2ºC. Nós precisaríamos fazer de
tudo - reduzir a demanda, expandir os renováveis, investir em
energia nuclear, desenvolver a captura e armazenamento de carbono,
trocar o carvão pelo gás e proteger as florestas - para conseguir
isso.
Veja o resto desta matéria na Segunda feira que vem

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