sábado, 27 de março de 2010

Thomas Lovejoy defende ‘esforço planetário’ pelo verde no mundo


Pesquisador é um dos maiores especialistas sobre a Amazônia.
Em evento, ele questionou sustentabilidade de obras na região.

Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em Manaus - o jornalista viajou a convite da Seminars

O pesquisador americano Thomas Lovejoy, conservacionista que realizou estudos pioneiros sobre a floresta amazônica, defendeu nesta sexta-feira (26), em Manaus, um “esforço planetário para voltar a enverdecer o planeta”. O colunista do Globo Amazônia fez apresentação no Fórum Internacional de Sustentabilidade, que reúne empresários para discutir o meio ambiente e, em especial, a importância da maior floresta tropical do mundo.

Pioneiro em estudos sobre a Amazônia, o pesquisador Lovejoy está no Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus. (Foto: Dennis Barbosa / Globo Amazônia)
Ao mesmo tempo em que ressaltou o papel-chave da Amazônia para a estabilidade do clima global, Lovejoy levantou questionamentos em relação às intervenções humanas na floresta – como por exemplo, a necessidade de construção de estradas que podem servir de vetores de desmatamento na região. “A rodovia Transoceânica está levando ao surgimento de garimpo ilegal na Amazônia peruana”, exemplificou.

Leia o blog do colunista do Globo Amazônia

Ele explicou que, antes de se abrirem novas rodovias, é importante avaliar a possibilidade de uso de outros modais de transporte, como, no caso da Amazônia, da hidrovia. Lovejoy também mostrou que, para chegar ao mercado do Sudeste, a energia das usinas hidrelétricas em construção no Rio Madeira terá de percorrer as mais longas linhas de transmissão de alta voltagem já construídas.

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Lovejoy alerta para o problema da fragmentação da floresta – o desmatamento parcial que deixa pedaços de mata em meio a pastos e plantações. Suas pesquisas mostraram que estes fragmentos não
conservam a biodiversidade da mesma forma que grandes extensões contínuas de floresta. Uma área de 1km², cita, perde, em 15 anos, metade das espécies de pássaros que vivem sob o dossel da floresta.

Iniciativas positivas

Ao mesmo tempo em que destacou como a ação do homem pode ser prejudicial, Lovejoy cita também iniciativas que considera positivas para a floresta, como a criação de reservas. Ao mostrar um mapa da atual quantidade de áreas protegidas existentes na região, comentou: “É extraordinário. É algo de que não se poderia sonhar quando coloquei os pés pela primeira vez na Amazônia, em 1965”. A porção de florestas em reservas aumentou consideravelmente desde então, quando praticamente não havia unidades de conservação.

Lovejoy defendeu que é possível reverter o processo de emissão de gases causadores do efeito estufa e que a Amazônia pode ser parte disto. Ele citou como exemplo projetos pioneiros de Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), como Mamirauá e Juma, ambos no Amazonas. O último é apoiado por uma rede internacional de hotéis que destina US$ 1 por quarto alugado para a conservação da floresta.

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